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25 de abr de 2019

Conheça as referências da HQ de abertura de PATO DONALD deste mês

Já disponível em nossa loja (no Kit Disney #1), a edição deste mês de PATO DONALD abre com uma aventura espetacularmente desenhada por Arild Midthun cheia de referências históricas e geográficas. Perdeu alguma delas? O Planeta Gibi, que traduziu as HQs desta edição, fez um resumão para você (não leia antes de terminar a HQ! Contém spoilers).

Veja também imagens e informações das outras histórias e muito mais.








PATO DONALD #2483 (CULTURAMA #1)
Publicação mensal, formato 13,4 x 19,5 cm, 64+4 páginas, lombada canoa, capa couché, miolo offset cor, R$ 6,00. Edição #1847. Culturama, abril de 2019.

• Tradução das HQs: Rivaldo Ribeiro e Edenilson Rodrigues (Planeta Gibi).

Importante: as imagens aqui reproduzidas estão em qualidade baixa, nada comparável à excelente qualidade de fato impressa na revista.




O Tesouro do Rei Viking tem roteiro e arte de Arild Midthun. Leia abaixo a seção especial em que desvendamos para você todas as referências dessa HQ (contém spoilers).




• Conheça aqui mais um daqueles empregos do Donald. O Encantador de Animais tem a arte arrebatadora de Daan Jippes (roteiro de Kari Korhonen).




• Em Os Detetives do Sítio, Huguinho, Zezinho e Luisinho encontram no sótão do sítio da Vovó um livro policial estrelado por "Poigret" (claro, uma brincadeira do tradutor, que junta os nomes dos principais protagonistas das obras de Agatha Christie e Georges Simenon, Hercule Poirot e Jules Maigret) e sentem-se inspirados a resolver um caso em que a Vovó pode perder seu sítio para um estelionatário. De Andreas Pihl e Andrea Ferraris.





• Duas gags vêm a seguir, ambas da série Dicionário dos Milionários, de Alessandro Mainardi e Paolo Campinoti. Pela primeira vez em um gibi da Culturama Tio Patinhas tem seu sobrenome finalmente ajustado ao original "McDuck" (e em linha com a série de animação DuckTales: Os Caçadores de Aventuras): Patinhas McPato.




• Em O Sonhado Distintivo, Bombom Sorriso decide seguir a carreira de um estimado tio e virar policial. A HQ tem ação e humor surpreendentes, tudo a cargo de Corrado Mastantuono, criador do personagem e frequente quadrinista do ranger Tex Willer, da Bonelli Comics. Se você nunca leu Bombom Sorriso, está aqui uma ótima oportunidade de se deixar fisgar pelo nonsense do personagem, surgido em 1997.



• Para encerrar, uma gag com Peninha e Donald, por Enrico Faccini.

◼ AS REFERÊNCIAS DA HQ O TESOURO DO REI VIKING

Atenção: contém spoilers.

A HQ O Tesouro do Rei Viking tem duas linhas de curiosidades. A primeira é que o quadrinista norueguês Arild Midthun leva Donald e os sobrinhos (aqui, no papel de Escoteiros Mirins) novamente a se aventurarem por seu país, mas os nomes reais de localidades e figuras históricas receberam adaptações folhetinescas — diferentemente do que se viu, por exemplo, em Um Golpe na Escandinávia (PATO DONALD nº zero), também de Midthun. Assim, eventos ocorridos na Noruega durante a Idade Média envolvendo o lendário rei viking Ragnar Lodbrok (cujo apelido significa “calça felpuda”), os reis Frederico 2º e Cristiano 5º, a fundação da cidade de Fredrikstad e sua vizinha, Sarpsborg, o rio Glomma, a ilha de Isegran (com seu forte fundado por Alv Erlingsson)... foram todos renomeados no original em inglês com palavras que nem sempre levam a uma associação óbvia com seus nomes reais, algo que procuramos fazer nesta tradução a fim de facilitar as pesquisas dos leitores interessados no assunto (aliás, se o leitor o fizer, verá que as construções históricas mostradas na HQ replicam com muita fidelidade as reais).

Um personagem totalmente fictício é o estilista Axel Herringsen (no original em inglês). Neste caso, optamos por aproximar seu nome da tradução da palavra inglesa “herring” (“arenque”), cujo termo “arenque defumado”, no inglês, remete a engodo, pista falsa — característica que não passa despercebida pelos espertos sobrinhos. Aqui, o leitor teria um pouco mais de trabalho para chegar sem auxílio a tal associação. Mas, se tudo fosse muito óbvio, a magia dos quadrinhos Disney ficaria de lado, não é mesmo?

A segunda linha de curiosidade é a identificação do tema desta HQ, que abre o PATO DONALD nº 1 da Culturama, com o tema de O Segredo do Castelo, HQ de Carl Barks que abriu O PATO DONALD nº 1 da Editora Abril em julho de 1950. Ainda que nesta produção nórdica Tio Patinhas seja apenas citado, é a pedido dele que Donald e os sobrinhos partem para outro país e acabam se deparando com um mistério ancestral que também envolve antigas construções, acontecimentos lúgubres, passagens secretas, um tesouro e... um fantasma! E tudo brilhantemente ilustrado no melhor estilo do incomparável Homem dos Patos.

Fim dos spoilers.

◼ PATO DONALD, O PERSONAGEM

O Pato Donald surgiu oficialmente em junho de 1934 no curta animado A Galinha Sábia. Antes disso, contudo, Walt Disney já tinha decidido colocar o personagem de pavio curto nos desenhos do Mickey em produção, tão certo estava de seu apelo junto à plateia.

O sucesso se repetiu nos quadrinhos, em tiras de jornais desenhadas por Al Taliaferro, que dotou Donald de características, elementos e personagens de apoio que em seguida seriam levados para os gibis — incluindo os então encapetados sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho, filhos de sua irmã Della "Dumbela" Pato.

Sua namorada é a Margarida, tia de Huguinho, Zezinho e Luisinho por parte de pai. Não raro, ela é cortejada descaradamente pelo sortudo ganso Gastão, primo de Donald também por parte de pai. 

Donald tem um carro de placa 313 e vive às turras com seu vizinho, o Silva. Seu cachorro é o Bolívar, um são-bernardo, e seu gato é o Ronrom — que costuma sofrer nas mãos do primo abilolado Peninha.

Peninha, por sinal, tem o mais endiabrado sobrinho dentre as crianças disneyanas, o Biquinho, e é muito próximo de Donald. Juntos, costumam ir até o Brejo das Urtigas visitar o Urtigão, acabando com a paz do quase eremita e de seu cachorro, o... Cão! Isso, quando Peninha não está bancando o herói fantasiando-se de Morcego Vermelho.

Donald é filho de Patoso (filho da Vovó Donalda, cujo sítio costuma reunir toda a família, incluindo o folgado primo Gansolino, que mora e, digamos, trabalha lá) com Hortênsia, irmã do quaquilionário Patinhas McPato, que sempre "convida" o sobrinho para suas aventuras e buscas de tesouros pelo mundo e, eventualmente, o emprega como repórter em seu jornal, A Patada

Mas, nem só de agruras e azares vive o querido e esquentado personagem: não raro ele se mascara de Superpato e vira o paladino de Patópolis, inclusive fazendo uso de apetrechos especialmente criados pelo genial cientista Prof. Pardal, grande amigo da Família Pato.

◼ PATO DONALD, O GIBI

PATO DONALD é o gibi com maior tempo de circulação no Brasil. Foi lançado pela Editora Abril entre jul/1950 e jul/2018 em 1845 edições (até o #2481) e, desde mar/2019, pela Culturama — com numeração dupla (a partir do zero na capa e com numeração continuada no expediente). 

A Abril o considera oficialmente sua primeira publicação (antes, em mai/1950, o editor Victor Civita lançara RAIO VERMELHO, mas como Editora Primavera).

O PATO DONALD estreou em formatão, tipo magazine. Em 1952, a partir do #22, adotou o formato de aproximadamente 13,5 x 21 cm, que acabou instituindo o jargão "formato Pato".

Em jan/1961, seu título na capa passou a se alternar semanalmente entre O PATO DONALD e O PATO DONALD APRESENTA ZÉ CARIOCA (ainda naquela década simplificado para ZÉ CARIOCA, que ficava com a numeração ímpar).

Em jan/1980, no #1470, ocorre uma revolução editorial: PATO DONALD ganha capa em papel couché (até então era impressa toda no miolo de papel didático) e tem o formato reduzido em 2 cm, inaugurando o popular "formatinho", logo adotado por outras publicações de quadrinhos, inclusive das demais editoras, como a RGE.

Na edição #1751, em 1985, PATO DONALD torna-se totalmente independente de ZÉ CARIOCA e tem sua primeira edição com número ímpar na capa desde 1960.

A partir do #2325, em sua última fase pela Abril, a revista ganha regularidade mensal e apresenta apenas HQs inéditas — inclusive as últimas histórias de Don Rosa ainda inéditas no Brasil. No fim de junho de 2018, a Abril antecipa o lançamento da edição do mês seguinte, #2481, em face à não renovação do contrato com a Disney após 68 anos de circulação ininterrupta.

Em mar/2019, a editora gaúcha Culturama, que já detinha uma licença de publicações de atividades Disney há algum tempo, retoma o título, agora com 68 páginas e miolo em papel de qualidade superior, e passa a usar numeração dupla: a partir do zero na capa e, no expediente, a sequência numérica clássica.

◼ POR QUE A QUANTIDADE DE EDIÇÕES DE PATO DONALD NÃO CORRESPONDE A SUA NUMERAÇÃO SEQUENCIAL?

Em janeiro de 1961, a então revista semanal O PATO DONALD, a partir do #479, começou a ceder sua numeração ímpar para ZÉ CARIOCA (o primeiríssimo ZC, portanto, trouxe um #479 impresso na capa). E continuou assim até o número 1750, em meados de 1985. Durante aqueles mais de 24 anos, esses gibis revezaram-se nas bancas semanalmente.

Mas, em junho de 1985, PATO DONALD mudou de formato, estrutura e linha editorial e passou a ser mensal. Então, a intercalação de numeração deixou de fazer sentido e os títulos, consequentemente, passaram a ter numerações independentes, com PATO DONALD #1751 sendo a primeira edição da revista a ostentar um número ímpar na capa desde 1960.

Assim, descontados os gibis com numeração nunca publicada de PATO DONALD, chega-se à quantidade real de edições lançadas pela Editora Abril, 1845 — ainda que a última revista distribuída pela editora paulistana, em junho/julho de 2018, ostentasse um número 2481 em sua capa.


★ Fontes: divulgação, Banco de Dados Planeta Gibi.
 Nota: O Planeta Gibi colabora com as publicações Disney da Culturama traduzindo, escrevendo artigos e prestando assessoria com base em nosso acervo e banco de dados. Antes, desde 2010, o Planeta Gibi colaborou de forma similar com a Editora Abril.
 Dúvidas e sugestões: escreva para o editor do Planeta Gibi Blog.
 Publicado originalmente em 25/abr/2019.
★ Atualizado pela última vez em 25/abr/2019.




25 comentários:

  1. Porque Arild Midthun substituiu os nomes reais de localidades e figuras histórias de seu país por adaptações folhetinescas ?

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    1. Não sei. E talvez não tenha sido ele. As HQs da Egmont vêm para o Brasil em inglês (imagino, aliás, que vão assim para distribuição a demais mercados; note que o Inducks registra seus títulos originais igualmente em inglês).

      Abs.

      Edenilson

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  2. Sério cara... acho o máximo essas HQs do Arild Midthun!(já disse isso a ele via face)! :o

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  3. Infelizmente ficarei nas edições da Abril, pois aqui no RJ nada destas edições da Culturama.

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    1. A distribuição está simplesmente um horror, e olha que uma dona de banca aqui de SP me garantiu que a distribuição está a cargo da Panini.

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  4. Também adoro as hqs do Midthun. Acho ele o melhor!!!

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  5. Bombom Sorriso... queria saber quem deu esse nome tosco ao personagem no Brasil... Lembra Jojo Toddynho ou qualquer desgraça parecida...

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  6. A qualidade das histórias apresentadas nas edições #1 despencou! As edições #0 foram realmente exemplares, com algumas italianas, mas nas edições #1 as histórias são em quase sua totalidade italianas, como quase sempre com baixíssima qualidade, infelizmente. Se for para publicar porcarias inéditas, prefiro mil vezes reprises! Como creio ter lido tempos atrás que só existem novas histórias italianas hoje em dia, que venham as maravilhosas reprises PELAMORDEDEUS!!! Quem concorda comigo? Abraços.

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    1. Concordo com o Marcelo. Histórias italianas são ruins, mal desenhadas, incompreensíveis.
      Exceção de Romana Scarpa, Cavazzano, Marco Rota e Capi. E olha lá. Desenhadas às pressas, sem qualidade, com desenhos toscos que fazem os personagens ficarem desfigurados. Histórias mal montadas. Na verdade é o estilo italiano. e não mudam. Alguém gosta, mas não é a maioria. Ótimas desenhos são os da Holanda e Dinamarca. Os brasileiros também eram muito bons. Abraços

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    2. Bem, eu não concordo. Abs!;)

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    3. Li apenas Donald e Tio Patinhas e também achei as histórias bem mais ou menos. E essas gags? sem graça nenhuma...

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  7. Eu gosto do Donald, espero que essa "serie" que vai contar a vida dele seja boa

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  8. Is it possible to get one to Norway, Fredrikstad?

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  9. Concordo com os que criticam as histórias italianas , elas são em sua maioria muito ruins pricipalmente nos traços dos personagens que aparecem deformados. Muitas vezes deixei de comprar as revistas por causa dessas histórias, e outras vezes comprava só pra dar risada e até pra xingar de tão ruins e cafonas. Bem que a editora podia publica-las em edições separadas para os que as "apreciam".

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  10. Esses desenhos italianos são de amargar, e a qualidade deixa muito a desejar. Tantas histórias inéditas antigas de desenhistas americanos, de longe os melhores,nem precisa dar exemplo, a Editora publica inéditas antigas italianas.
    A revista devia chamar Disney Europa. Se continuarem com essa tendência, desisto de comprar as revistas da Culturama.

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    1. Não comprei. Muito marketing para pouco conteúdo; minha opinião. Respeito quem gosta, porém, há uma completa descaracterização das personalidades dos personagens. Se, um dia republicarem o material clássico com seus grandes mestres, volto a comprar.

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    2. O traço do Peninha pelos italianos é uma coisa pavorosa

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  11. Já disse antes e faço coro: também gostaria de ler histórias antigas inéditas ou não da Holanda, Dinamarca, EUA e do Brasil. Também não tenho interesse nas italianas, com poucas exceções.

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  12. Que coisa, gosto é algo bem pessoal mesmo. Eu tenho 43 anos e cresci lendo Disney. Desde criança - tirando Barks, lógico - as HQs que eu mais curtia eram as desenhadas por Cavazzano e Massimo de Vita, justamente pelo traço que me agradava mais! E continuo gostando das italianas e não conseguindo gostar de caras como o Strobl, por exemplo... Pelo jeito eu sou o único leitor "das antigas" que não curte as HQs com o estilo das antigas hehehe

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  13. Se eu fosse criança nos dias de hoje, com tantas opções de entretimento e principalmente com a qualidade mediana dos quadrinhos atuais em geral e sem ter os grandes mestres como Carl Barks sendo publicado em revistas com preço acessivel, provavelmente eu não teria me tornado um fã de quadrinhos. Dinheiro para gastar com edições capa dura nem pensar, eu ia preferir comprar doces e ir ao cinema assistir
    qualquer filme de super-herói.

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  14. HQs dinamarquesas são muito boas e com traços bem harmônicos. As tais histórias de miolo que muitos torciam o nariz eram as minhas preferidas. Colocaram um almanaque que nem saiu nas bancas na minha mão para me mostrar as páginas bordadas e com cores desalinhadas, todas pra fora dos desenhos. Cada vez mais não me arrependo de estar lendo outras praças. Uma pena, no entanto, que eu não tenha queimado minha língua e me surpreendido com algo oposto e bem melhor do que eu tinha falado lá atrás. Eu queria tanto ter estado errado...É triste.

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  15. PG
    Recebi o Kit nr.1.
    Algumas pequenas ressalvas:
    1. Estão usando uma fita adesiva de baixíssima qualidade na caixa. Ao retirar, ela pode danificar a caixa.
    2. Não veio a cartela com adesivos.
    3. A revista mais ao fundo, Aventuras Disney, estava com a ponta da capa traseira danificada (amassada), devido à junção com partes da caixa!

    Acho que fui premiado! Rsss!!!

    Pergunta: os kits com caixa continuarão, ou ficam nas edições 0 e 1?

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  16. Não houve indícios de uma inédita do Zé Carioca em Pato Donald 1, ou me enganei?

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  17. As histórias dinamarquesas e holandesas que são terríveis, os desenhos são todos "engessados", sem nenhuma criatividade e os roteiros são chatos! Os artistas italianos, sim, sabem criar ótimas histórias, com desenhos dos mais variados estilos e roteiros de aventuras épicas e novelas engraçadas. Enfim, todo mundo resolvru dar sua opinião metendo o pau nessas obras-primas que são as HQs italianas, então resolvi defendê-las. E, como bem diz o Maffia, desafio alguem encontrar um artista da Marvel ou da DC que escreva melhor que Casty! Sem falar das soberbas histórias do maravilhoso anti-herói Fantomius, que eu espero que a Culturama volte logo a publicar, ainda há inéditas dele no Brasil.

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