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18 de abr de 2017

Guia Planeta Gibi Pateta Faz História

Após uma fase embrionária com 8 sátiras curtas, a série Pateta Faz História teve 38 episódios produzidos, padronizados em 44 páginas cada, abrangendo eventos como a Queda do Império Romano, personalidades proeminentes como Beethoven, clássicos da ficção como Robinson Crusoé, e figuras mitológicas como o Rei Midas. 

Neste guia discorremos sobre a gênese e o desenvolvimento da série, curiosidades sobre cada um de seus episódios, histórico de publicação no Brasil e algo mais.



★ CONTEÚDO:

• Lista dos episódios
Pateta Faz História disponível em nossa loja
• As 8 HQs precursoras: a origem e guia dos episódios
• As 38 HQs definitivas: a origem e guia dos episódios, incluindo muitas curiosidades
• Todas as capas, de ALMANAQUE DISNEY à COLEÇÃO DEFINITIVA
• Teatro Disney e outras séries americanas de paródias com Pateta
• Galeria de imagens curiosas
• Links


PATETA FAZ HISTÓRIA
As HQs precursoras com 12 páginas
no Brasil
jun/1975
1
O Grande Motim
MK#302, PTT1S#47, AMK2S#28
ago/1975
2
Leonardo da Vinci
inédita
out/1975
3
Mickey Shakespeare
MK#387, MK#488, DE#161
jan/176
4
Clarapatra
MK#307, PTT1S#52, MKI
mar/1976
5
Goofy Gutenberg
inédita
jul/1976
6
Christopher Columbus
inédita
ago/1976
7
Isaac Newton
MK#378
abr/1977
8
Robert Fulton
ZC#1471
• Na primeira coluna, a data se refere à da primeira publicação no mundo.
• MK: MICKEY, PTT1S: PATETA (1ª série), AMK2S: ALMANAQUE DO MICKEY (2ª série), DE: DISNEY ESPECIAL,
  MKI: MICKEY EM INGLÊS!, ZC: ZÉ CARIOCA.
Os temas das HQs definitivas com 44 páginas
no Brasil
1976
1
Leonardo da Vinci
AD#83, PFHC#3, PFHI#1, PFH#1, PFHCD#1
1977
2
Cristóvão Colombo
AD#87 e 370, PFHC#5, PFHI#2, DE#165, PFH#2, PFHCD#1
1977
3
Galileu Galilei
AD#85 e 371, PFHC#4, PFHI#3, DE#165, PFH#3, PFHCD#1
1977
4
Marco Polo
PFHC#2, PFHI#4, PFH#9, PFHCD#1
1978
5
Beethoven
PFHC#1, PFHI#5, PFH#4, PFHCD#1
1978
6
Gutenberg
PFHC#2, PFHI#6, PFH#8, PFHCD#1
1978
7
Rei Arthur
PFHC#4, DE#165, PFH#14, PFHCD#1
1978
8
20.000 Léguas Submarinas
AD#190, DE#135, PFH#11, PFHCD#1
1978
9
A Volta ao Mundo em 80 Dias
AD#179, DE#151, PFH#19, PFHCD#2
1979
10
Rip Van Winkle
PFH#15, PFHCD#2
1979
11
Ulisses
PFHC#6, PFH#10, PFHCD#2
1979
12
Tutancâmon
PFHC#1, PFH#15, PFHCD#2
1979
13
Dr. Frankenstein
PFHC#5, DE#165, PFH#6, PFHCD#2
1980
14
Rei Midas
PFHC#3, PFH#18, PFHCD#2
1980
15
Gustave Eiffel
PEEI#2, PFH#5, PFHCD#2
1981
16
O Homem Invisível
PFHC#6, PFH#12, PFHCD#3
1981
17
Guilherme Tell
PEEI#1, PEGT, PFH#17, PFHCD#2
1982
18
Benjamin Franklin
PEEI#4, PFH#5, PFHCD#3
1983
19
O Médico e o Monstro
PEEI#3, PFH#18, PFHCD#3
1983
20
Hércules
AD#181, DE#151, PFH#13, PFHCD#3
1983
21
Ascensão e Queda do Império Romano
AD#344, PFH#12, PFHCD#3
1984
22
Louis Pasteur
AD#341, PFH#7, PFHCD#3
1984
23
Genghis Khan
AD#199, PFH#16, PFHCD#3
1984
24
Arquimedes
AD#372, PFH#13, PFHCD#3
1985
25
Vasco da Gama
PFH#3, PFHCD#4
1985
26
Aníbal
PFH#10, PFHCD#4
1985
27
Isaac Newton
PFH#1, PFHCD#4
1986
28
Casanova
PFH#8, PFHCD#4
1986
29
Robinson Crusoé
PFH#17, PFHCD#4
out/1986
30
Aladim
AD#185, DE#130, PFH#19, PFHCD#4
1987
31
Dom Quixote de La Mancha
PFH#7, PFHCD#4
1987
32
Johann Strauss II
PFH#2, PFHCD#4
fev/1989
33
P. T. Barnum
PFH#11, PFHCD#5
abr/1989
34
Antonio Stradivari
PFH#16, PFHCD#5
dez/1989
35
Omar Khayyám e Ali Babá
PFH#14, PFHCD#5
dez/1991
36
Daniel Boone
PFH#4, PFHCD#5
abr/2000
37
Cleópatra
PFH#6, PFHCD#5
out/2000
38
Goethe
PFH#9, PFHCD#5
• Na primeira coluna, a data se refere à da primeira publicação no mundo.
• AD: ALMANAQUE DISNEY, DE: DISNEY ESPECIAL, PFHC: PATETA FAZ HISTÓRIA COMO, PEEI: PATETA É... EM INGLÊS,
  PEGT: PATETA É... GUILHERME TELL, PFHI: PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO,
  PFH: PATETA FAZ HISTÓRIA, PFHCD: PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA


★ DISPONÍVEL EM NOSSA LOJA:

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★ O INÍCIO: AS 8 HISTÓRIAS DE 12 PÁGINAS

Em jun/1975, a americana DISNEY MAGAZINE publicou a HQ O Grande Motim, sátira de Cal Howard e Carson Van Osten do romance Mutiny on the Bounty (1932), baseado em fatos reais. 

Criada para ser distribuída como brinde na compra de produtos de uma grande indústria do ramo de higiene e limpeza, a revista trazia artigos, passatempos e HQs.

Em seus dois anos de duração, DISNEY MAGAZINE intercalou sátiras históricas protagonizadas por Pateta, Mickey e Clarabela ("A Disney Comedy Classic") com HQs de Sir Lock Holmes — que, não por acaso, seguiam o mesmo estilo anárquico característico de Pateta Faz Históriaveja aqui como foi o DISNEY TEMÁTICO lançado em jul/2015, dedicado aos 40 anos de Sir Lock.



1
O Grande Motim
Mutiny Aboard the H.M.S. Bounty
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Carson Van Osten, arte-final de Steve Steere
• Estreia: DISNEY MAGAZINE [#2] (EUA, jun/1975)
• Primeira publicação no Brasil: MICKEY #302 (dez/1977)
• Mais recente republicação no Brasil: ALMANAQUE DO MICKEY #28 (2ª série, out/2015)
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: não

2
Leonardo da Vinci
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Al Hubbard, arte-final de Steve Steere
• Estreia: DISNEY MAGAZINE [#4] (EUA, ago/1975)
• No Brasil: inédita
 Mais recente publicação no mundo: Holanda, 2013 (reduzida para 9 páginas)
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: sim

3
Mickey Shakespeare
Mickey Shakespeare
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Carson Van Osten
• Estreia: DISNEY MAGAZINE [#6] (EUA, out/1975)
• Primeira publicação no Brasil: MICKEY #387 (dez/1984)
• Mais recente republicação no Brasil: DISNEY ESPECIAL #161 OS ESCRITORES (mai/1997)
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: não

4
Clarapatra
Mickey and Clarapatra
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Tony Strobl
• Estreia: DISNEY MAGAZINE [#8] (EUA, jan/1976)
• Primeira publicação no Brasil: MICKEY #307 (mai/1978)
• Mais recente republicação no Brasil: MICKEY EM INGLÊS (mar/1989)
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: sim

5
Goofy Gutenberg
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Al Hubbard, arte-final de Steve Steere
• Estreia: DISNEY MAGAZINE [#10] (EUA, mar/1976)
• No Brasil: inédita
 Mais recente publicação no mundo: França, 1981
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: sim

6
Christopher Columbus
• Roteiro de Carson Van Osten
• Estreia: LE JOURNAL DE MICKEY #1256 (França, 25/jul/1976)
• No Brasil: inédita
 Única publicação no mundo: França, 1976
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: sim

7
Isaac Newton
Isaac Newton
• Desenhos de Jaime Diaz Studio
• Estreia: DISNEY MAGAZINE [#12] (EUA, ago/1976)
• Única publicação no Brasil: MICKEY #378 (mar/1984)
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: sim

8
Robert Fulton
Robert "Goofy" Fulton
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága, arte-final de Larry Mayer
• Estreia: WALT DISNEY SHOWCASE [#38] (EUA, abr/1977)
• Única publicação no Brasil: ZÉ CARIOCA #1471 (jan/1980)
• Refeita e publicada em versão 44 páginas: não

★ AS 38 HISTÓRIAS DE 44 PÁGINAS

Logo se notou que a ideia tinha fôlego — e assunto — para muito mais do que curtas 12 páginas. 

E assim começou a série "Disney's Goofy Classics", com HQs de 44 páginas produzidas pelos Studios — divisão americana da Disney incumbida de prover sobretudo o mercado internacional de quadrinhos. 

A série trouxe roteiros americanos desenhados e arte-finalizados no argentino Jaime Diaz Studio, incluindo releituras estendidas de 5 das 8 HQs de 12 páginas. Leia aqui a entrevista que o arte-finalista Rubén Torreiro concedeu ao Planeta Gibi.

O primeiro episódio dessa nova série foi Leonardo da Vinci, que inaugurou uma coleção sueca em 1976. Também foi o primeiro a ser publicado no Brasil, em ALMANAQUE DISNEY #83 (abr/1978). 

A seguir, a lista de todos os 38 episódios por ordem de primeira publicação no mundo (que eventualmente não seguiu a ordem em que foram produzidos).




1    
Leonardo da Vinci
Goofy da Vinci, 1976
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Larry Mayer
• Arte-final de Rubén Torreiro em todos os episódios
 Veja aqui páginas dos episódios 1 a 8
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #83 (abr/1978)
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #3 (dez/1981)
     PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO #1 (jun/1985)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #1 (12/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

Por Marcelo Alencar. Na paródia biográfica de Leonardo da Vinci, assim como em todas as narrativas correlatas, as chamadas licenças poéticas são sobrepostas a dados factuais, resultando numa mistura cômica de fantasia e realidade. Um exemplo de dado factual é a passagem na qual Leonardo escreve de trás para a frente. Ele de fato fazia isso, supostamente por ser disléxico. Já uma amostra de licença poética é a estátua do roqueiro com sua guitarra elétrica numa praça da Florença renascentista.

Os roteiros da série são inovadores porque neles, pela primeira vez, Pateta troca seu tradicional papel secundário pelo status de protagonista, relegando o astro Mickey muitas vezes a um segundo ou mesmo terceiro plano. Outra característica marcante da série é a ousadia gráfica: a diagramação das páginas aposta em formatos pouco convencionais de molduras de quadrinhos (ou simplesmente abre mão delas) e as cenas são repletas de detalhes, nos quais vale a pena se deter um pouco mais.

Para finalizar, esta história da edição brasileira mantém a soberba tradução de José Fioroni Rodrigues (1926-2010), feita em 1978 para o número 83 do gibi ALMANAQUE DISNEY e que se mantém atual do primeiro ao último balão.

2
Cristóvão Colombo
Goofy Columbus, 1977
• Roteirista desconhecido, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #87 (ago/1978)
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #5 (fev/1982)
     PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO #2 (jul/1985)
     DISNEY ESPECIAL #165 PATETA FAZ HISTÓRIA* (fev/1998)
     ALMANAQUE DISNEY #370 (jun/2005)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #2 (12/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

* O encalhe dessa edição foi encadernado com o de outra e vendido como DISNEY ESPECIALÍSSIMO #30.

Por Marcelo Alencar. A série Pateta Faz História nunca teve a pretensão de traçar a biografia completa de seus personagens. Em boa parte das vezes, as paródias limitam-se a abordar a infância de figuras célebres — para contextualizar datas, locais e ambientes — e depois narrar fatos significativos da trajetória de cada uma. A série também brinca com tipos ficcionais, extraídos de clássicos da literatura.

No caso de Cristóvão Colombo, o roteiro consome 11 páginas sugerindo que vieram da tenra idade as principais convicções daquele que se tornaria um dos pivôs das chamadas Grandes Navegações. Contrariado por tudo e por todos, o garoto insiste na tese de que nosso planeta é esférico e usa um balão de gás (um dos muitos elementos anacrônicos do enredo) para sustentar seus argumentos. Em seguida, pinta nesse mesmo balão um mapa-múndi detalhado, com o Novo Mundo retratado com exatidão profética.

Sem parar de explorar lacunas e saltos temporais, a trama cita o conceito de gravidade, estabelecido por Newton dois séculos depois, além de incluir nos cenários vários itens típicos do mundo contemporâneo, como televisão, rádio, telefone, semáforo e agência de viagens. Tudo isso convida o leitor a procurar coerências e absurdos visuais cena após cena, julgando a pertinência de cada desenho numa HQ em que o nonsense dá o tom até o último quadro.

Curiosidade: muito antes de interpretar Colombo nos gibis, Pateta encarnou o almirante genovês nas telas de cinema. Foi em 1944, num pequeno trecho do cartoon Como Ser um Marinheiro. Se tiver a oportunidade, compare as duas divertidas versões e suas coincidências.

3
Marco Polo
Mickey Marco Polo, 1977
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #2 (nov/1981)
     PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO #4 (ago/1985)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #9 (30/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

Por Planeta Gibi. Nesta série, poucas vezes Pateta delega o papel-título a outro personagem. Uma dessas exceções ocorre aqui, onde é convidado por Mickey Marco Polo para acompanhá-lo em sua histórica (ou lendária, como afirmam alguns) viagem à China. Pateta poderia ser um anônimo qualquer nessa HQ — se não tivesse o talento para roubar a cena em todas as suas aparições. Logo de cara ficamos sabendo que ele vendeu tudo o que possuía em casa para poder empreender a viagem. Decidem então partir da bela Veneza para sua expedição. Pateta atravessa a porta de casa e mergulha direto no canal. “Sempre esqueço que moro em Veneza”, desculpa-se para um já impaciente Mickey. Estamos só no comecinho de nossa história e muitas outras piadas com os canais da cidade se seguem, ficando definitivamente entre as mais inspiradas da série. 

Já no navio, Pateta e Mickey são tapeados pelo imediato (e único tripulante da nau, passando-se por capitão, camareiro e delegado) que lhes vende malas, pasta de dente e passaporte, numa sequência inacreditável de extorsão e nonsense.

Na Palestina, os viajantes partem para a longa travessia da Pérsia sobre uma camela geniosa — que em dado momento, apesar de suas desavenças com Pateta, passará a ser carregada em suas costas. Finalmente, chegam ao destino mas deparam-se com uma intransponível Muralha da China (e até o narrador da HQ faz piada com a direção que eles escolhem para seguir).

Mickey Marco Polo é atípica no que se refere aos vilões. Dessa vez não há Bafo-de-Onça ou Metralhas para atrapalhar, apenas uma cambada de desastrados beduínos que participam de uma das melhores cenas da HQ e acabam voltando 24 anos depois para completar o serviço, agora cruzando os canais de Veneza sobre seus camelos (!).

Acompanhado de seu pai e de um tio, o verdadeiro Marco Polo tinha muitos objetivos a alcançar em sua grande viagem. Um deles era chegar na China do imperador Kublai Khan, o quinto Grande Khan do Império Mongol. Na HQ não há cunho diplomático, somente comercial. Mickey e Pateta apenas almejam as riquezas que podem obter por lá e acabam não sendo recebidos com tantas honrarias como ocorreu com a real expedição (na verdade, a chegada inesperada quase custa a vida de nosso amigo Pateta).

A viagem de Marco Polo à China já foi contada em detalhes noutra HQ Disney, com Donald no papel principal (vista em CLÁSSICOS DA LITERATURA DISNEY #6, de 2010). Já na série francesa Mickey Através dos Séculos, o camundongo viaja no tempo e acaba se encontrando com o Marco Polo em pessoa (inédita no Brasil).

4
Galileu Galilei
Goofy Galileo, 1977
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #85 (jun/1978)
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #4 (jan/1982)
     PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO #3 (jul/1985)
     DISNEY ESPECIAL #165 PATETA FAZ HISTÓRIA (fev/1998)
     ALMANAQUE DISNEY #371 (jul/2005)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #3 (19/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

Por Planeta Gibi. Este episódio é um dos mais famosos e bem humoradas da série, com Mickey fazendo divertido uso de metalinguagem para ironizar sua condição de personagem secundário — e, eventualmente, nada mais que figurativo. Brincadeiras com anacronismos, uma das marcas da série, continuam neste episódio. Logo no início, Pateta sugere que joguem boliche e seu amigo retruca ser impossível, já que estão em 1609 e o jogo ainda não foi inventado. Poucas páginas depois, também, o fabricante de óculos atende o telefone, aparelho que só seria inventado em 1876.

A sucessão de gags suaviza a temática por vezes desconfortável da biografia do cientista, como seu julgamento por defender o heliocentrismo. Tampouco é sublimada a passagem que marca a superação de ideias aristotélicas pelos pilares da ciência moderna, fincados por Galileu. Muito ao contrário, não só esse tema é abordado como, de quebra, ainda ficamos sabendo como a Torre de Pisa ganhou sua célebre inclinação! Pura genialidade dos quadrinistas, claro.

Pateta Galileu Galilei foi a segunda história da série a ser publicada no Brasil, em ALMANAQUE DISNEY #85 (jun/1978). Pouco mais de três anos depois, a Editora Abril lançou uma coleção reunindo doze aventuras da série. Alguns países europeus já haviam feito algo semelhante, mas por aqui tivemos um bônus muito significativo. Cada HQ era introduzida por boas tiradas de Pateta e Mickey, brincando com as situações que iriam viver nas páginas seguintes e com as aventuras que haviam acabado de protagonizar. Esses quadrinhos foram especialmente produzidos pelos Estúdios Abril em São Paulo, desenhados por Roberto Fukue. De um total de 36 páginas, dez delas puderam ser revistas quando DISNEY ESPECIAL #165 (fev/98) teve como tema justamente a série Pateta Faz História

A trajetória de Galileu foi revisitada há não muito tempo pelos personagens Disney. Em TIO PATINHAS #544 (nov/2010), é Prof. Pardal quem faz o papel do cientista. E ainda que tenha a companhia dos atrapalhados Donald e Peninha, a trama ali é conduzida de forma mais contida, passando ao largo de alguns dos pontos mais polêmicos da vida do físico italiano.

5
20.000 Léguas Submarinas
20,000 Leagues Under the Sea, 1978
• Roteirista desconhecido, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #190 (mar/1987)
     DISNEY ESPECIAL #135 OS NAVEGANTES (nov/1992)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #11 (14/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

Por Planeta Gibi. Pela primeira vez nesta série, o papel de maior destaque cabe a Mickey, aqui interpretando o Professor Aronnax, convidado a participar da expedição que buscará o suposto monstro marinho que vem destruindo embarcações nos mares do Sul. Pateta, antes do embarque, vive o papel de si mesmo. Já na fragata, faz as vezes do arpoador Ned Land. O trio da obra original completa-se com um personagem novo, Gualberto Blablá, na pele de Conseil, o assistente de Aronnax. Outra figura, um velho e surdo arpoador cuja função no início da HQ é basicamente divertir o leitor com sua má sorte, irá se revelar de grande importância ao final. Outro personagem Disney que ganha destaque neste episódio é João Bafo-de-Onça, como Capitão Nemo (mas ele é simplesmente chamado de Bafo, enquanto que o submarino nuclear Náutilus é chamado jocosamente de "Náuseus").

A base da HQ é a quadrinização produzida em 1955 do longa-metragem da Disney. Alguns diálogos chegam a ser reproduzidos integralmente, como no momento em que o trio de náufragos localiza a escotilha do submarino. No interior do Náuseus, a HQ descola-se do filme e parte em rumo próprio. Pateta informa que Bafo é o maior inimigo de Mickey e a trama se desenrola e finaliza num estilo similar ao das grandes aventuras desenhadas nos anos 1960 pelo mestre Paul Murry — porém, sem perder a verve cômica esperada nesta série. A justificativa para o estrago que causa nos navios com seu artefato não carrega um traço sequer da tortuosa nobreza do Nemo original: aqui, o bandido detesta rutabagas (uma espécie de nabo) e afunda todos os navios carregados desse vegetal na esperança de erradicá-lo do mundo.

Ah, sim... o leitor ficará curioso em saber a qual filme Pateta se refere na HQ. Trata-se do cult A Ilha das Almas Selvagens (Island of Lost Souls, 1932; lançado em 1933 pela Paramount), baseado no livro A Ilha do Dr. Moreau, de H.G.Wells (também autor de Guerra dos Mundos, O Homem Invisível e A Máquina do Tempo, entre muitos outros). Foi pelo uso nesse filme que a frase "os nativos estão inquietos esta noite" tornou-se um clichê. O homem de branco com chapéu panamá, citado e imitado na HQ por Pateta, foi feito por Charles Laughton (dr. Moreau). O filme ganhou remakes, dentre eles um que alcançou notoriedade por ser estrelado por Marlon Brando em 1996.

Este episódio da série Pateta Faz História foi publicado pela primeira vez nos EUA em 1978, em versão capa dura distribuída como brinde numa promoção de um creme dental — tratamento igualmente dado aos capítulos A Volta ao Mundo em 80 Dias e Pateta Van Winkle. No Brasil, Pateta nas 20.000 Léguas Submarinas estreou em ALMANAQUE DISNEY #190 (1987).

20.000 Léguas Submarinas, o filme, teve mais de uma adaptação para os quadrinhos disneyanos. A mais popular delas, citada acima, foi desenhada por Frank Thorne e saiu em 1955 no EUA. No Brasil, foi primeiro publicada em DIVERSÕES ESCOLARES, em seis capítulos, a partir da edição #12 (Editora Abril Didática, 1961-62). Em 2010, pudemos revê-la em CLÁSSICOS DA LITERATURA DISNEY #12. Essa edição de CLD, a propósito, também mostrou Mickey e Pateta viajando no tempo numa máquina do Professor Zapotec e encontrando-se com Nemo.

A versão de 20.000 Léguas publicada em CLD #12 manteve praticamente a tradução da Abril feita em 1969. No entanto, o nome de alguns personagens foram ajustados. Assim, Prof. Arronax passou a ser chamado de Prof. Aronnax (como aparece no livro e no filme; a versão "Arronax" deve ter sido utilizada pela Abril apenas para aproximar a grafia da pronúncia), e seu assistente, Conseil, foi alterado para Conselho (de fato, há traduções do livro que mostram assim grafado o nome do assistente; no entanto, nem nos quadrinhos Disney nem nas legendas do filme o nome é traduzido para o português).

6
Rei Arthur
Goofy Arthur, 1978
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #4 (jan/1982)
     DISNEY ESPECIAL #165 PATETA FAZ HISTÓRIA (fev/1998)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #14 (4/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

Por Planeta Gibi. Há muitas lendas sobre Rei Arthur, seus cavaleiros da Távola Redonda, a espada mágica Excalibur e o mago Merlin. Mais tarde, seriam acrescentados aos contos arturianos mais elementos, incluindo o Santo Graal.

Os relatos se diferenciam conforme a fonte e a época em que foram escritos. Nas versões mais populares, o último ato do rei Uther, ferido de morte, é cravar Excalibur numa pedra e decretar que dali ela só seria arrancada por aquele que fosse digno de empunhá-la. Por consequência, tal pessoa iria se tornar o rei da Grã-Bretanha.

Pois a façanha seria realizada, muitos anos depois, por um jovem escudeiro chamado Arthur. Justamente o filho de Uther, tomado ainda bebê por Merlin e entregue aos cuidados de uma família de cavaleiros. Sem conhecer sua origem, Arthur atua como escudeiro até o dia em que casualmente extrai da pedra o objeto mágico tão cobiçado por muitos.

Assim como em Pateta Rei Arthur, não é incomum Excalibur aparecer fincada numa bigorna, ao invés de numa rocha. A própria Disney já a mostrara assim no clássico animado A Espada Era a Lei (1963). A HQ pega emprestada desse longa metragem de animação, a propósito, a ideia do torneio para se determinar um novo rei (já que ninguém consegue extrair a espada mágica e a Grã-Bretanha necessita com urgência de um comandante). Também o motivo e a maneira como Pateta chega à espada são similares aos do desenho.

Diferentemente do que ocorre nas narrativas mais conhecidas, em Pateta Rei Arthur é Merlin quem coloca Excalibur na pedra, e não o rei Uther. Vivido por Mickey, o mago pouco aparece na história, já que a maior parte da trama se desenrola no castelo de Dom Báfio, papel de João Bafo-de-Onça. Lá, o escudeiro Pateta submete seu senhor, inocentemente, a toda sorte de pancadas, tombos e cabeçadas, antes de lançá-lo literalmente aos jacarés e esmagá-lo sob a ponte levadiça (tudo em querer, é claro).

Tal sequência, antológica, inscreve-se com folga entre as mais inspiradas e bem resolvidas dos quadrinhos de humor. O desespero de Pateta para avisar seu senhor da proximidade dos jacarés (ou seriam crocodilos, Pateta?) é exemplo de tirada magistral, novamente valorizada pela tradução afiada e com toques de ironia de José Fioroni Rodrigues.

Pateta Rei Arthur é repleta de exageros e piadinhas discretamente (ou não muito) espalhadas aqui e ali. Logo no primeiro quadro vemos um cavaleiro lendo um jornal enquanto suas botas de ferros são... lubrificadas! Duas páginas adiante, temos a inusitada aparição do Pato Donald (em forma de silhueta) na insígnia da esmolambada capa de outro cavaleiro. Ao seu lado, mais nonsense: um camarada surge montado numa vaca que usa um elmo Viking (ou, melhor explicando, um capacete com chifres que as óperas do século XIX inventaram para caracterizar aqueles nórdicos). Em seguida, entre os candidatos a remover a espada da pedra, há desde um jogador de beisebol (com um prego na ponta do bastão, para conferir um ar mais primitivo, digamos, àquele esporte) até um cãozinho que é um misto de Totó com o Homem de Lata de O Mágico de Oz!

Uma similaridade com o tema deste episódio é encontrada no curta animado Cavaleiro por um Dia, de 1946, passado igualmente na Idade Média. Nele, Pateta é o escudeiro Cedric, obrigado a tomar parte em um torneio quando seu cavaleiro é acidentado.

Por fim, vale registrar que foi em A Espada Era a Lei que surgiu no universo Disney a adorável bruxa Madame Min. Numa das sequências mais memoráveis dos Clássicos Disney, ela trava uma batalha de metamorfoses animalescas com o mago Merlin — e, por ser desonesta, leva a pior no final.

7
Beethoven
Goofy Beethoven, 1978
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #1 (out/1981)
     PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO #5 (set/1985)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #4 (26/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

Por Planeta Gibi. Ludwig van Beethoven foi uma daquelas personalidades que desde criança surpreenderam por suas habilidades inatas. E este episódio faz divertido uso dessa característica, como o choro “em si bemol” do bebê Pateta, segundo seu pai.

Na vida real, contudo, logo surgiu a obsessão do pai em tornar o filho prodígio um novo Mozart, sobrecarregando-o de aulas de música desde cedo. Esse relacionamento algo conflituoso é habilmente convertido pelos quadrinistas numa comédia abrutalhada, incluindo a substituição do alcoolismo do sr. van Beethoven pelo vício por comida. Já o notório afeto que o filho nutria pela mãe é muito bem transmitido por Pateta no desenrolar da trama, sobretudo perto de sua conclusão, quando um acidente ocorre. Ainda assim, Maria Magdalena van Beethoven não tem seu nome mencionado nos quadrinhos, ao contrário do pai, Johann, numa rara citação do gênero nessa série.

Literalmente carregando o piano nas costas, o talento de Pateta Beethoven ganha notoriedade pública (e muito dinheiro) ao ar livre, nas ruas de Viena. De fato, é sabido que o músico não se desincumbiu de carregar seu fardo, cuidando de seus irmãos mais novos quando seus pais faltaram.

Outra vez relegado a papel menos do que secundário, Mickey aparece aqui como Mozart. Muitos biógrafos relatam que Beethoven chegou a ter algumas poucas aulas com o célebre gênio musical. Outros, porém, contestam essa versão. Curiosamente, Pateta também teve seu dia de Mozart: em 1990, o gibi americano GOOFY ADVENTURES #4 publicou uma gag de uma página, sem palavras, com o título Pateta Mozart: Momentos Inspirados dos Grandes Compositores #1

Comuns nessas histórias, as menções e aparições de eletrodomésticos inimagináveis na época retratada, como o televisor e a geladeira, dão aquele peculiar toque de nonsense à trama, e que tão bem se ajusta à personalidade sempre inocente de Pateta, não importa qual personagem ele esteja encarnando.

Uma outra curiosidade, por fim, é a associação visual que podemos fazer, hoje, do Patetinha em fraldas que aparece na abertura da HQ com os personagens Baby Disney, uma criação brasileira de meados da década de 1980. Pensados para estrelar algumas linhas de produtos, as versões bebê de Mickey, Donald, Pateta e até de João Bafo-de-Onça, entre outros, logo ganhariam seus quadrinhos, produzidos na França.

8
Gutenberg
Goofy Gutenberg, 1978
 Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #2 (nov/1981)
     PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO #6 (out/1985)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #8 (23/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #1 (mar/2017)

Por Planeta Gibi. Em Pateta Gutenberg, Clarabela surge novamente como mãe do protagonista. E mais uma vez ela defende com braveza o filho peralta das críticas alheias — mas não o poupa, porém, de suas próprias queixas. A impaciência de Clarabela com as invencionices do menino culmina com a reação da mãe à partida do filho para Estrasburgo: a piada é ótima, inesperada e, dirão alguns, algo cruel se confrontada com a inocência habitual de Pateta. Mas é perfeita para que fique desde logo estabelecido com os leitores o nível de humor escrachado e nonsense que permeará toda a história.

É notório o acertado timing das gags nos episódios da série. Em Pateta Gutenberg, contudo, chega-se à perfeição: é primorosa a sequência do restaurante, por exemplo, onde nosso astro surpreende todos com sua decisão de comprar 200 litros de sopa de letrinhas. Os criadores da HQ esticam a cena habilmente, sem pressa e sem perder o ritmo. O resultado assemelha-se a um storyboard possível de um filme dos irmãos Marx. Também as soluções propostas por Pateta são hilárias. Ora, Johannes Gutenberg justamente ficou célebre por utilizar tipos de chumbo, incomparavelmente mais duradouros do que as matrizes de madeira que se prestavam até então para impressões rudimentares. Aqui, a ideia de usar macarrão para essa finalidade só não é mais absurda do que o método que Pateta encontra para secá-lo (ainda bem que ele tem ao seu lado Mickey, sempre disposto a tentar organizar as ideias não tão brilhantes do amigo).

A zombaria à invenção máxima de Gutenberg segue até o final: ao invés de sermos brindados com os resultados de tão revolucionário equipamento, o que vemos é uma cidade emporcalhada com a infinidade de cartazes que ele ajuda a produzir.

É curioso notar que Pateta Gutenberg parte da primeira versão, de 12 páginas, reaproveitando a arte do genial Al Hubbard (primeiro desenhista de Peninha e Urtigão, entre outros), estendida por Hector Adolfo de Urtiága para as 44 páginas, padrão da nova série.

Gutenberg já deu as caras em outra HQ Disney, pelo menos. Na década de 1950, Mickey viajou no tempo e conheceu-o pessoalmente. Inédita no Brasil, essa história é uma das aventuras da duradoura série francesa Mickey Através dos Séculos, que chegou a ganhar em 1976 uma compilação luxuosa pela Editora Abril.

Curiosidade extra: quando os Estúdios Abril traduziram essa HQ no início dos anos 1980, um caco foi introduzido entre as inúmeras plaquinhas da última página. Numa delas se lê “Cão Fila Km 22”. A inscrição, enigmática para muitos, começou a ser pichada nos anos 1970 em muros, postes e até em barrancos de toda São Paulo. Ficou tão popular que acabou sendo reproduzida no resto do país. O fenômeno chegou a ser analisado pela revista Veja em 1977 (edição #461), quando finalmente teve seu significado explicado em nível nacional: tratava-se da propaganda de um canil nos arredores de São Paulo.





9
A Volta ao Mundo em 80 Dias
Around the World in 80 Days, 1978
• Roteirista desconhecido (Greg Crosby, possivelmente), desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil:
     ALMANAQUE DISNEY #179 (abr/1986)
     DISNEY ESPECIAL #151 CINE AVENTURAS* (set/1995)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #19 (9/dez/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

* O encalhe dessa edição foi encadernado com o de outra e vendido como DISNEY ESPECIALÍSSIMO #17.

Por Planeta Gibi. A grande diversão do leitor da série Pateta Faz História é ser surpreendido por piadas e situações que subvertem a lógica, a cronologia e a natureza dos fatos satirizados.

Pois em A Volta ao Mundo em 80 Dias é curioso notar que, antes de tudo, ficamos torcendo para que Pateta e Mickey sejam bem sucedidos em seu objetivo e ganhem a aposta que fizeram com os membros de um clube londrino.

Não que os elementos que fazem a fama desses episódios estejam ausentes: eles comparecem, e em quantidade tão numerosa e conjunturas tão absurdas como nos mais inspirados momentos da série. Prevalecerá, porém, o desejo de ver Pateta se dar bem.

Ingênuo e otimista como nunca, o personagem quase põe tudo a perder em certos momentos (quando insiste em dar uma de turista no Egito, por exemplo, logo no início da longa viagem), mas também ajuda Mickey na recuperação de terreno perdido, além de manter-se fiel ao amigo mesmo nas situações mais improváveis.

Sucessivos problemas com os meios de locomoção, no entanto, põem o leitor naquela expectativa que só bons roteiros conseguem provocar.

No livro de Júlio Verne, o protagonista é o nobre inglês Phileas Fogg, que parte em viagem com seu fiel criado, Passepartout. Na HQ, esses papéis são trocados, sendo Pateta Fog um reles empregado do Clube de Cavalheiros, e Mickey um dos membros.

A história segue até certo ponto o roteiro proposto pelo livro (Londres, Dover, Suez, Bombaim, Calcutá, Hong Kong, Yokohama, São Francisco, Nova York e Londres). Seus meios de transporte são, de início, semelhantes aos do romance (trens e navios). Mas vão se tornando mais e mais absurdos até o limite do nonsense.

É curioso notar que um balão seja frequentemente associado à odisseia dos ingleses. Ele inexiste, contudo, tanto no livro como nessa HQ. A melhor explicação, talvez, seja a popularidade alcançada pela superprodução homônima do cinema americano, de 1956, onde não só um balão é utilizado, como é ainda destaque no cartaz do filme. Essa adaptação, que contou com pequenas participações de dezenas de estrelas da época, acabou inspirando outras produções, inclusive desenhos animados, o que acabou por fixar no senso comum a presença do artefato faltante na obra de Verne. Há alguns anos, a própria Disney produziu um remake daquela obra.

10
Rip Van Winkle
Goofy Van Winkle, 1979
• Roteiro de Greg Crosby, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #15 (11/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

Por Planeta Gibi. Pateta Van Winkle satiriza o livro escrito por Washington Irving (que é devidamente homenageado pelo roteirista). As narrativas de livro e HQ correm de maneira bem semelhante, à exceção, é claro, da inclusão das piadas nos quadrinhos.

Os parentes de Pateta Van Winkle têm participação fundamental no desenrolar da trama. Sua esposa, uma notória megera, é vivida perfeitamente por Clarabela. Já bem habituada a interpretar personagens histéricas em Pateta Faz História, aqui ela extrapola seus limites de tagarelice e chatice. Sua fúria chega ao extremo quando atira o marido janela afora. Apesar de Pateta destruir com a cabeça o tronco de uma árvore enorme, para sorte de todos estamos no mágico mundo dos quadrinhos: além de Pateta não sofrer nenhuma sequela, nas páginas seguintes até a árvore aparece intacta!

Curiosos são os filhos do casal. O menino traz as feições do Pateta júnior que vimos em outras produções da série, e irá reaparecer no final da história, já adulto. A menina é um achado: uma miniatura de Clarabela que, se porventura utilizada antes em quadrinhos, decerto ocorreu com extrema raridade.

Mickey Vandermouselen vive Peter Vanderdonko, o único que irá reconhecer e acreditar na história de Pateta Van Winkle em seu retorno à vila, duas décadas após sua fuga da ira da esposa.

No conto, Winkle junta-se a estranhos homenzinhos na floresta, bebe licor até adormecer e só acorda vinte anos depois. Pateta segue destino semelhante, mas apesar de um barril de bebida estar por perto, o motivo de seu sono é fruto de uma de suas trapalhadas. O propósito dessa alteração parece ter apenas motivos humorísticos, já que momentos antes Mickey e Pateta aparecem bebendo cerveja e discutindo longamente o preço da bebida com a dona da taverna — situação que, decorridos mais de trinta anos desde a produção desta HQ, seria impensável hoje em quadrinhos desse gênero (as "tulipas de cerveja" do texto original foram substituídas por "vitamina de tulipa").

Duas outras alterações significativas existem em relação ao conto. O cachorro Lobo não acompanha Pateta em sua fuga, como ocorre com o Winkle da literatura (mas ele pode ser visto uma única vez na HQ, saboreando um osso). E, se ao reencontrar a filha Winkle é amorosamente acolhido... bem, não vamos aqui contar o final da história, mas pode-se dizer que aquela clarabelinha cresceu e herdou o gênio da mãe.

Muitas HQs Disney mencionam ou são inspiradas em Rip Van Winkle. Uma dessas versões, desenhada por Paul Murry, integra a série Teatro Disney e foi mostrada no último volume da coleção semanal da Abril. Noutra, publicada em PATO DONALD #1270 (1976), Pateta toma uma poção e dorme por alguns minutos, mas como acorda com uma barba enorme, lembra logo de Winkle e acredita ter dormido por vinte anos. Também merece destaque A Viagem, de MICKEY #593 (1999), onde o camundongo é atingido acidentalmente por uma fórmula do Dr. Nozelo e acaba dormindo por 50 anos. Acorda muito velho e assustado, numa Patópolis diferente, onde somente Minnie o reconhece.

11
Ulisses
Goofy Ulysses, 1979
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #6 (nov/1982)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #10 (7/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

Por Planeta Gibi. Pateta Ulisses satiriza o poema clássico Odisseia, de Homero (em grego, Ulisses é Odisseus). Seus eventos ocorrem na sequência dos relatos da Ilíada, obra atribuída ao mesmo autor. Uma pontinha da Ilíada é mostrada na abertura da história, com Pateta, Mickey e demais guerreiros deixando para trás a cidade de Troia arrasada. Pateta chega a fazer piada com o icônico cavalo de madeira recheado de soldados. Também da Ilíada empresta-se aqui o príncipe de Argos Diomedes, na pele de Mickey. Numa licença poética, Mickey Diomedes acompanhará Pateta Ulisses em seu retorno ao lar, eventualmente salvando-lhe a pele.

Pateta Ulisses recorre com mais frequência à metalinguagem do que outros episódios da série. Pateta passa boa parte da história lendo suas falas em placas mostradas por uma espécie de contrarregra. Além disso, diversas passagens parecem querer lembrar o leitor de que tudo se trata de uma ficção, como se estivéssemos acompanhando um filme ou uma peça de teatro. No limite, o próprio Homero acaba surgindo em cena — e Pateta dá por encerrada a discussão sobre a autoria da Odisseia, tantas vezes questionada por estudiosos.

O humor irônico da série também se apresenta bastante afiado. Enquanto que na Odisseia a ira do deus Éolo se deve ao descuido de Ulisses com o saco cheio de ventos do qual deveria ter tomado conta, na HQ há uma desconcertante explicação para a fúria do deus do vento, que açoita impiedosamente a embarcação dos guerreiros, terminando por lançá-los na ilha dos temíveis ciclopes.

O mito grego Ulisses é conhecido por sua argúcia. Ardiloso, livra-se do ciclope Polifemo embebedando-o com vinho, ferindo seu olho e usando um simples jogo de palavras. O desempenho do ingênuo Pateta no papel do astuto mito grego, como é de se esperar, rende boas piadas. Ele sequer consegue perceber o risco que correm de ser devorados pelo monstro, chegando a oferecer-lhe um fósforo para ajudar na preparação da "comida". A salvação chega com Mickey Diomedes, sem vinho nem bebidas. Mas os quadrinistas encontraram uma maneira de referenciar a solução encontrada por Ulisses no poema: uma garrafa e um copo aparecem em destaque num canto da caverna, repare.

Nos quadrinhos, vale mencionar que o volume 5 da coleção CLÁSSICOS DA LITERATURA DISNEY foi dedicado, justamente, aos dois poemas atribuídos a Homero. Ilíada e Odisseia, porém, foram revividas pelos membros da Família Pato e num contexto histórico contemporâneo.

12
Tutancâmon
Goofy King Tut, 1979
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #1 (out/1981)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #15 (11/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

Por Planeta Gibi. Muitos episódios desta coleção começam retratando a infância das personalidades satirizadas, com Pateta aprontando das suas desde bebê. Curiosamente não é o que ocorre neste, onde o personagem surge numa fase adulta que na verdade nunca existiu, pois Tutancâmon foi coroado quando tinha cerca de 9 anos de idade e morreu ainda adolescente, por volta dos 18.

Tal recurso serve para que a HQ liberte-se do que se conhece da história para usar livremente os costumes e símbolos do Antigo Egito. Só assim podemos nos divertir com Pateta à procura de um pedreiro (Mickey) para erigir as pirâmides — que de fato já estavam prontas há muitos séculos, tanto quanto a famosa Esfinge de Gizé, mostrada aqui ainda em construção.

Aliás, finalmente ficamos sabendo porque a esfinge perdeu seu nariz: ele era uma enorme (e perecível) cenoura, como podemos constatar num dos quadrinhos! Em outro caso, aproveita-se de lacuna histórica para encaixar uma piada. E assim conhecemos, devidamente identificados com plaquinhas, os sarcófagos dos pais do faraó, apesar de o pai de Tutancâmon ter convivido com ao menos parte do reinado do filho e de sua mãe ter identidade desconhecida até hoje.

Não para por aí. Logo na abertura, o cachorro se coçando é uma referência a Anúbis, deus egípcio dos mortos, com corpo de homem e cabeça de chacal. E as pilastras com gravações absurdas são uma menção ao Templo Luxor, construído às margens do Nilo, cujos muros e colunas são mesmo repletos de inscrições — que ajudaram os estudiosos a esclarecer muitas passagens históricas do Egito, inclusive sobre a paternidade do Rei Tut (como o faraó também costuma ser chamado, por mais que isso irrite Pateta!).

Nas páginas seguintes, brincadeiras com hieróglifos (decifrados no nada prático dicionário de pedra trazido pelo conselheiro ou servindo como divisão dos quadrinhos, com escaravelhos e cruzes ansatas, mas também com torneira pingando, tubo de creme dental e até uma lâmina de barbear) e menção a objetos diversos, como a lira tocada entre os chifres de um aborrecido ruminante — remetendo, a um só tempo, à presença da música na civilização egípcia e à utilização de ossos na confecção dos instrumentos.

Espalhados aqui e ali, mais anacronismos e surrealismo, incluindo salames e linguiças sendo curados em ataduras de múmia, um camelo descendo escada, um táxi-hipopótamo, rádios, um sarcófago-geladeira... Enfim, em cada página um deleite visual.

É dito que Tutancâmon foi o único faraó que não teve seu túmulo profanado. Bem, a falta de empenho dos meliantes em descobrir sua tumba talvez se explique pela quantidade de tralhas que Pateta decidiu ali guardar!

Vale registrar que Tutancâmon e Beethoven foram as personalidades satirizadas no número de estreia da primeira coleção de Pateta Faz História lançada pela Editora Abril, em 1981. O leitor ainda levou para casa um adesivo fofinho de Pateta no papel do jovem faraó.

13
Dr. Frankenstein
Goofy Frankenstein, 1979

• Roteiro de Greg Crosby, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #5 (fev/1982)
     DISNEY ESPECIAL #165 PATETA FAZ HISTÓRIA (fev/1998)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #6 (9/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

Por Planeta Gibi. Em Pateta Dr. Frankenstein, as ousadias gráficas da série chegam ao limite. Não há uma única página que siga o modelo convencional de organização dos quadrinhos. Alguns quadros até lembram aquelas ilustrações que evocam ilusões de ótica. Repare, por exemplo, na cena do jantar, onde Pateta e Mickey sentam-se à ponta de uma mesa e, após interferência do mordomo biruta, surgem do lado oposto do mesmo móvel. Ao longo de toda a história, uma profusão de escadas e personagens trocando de lados caoticamente num mesmo cenário reforçam essa impressão distorcida.

A detalhada riqueza visual é acompanhada por um tiroteio de gags verbais, não raro produzindo tiradas inesperadas: quem não se surpreende com a reação do abusado cavalo (falante!), logo na abertura? Bem, aqui cabe uma explicação. A HQ foi roteirizada por Greg Cosby, veteraníssimo artista Disney de incontáveis tiras e páginas dominicais de jornais — ou seja, com experiência adquirida durante anos a fio na arte de pontuar uma narrativa com piadas.

Como se poderia esperar, a história nada tem de terror. Ao contrário, faz troça com os clichês do gênero a cada cena, transformando em pastelão o clima exageradamente soturno do castelo de dr. Frankenstein. E nem precisava, mas ainda somos apresentados a um mordomo para lá de maluco, que rouba a cena a cada aparição. Para completar, Pateta cria o monstro à sua imagem, o que garante ao leitor mais comédia, sobretudo pelo ar aparvalhado e por vezes infantil da enorme criatura.

A introdução brasileira produzida especialmente para a primeira vez que essa história foi publicada no Brasil, em 1982, rendeu uma piada interna. Mickey e Pateta estão no cinema aguardando o início da sessão quando notam um ser estranho atrás deles. Pateta explica que se trata de Acácio, que havia feito o papel da criatura na adaptação que estavam para assistir. Pois a citação não foi das poucas que os artistas dos Estúdios Abril fizeram com o arte-finalista Acácio Ramos, notório "figurante" das produções Disney — e não só, diga-se. Até com Luluzinha e Os Trapalhões ele chegou a contracenar.

O monstro criado por Frankenstein já apareceu várias vezes nas histórias em quadrinhos Disney, ora como o próprio, ora vivido por algum personagem famoso. Ou apenas referenciado, como na hilária HQ Falha de Comunicação, publicada em PATETA #3 (3ª série, ago/2011), onde Pateta e Horário, impressionados com uma versão de Frankenstein a que acabaram de assistir, acabam causando uma enorme confusão para se livrar de um suposto monstro criado pelo Dr. Sabe-Tudo.

E por falar nisso... A obra-prima de Mary Shelley também está associada a outro momento histórico da Disney. O último desenho animado de Mickey Mouse produzido para o cinema é uma sátira de sua criação. Indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação em 1996, Mickey e seu Cérebro em Apuros (Runaway Brain) traz nosso herói emprestando (à força) seu cérebro para um monstro criado por um certo dr. Frankenollie (brincadeira com Frank Thomas e Ollie Johnston, homens de confiança de Walt Disney). Esse cientista-macaco, a propósito, pode bem ser considerado uma adaptação do Professor Ecks, criação das tiras de Floyd Gottfredson dos anos 1930. Participam do curta, além de Pluto e Minnie, o vilão João Bafo-de-Onça — no papel da criatura. Apesar de menções a King Kong e a O Exorcista (Mickey parodia uma cena ultraclássica do filme), o ritmo é bem humorado e, sobretudo no início, faz questão de registrar a época em que se passa, exibindo jogos de videogame e até uma miniatura da nave de Star Trek. Ainda assim, é incomum o desenho ser exibido na televisão. Em home vídeo, está disponível em Disney Treasures: Mickey em Cores Vivas Volume 2, justamente fechando a cronologia das produções com o camundongo.

14
Rei Midas
King Goofy Midas, 1980

• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #3 (dez/1981)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #18 (2/dez/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

Por Planeta Gibi. Este é um dos três episódios de Pateta Faz História que satirizam eventos da mitologia greco-romana, com Ulisses e Hércules. Pateta agora é o Rei Midas — aquele que obteve de Baco, o deus do vinho, o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse.

Além de João Bafo-de-Onça, no papel de Baco, também Mickey terá presença marcante na história, como ministro do rei. Na lenda, é o pai de Baco que fica temporariamente sob os cuidados de Midas, e não uma vaca, como vemos na HQ. A substituição, claro, é providencial para garantir mais humor à trama.

Assim como em Pateta Hércules, Pateta Rei Midas inunda os quadrinhos com referências aos mitos. Sátiros, centauros, sereias, ciclopes, cavalos alados etc. surgem por todos os lados, enquanto outras figuras mitológicas são colocadas em situações inusitadas, como o Cavalo de Troia pastando nos jardins de Pateta, o Javali de Erimanto (popular no mito de Hércules) perseguindo nossos amigos, Vulcano (ou, em grego, o ferreiro Hefesto) ferrando um centauro e Hipócrates (considerado o pai da Medicina) oferecendo seus serviços.

Também brinca-se com Esopo, personagem grego ao qual se atribui a gênese da fábula mas que, ele próprio, talvez não passe de uma lenda. Um quadrinho também mostra um arremedo do calcanhar de Aquiles, com providencial curativo; noutro, destaca-se Penélope tricotando uma interminável blusa para seu constrangido Ulisses. A explicação: quando Ulisses é dado como desaparecido, o pai de Penélope determina que ela se case novamente. Fiel ao marido, compromete-se a somente acatar essa ordem quando concluísse a confecção de uma peça de roupa — que ela desmanchava em sigilo toda noite, tornando a tarefa infindável.

Outra piada que merece ser explicada é o cartaz que afirma ser Homero o autor do primeiro gol: o poeta grego teria descrito na obra A Odisseia um jogo semelhante ao handebol.

Além dessa riqueza de detalhes e citações, o leitor ainda irá se entreter com os absurdos que envolvem a guarda real de Pateta. A história já começa com dois guardas conversando discretamente — mas não tão em segundo plano — sobre o destino do cavalo de um deles. Suas indumentárias, enquanto isso, vão desde escudos de pizzas e bolos de aniversário (cujas fatias vão sumindo de um quadrinho para outro), até lanças em formato de pirulito e armaduras feitas à semelhança de satélites e cápsulas espaciais ou apetrechos de cozinha, como escorredor de macarrão e ralador de queijo.

O mito do Rei Midas, e sobretudo de seu toque, foi muito explorado nas HQs Disney. Mas uma delas é célebre e especial: foi em O Toque de Midas, de Carl Barks, que surgiu a feiticeira Maga Patalójika (dez/1961).

15
Gustave Eiffel
Goofy Eiffel, 1980
• Roteirista desconhecido, desenhos de Horacio Saavedra
• Publicações no Brasil: 
     PATETA É... EM INGLÊS #2 (dez/1989)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #5 (2/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

Por Planeta Gibi. Enquanto que Benjamin Franklin tem lugar de destaque na conquista da independência americana, Gustave Eiffel contribuiu para a construção do monumento que comemorou o centenário do evento, a Estátua da Liberdade.

E é justamente na Estátua que começa uma das mais debochadas sátiras da série. São as placas com mensagens esdrúxulas espalhadas por seu interior, Mickey escalando sua escadaria com um piano nas costas, a decisão de Pateta de construir sua torre na horizontal (com dobradiças na base, para facilitar seu posicionamento final), o ridículo destino dos únicos dois automóveis de Paris... Tudo permeado de personalidades europeias, como as aparições distintas do compositor Claude Debussy e da atriz Sarah Bernhardt — que Pateta confunde com uma garçonete e, seu chapéu, com um prato do menu do restaurante onde se encontram —, e muitas outras que são apenas mencionadas, como Guy de Maupassant, Sigmund Freud, Alexandre Dumas filho... E não seria Pablo Picasso, no meio das árvores, gritando "Vive la Paix"? Pois sim. O leitor dedicado, que prestar bastante atenção às gags visuais, à profusão de nomes célebres e aos comentários não raros egocêntricos de Eiffel, irá se divertir mais. Porém, nem o mais distraído deles deixará de notar a inventividade dos artistas desta HQ na desconcertante sequência em que Pateta e Mickey surgem em cena na horizontal, passeando pelo interior na torre deitada, em construção.

Duas outras figurinhas carimbadas Disney dão as caras aqui. João Bafo-de-Onça, como um coletor de impostos (que entra mudo e sai calado) e Clarabela (muito expressiva, até demais, deve ter achado nosso pobre protagonista), no papel da atriz.

Se a explicação de Pateta para erigir estrutura tão gigantesca, contrariando o que lhe fora solicitado, já não fosse divertida o suficiente, os autores ainda lhe reservam um desfecho impagável, em contraponto à recorrente megalomania de Eiffel, que passa toda a história se vangloriando de suas realizações.

Mickey e Pateta já estiveram juntos em algumas aventuras envolvendo a famosa torre. Em Topolino e il Caso Eiffel, produção italiana de 1989 (inédita no Brasil), nossos amigos viajam no tempo para descobrir por que a torre havia sido inicialmente projetada para ser uma nave espacial. Já em Tudo por Amor, os Metralhas roubam a Estátua da Liberdade e a Torre Eiffel para impressionar um garota (publicada em TIO PATINHAS #428, em 2001). Gustave Eiffel também é citado na HQ (também inédita aqui) Zio Paperone e il Centenario (+Uno) Bullonario, aventura que conta como foi inaugurada a torre — mas Tio Patinhas está interessado, mesmo, é num suposto tesouro escondido pelo construtor.

16
O Homem Invisível
The Invisible Goof, 1981
• Roteiro de Greg Crosby, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Horacio Saavedra
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA COMO #6 (nov/1982)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #12 (21/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. Os aspectos sombrios e violentos de O Homem Invisível, um dos livros clássicos de H. G. Wells, são substituídos neste episódio de Pateta Faz História por toda a sorte de piadas visuais e verbais que o estado de invisibilidade do protagonista consegue proporcionar.

Assim como no livro, a HQ começa em meio a uma tempestade de neve, quando uma enigmática figura chega para se hospedar numa pousada. Saberemos depois que se trata do físico Jack Griffin, vivido aqui por Pateta, cujos experimentos científicos tornaram-no total e irreversivelmente invisível.

A quantidade de brincadeiras com a condição de Pateta ainda é maior após seu encontro com Mickey (no papel de Dr. Kemp, um velho companheiro de faculdade). No livro, Griffin pede muita comida ao colega, pois está faminto. Na HQ também, contudo eles decidem fazer uma refeição num restaurante próximo, para deleite do leitor e desespero do pobre garçom. Imagine a confusão que um homem invisível pode causar numa situação dessas, ainda mais se a figura em questão for o atrapalhado Pateta!

Enquanto o Homem Invisível do livro vê no colega um possível aliado para seu plano de domínio e terror, na HQ, Pateta busca a ajuda de Mickey para recuperar sua visibilidade. A inspiração visual da HQ vem do longa-metragem O Homem Invisível (de James Whale, 1933). O filme, um dos clássicos de horror e ficção científica da Universal, fornece muitos elementos aos quadrinhos, como as características dos proprietários da pousada (notadamente o histrionismo da mulher), a indumentária de Pateta e a figura do policial, atônito com a inacreditável ocorrência. A célebre e melancólica sequência derradeira do filme, quando se pode finalmente enxergar o rosto do protagonista, é de certa forma homenageada nos quadrinhos.

Pateta Invisível foi primeiramente publicada no Brasil em 1982, numa edição extemporânea da primeira coleção dedicada a Pateta Faz História. A Editora Abril havia divulgado uma série com cinco edições mensais. Alguns meses após seu término, no entanto, resolveu lançar um volume extra, justamente contendo esta HQ e Pateta Ulisses. A então popularidade da criação de Wells certamente influenciou a decisão da editora, já que seu livro havia inspirado dois seriados americanos de televisão (The Invisible Man e Gemini Man), cujos episódios produzidos em meados da década de 1970 foram exibidos (e muito reprisados) por mais de quatro anos seguidos por emissoras brasileiras.




17
Guilherme Tell
William Goofy Tell, 1981
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     PATETA É... EM INGLÊS #1 (nov/1989)
     PATETA É... GUILHERME TELL (jun/1991)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #17 (25/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #2 (mai/2017)

Por Planeta GibiAmigo de Pateta Tell, Mickey sintetiza perfeitamente o descompromisso da HQ em se prender à lenda de Guilherme Tell quando, a poucas páginas do fim, afirma sem pudor que eles haviam chegado até ali sem nenhuma história. O leitor, no entanto, pouco se dará conta disso, já que estará entretido com, por exemplo, uma inacreditável sequência em que um cavalo tenta explicar a Mickey, por meio de gestos e quebra de palavras, onde se escondeu Pateta!

Noutra passagem inusitada, somos convidados a cantarolar a famosa e grudenta melodia de abertura da ópera Guilherme Tell, de Rossini, enquanto acompanhamos as trapalhadas de Pateta e seu amigo durante uma perseguição. O leitor não se recorda dessa música? Pois trata-se de uma peça já utilizada diversas vezes em filmes, desenhos e comerciais de televisão, sobretudo em faroestes ou cenas cômicas, quando é executada de forma irreverente. Para ficar só no mundo disneyano, basta lembrar que é a Abertura de Guilherme Tell o pano de fundo de um dos mais festejados curtas da História, Mickey Maestro (The Band Concert, 1935). Nesse cartoon, o primeiro totalmente colorido da Disney, Donald rouba a cena ao atrapalhar a execução da música pela banda conduzida por Mickey.

Voltando à HQ, ao se aproximar de seu clímax, finalmente o leitor terá contato com a história do arqueiro. Primeiro, com a detenção de Pateta, que se recusa a reverenciar um símbolo de poder do governador Bafonf no vilarejo de Altdorf — algo semelhante ocorreu com Guilherme Tell, reza a lenda.

Depois, claro, com a pena que lhe é arrogada: a célebre cena da maçã. E aí entrará Mickey (ou melhor, sua cabeça!). Na história, registrada notavelmente pelo poeta e historiador alemão Friedrich Schiller, Tell é obrigado a disparar sua flecha contra a maçã depositada sobre a cabeça de seu próprio filho.

Por fim, como não deveria deixar de ser, o bom humor impera: Pateta e Mickey, inspirando-se na maçã espetada, abrem um negócio bem lucrativo e se livram dos seus tormentos financeiros.

A propósito de Friedrich Schiller, vale destacar que influenciou tanto quanto Goethe a Alemanha do século XVIII. Talvez por isso, a tradução alemã de Pateta Tell acabou substituindo diversas falas dos personagens por frases do livro de Schiller. Esse recurso soaria bem estranho se fosse vertido para nossa língua. A versão publicada pela Abril buscou seguir o mais fielmente possível o texto original em inglês, ainda que os arquivos restaurados para a publicação da coleção semanal brasileira de 2011 tenham sido obtidos com a Alemanha, que compilou a série completa pela primeira vez no mundo.

18
Benjamin Franklin
Goofy Franklin, 1982
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA É... EM INGLÊS #4 (abr/1990)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #5 (2/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. Este episódio inaugura a nova fase da série. Os 17 anteriores, mais Mickey Aladim (produzido em 1981, mas só publicado cinco anos depois), exibem três tiras por página, em layouts engenhosos que dão grande destaque às gags visuais e há, não raro, um desprendimento quase total dos eventos satirizados. 

De Franklin a Goethe, as histórias seriam contadas em quatro tiras por página, focando mais nos fatos históricos e literários, concentrando as piadas mais nos textos do que nos cenários. Vale ressaltar que alguns episódios somente chegaram aos leitores anos após terem sido produzidos.

No final da década de 1980, a Editora Abril lançou uma série especial com Pateta Faz História. Em formatão e acabamento de luxo, cada um de seus quatro números trouxe uma aventura inédita e... em inglês! Naquele ano de 1989, havia demanda por quadrinhos assim, para uso no aprimoramento do aprendizado da língua. Então, edições especiais em inglês de PATO DONALD, MICKEY, TIO PATINHAS e MARGARIDA foram lançadas. No ano seguinte, a ideia acabou virando um título mensal, onde até METRALHAS e PROF. PARDAL, por exemplo, acabaram intitulando edições.

Este episódio da série estreou no Brasil justamente naquela coleção. E só ganhou sua versão colorida em português na coleção semanal de 2011. 

Pateta Benjamin Franklin traz uma das maiores curiosidades da série. Com exceção de sua longa introdução (bem ao gosto de seus criadores, mostrando as hilárias desventuras da família Pateta às voltas com a infância e adolescência do personagem principal), o restante da história traz claras referências ao míni clássico animado Ben e Eu, produzido pela Disney em 1953 (com direção do lendário Hamilton Luske, de A Dama e o Vagabundo, 101 Dálmatas e Donald no País da Matemágica, entre muitos outros). Alguns quadrinhos chegam a reproduzir fotogramas da animação, como aqueles que mostram o povo nas ruas e nas janelas lendo o jornal impresso por Franklin, seu desembarque no retorno da Inglaterra e a leitura da Declaração da Independência dos Estados Unidos.

E não só. Em Ben e Eu, um ratinho chamado Amos (uma réplica de Zezé, do clássico Cinderela, lançado três anos antes) desempenha papel essencial nas descobertas de Franklin — aqui, é inevitável o paralelo com Ratatouille, genial animação da Pixar, de 2007. E se Amos sofre como eventual cobaia do cientista em seus experimentos, em especial nos que envolvem eletricidade, nos quadrinhos é Mickey quem, novamente, serve de escada para as maluquices de Pateta. Ben e Eu ganhou duas adaptações para os quadrinhos. A primeira, para as páginas dominicais de jornais, saiu no mesmo ano que a animação. Essa versão, com roteiro de Frank Reilly, desenhos de Manuel Gonzales e arte final de Dick Moores, foi publicada aqui pela última vez em ALMANAQUE DISNEY #104, em 1980. Em 1954, o co-criador de Peninha, Ronrom, Urtigão e Cão, o desenhista Al Hubbard, ilustrou o roteiro de Del Connell, numa versão expandida e mais arejada (inédita no Brasil).

Pateta Benjamin Franklin traz outros dois ilustres personagens Disney: João Bafo-de-Onça, que aparece em apenas três quadrinhos, sem muita importância, e Clarabela, que entra na trama em grande estilo, no papel de Betsy Ross, célebre nos Estados Unidos por ter sido a primeira pessoa a costurar a bandeira americana. Apesar de curta, a passagem de Clarabela é importante: é dela a linha do papagaio usado por Franklin na notável experiência com descargas elétricas.

Aliás, tão notável que por diversas vezes foi mencionada nos quadrinhos Disney. Em Donald Fala Sobre Pipas, por exemplo, Carl Barks reforça a recomendação de nunca empinar papagaio na chuva ou entre os fios, esclarecendo que Franklin teve muita sorte de não ter sido eletrocutado em seu experimento. A história foi produzida especialmente para uma empresa de energia elétrica americana, com distribuição gratuita em 1954. No Brasil, essa raridade saiu em O MELHOR DA DISNEY #37 (2008) e COLEÇÃO CARL BARKS DEFINITIVA #15 (2017).

Outra HQ interessante é O Relógio do Tempo, onde Mickey viaja ao passado com Jeremias, tio do Pateta, e chega a conversar com o próprio Benjamin Franklin. Com roteiro de Bill Walsh e desenhos do mestre Floyd Gottfredson, a história saiu em tiras nos jornais americanos entre 1951 e 52, sendo compilada em seguida e publicada no Brasil em O PATO DONALD #86 a 88 (1953).

19
O Médico e o Monstro
Dr. Jekyll and Mr. Hydrangea, 1983
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA É... EM INGLÊS #3 (fev/1990)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #18 (2/dez/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. Se um Pateta já é suficiente para inundar de bom humor uma sátira, não é difícil imaginar o que podemos esperar de uma HQ onde o personagem manifesta dupla personalidade, cada qual ignorando as ações da outra.

Nada de monstro, aqui. Toda vez que o dr. Pateta Jekyll bebe (inadvertidamente) a poção que preparou para reanimar uma plantinha, desaparece sua personalidade contida e séria (mas ainda assim bem atrapalhada) e em seu lugar surge um tipo festeiro e dado a travessuras.

A sátira a O Médico e o Monstro, livro de Robert Louis Stevenson (autor do igualmente best seller A Ilha do Tesouro), transfere a trama do século XIX para tempos menos antigos, onde um transmutado Pateta rouba a cena na pista de dança e chega a atuar como um John Travolta em plenos Embalos de Sábado à Noite, filme musical de 1977 que arrasou nas bilheterias e desencadeou a febre das discotecas pelo mundo.

Mas a história continua ambientada em Londres — possibilitando uma das maiores traquinagens de Pateta nesta coleção, em plena torre do Big Ben. 

Dos personagens habituais desses episódios, mais uma vez comparecem Mickey e Clarabela. A surpresa fica por conta de Minnie, numa raríssima aparição nesta série. Mas sobra pouco espaço para esses coadjuvantes, já que Pateta e suas duas personalidades distintas ainda terão a companhia da tal planta, que ficará, digamos, bem soltinha depois de experimentar os efeitos da poção — há um jogo de palavras intraduzível: no original em inglês, a flor é uma hydrangea (hortênsia), palavra cujo início pronuncia-se da mesma forma que "Hyde", numa alusão ao título original do livro, Dr Jekyll and Mr Hide.

As usuais citações a outras obras aguçam a curiosidade do leitor desta série. Aqui, Pateta diz que uma vez viu no cinema um cara subir as escadas dançando. Ele está se referindo ao filme A Mascote do Regimento, estrelado pela míni-atriz prodígio Shirley Temple em 1935. A cena clássica é protagonizada pelo ator e sapateador Bill "Bojangles" Robinson.

Não é a primeira vez que Pateta é acometido pelo fenômeno da múltipla personalidade, a propósito. No curta-metragem clássico Motor Mania, de 1950, a índole inocente e paciente do personagem transfigura-se alucinadamente tão logo ele se coloca atrás do volante de um automóvel, numa engraçada e incisiva crítica à postura agressiva adotada às vezes por motoristas — tema ainda bem atual, forçoso notar.

Quanto aos quadrinhos, é difícil apontar criação mais popular inspirada nessa ideia de Stevenson do que o dr. Bruce Banner e seu lado monstro, o Incrível Hulk, surgido em 1962 nos gibis Marvel, pelas mãos dos geniais Jack Kirby e Stan Lee.

20
Hércules
Goofy Hercules, 1983
• Roteiro de Cal Howard & Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #181 (jun/1986)
     DISNEY ESPECIAL #151 CINE AVENTURAS (set/1995)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #13 (28/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. Pateta Hércules é o filho de Zeus, deus soberano do Olimpo, com Alcmena, uma simples mortal. Nessa condição, tem força extraordinária e posição de herói. Mas é vulnerável.

Hera, a esposa de Zeus por ocasião do nascimento do menino, é a deusa do casamento e da fidelidade. Como tal, execra relacionamentos extraconjugais e, sobretudo, repudia os filhos ilegítimos do marido. Vivida por Clarabela, num inusitado papel vilanesco, Hera submete seu desafeto ao cumprimento de tarefas impossíveis — os célebres Doze Trabalhos, nos quais a HQ basicamente se concentra.

Pateta pensa que ao cumpri-los estará redimido de uma falta supostamente grave que cometera. Clarabela, no entanto, tenciona destruí-lo com tais tarefas.

A história brinca com o mito e substitui boa parte das lendárias tarefas por outras, absurdas e divertidas, como o uso invertido da máxima popular “não queira atravessar a ponte antes de chegar nela” (algo como “não sofra por antecipação”). Pois Pateta terá que descobrir justamente como fazer isso (e o leitor verá que ele sabiamente conseguirá).

Também faz piada com a confusão normalmente causada pelo uso misturado das terminologias gregas e latinas: utiliza-se aqui a nomenclatura romana do herói (que em grego chama-se Héracles), mas sua “madastra” e seu pai são chamados pelos nomes gregos. Isso renderá uma piada em dado momento da história, quando se chama a atenção para o uso indevido do nome Júpiter (o equivalente romano para Zeus).

As páginas são coalhadas de referências mitológicas. Algumas óbvias, como o cavalo alado Pégaso, outras nem tanto, como o soldado dormindo nos braços da estátua de Morfeu (deus grego do sonho) e a escolha acertada de Clarabela para o papel de Hera (a vaca era um animal sagrado para a deusa).

Algumas menções, no entanto, são mais eruditas. Repare que num canto do primeiro quadro da 5ª página da HQ temos o filósofo grego Diógenes de Sínope, instalado em seu barril e com sua lanterna acesa (tudo como reza a lenda), vociferando contra Aquiles.

Hércules também foi tema do 35º Clássico Disney, dirigido por John Musker e Ron Clements — a dupla responsável por A Pequena Sereia, o longa que recolocou as animações Disney nos trilhos do sucesso. Hércules estreou em 1997 e gerou um seriado para a televisão que durou 65 episódios, além de ter uma continuação lançada diretamente em vídeo, em 1999.

Nos quadrinhos Disney, merecem destaque as paródias Zércules (publicadas em três edições de ZÉ CARIOCA, em 1996, e republicada na íntegra em ZÉ CARIOCA #2423, em 2016) e Os Doze Trabalhos do Morcego Vermelho, uma saga de quase 60 páginas produzida pela dupla brasileira Ivan Saidenberg e Carlos Edgard Herrero para a EDIÇÃO EXTRA #72 (1976), com republicações em Portugal, França, Itália e na própria Grécia, além de figurar em DISNEY DE LUXO #11 INICIATIVA SUPER-HERÓIS (2016).

21
Ascensão e Queda do Império Romano
The Rise and Fall of the Roman Empire, 1983
• Roteiro de Tom Yakutis, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #344 (jan/2002)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #12 (21/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. Neste episódio, Pateta vive o historiador inglês Edward Gibbon, que de 1776 a 1788 publicou os seis volumes de A História do Declínio e Queda do Império Romano. De cara, o notório rigor que Gibbon dedicou ao apuro de informações para sua obra é destroçado por Edu Pateta Gibão, que decide escrever sobre a Antiguidade e, após declaração empolada, rabisca meia página em menos de cinco minutos! Pateta Gibão demonstra absurdamente que o expansionismo romano foi motivado pela busca de um cardápio decente. Assim, a cada conquista o leitor é apresentado a pratos dos mais exóticos, como cinto de couro azedo e doce de orelha de tatu.

Figuras mitológicas e históricas vão se enfileirando, partindo da lenda do Cavalo de Troia, vivida por Eneias, ascendente dos gêmeos Rômulo e Remo — criados por uma loba quando bebês; Rômulo, mais tarde, fundaria Roma. 

No terreno mais firme da História, a HQ relata ligeiramente a invasão dos povos germânicos e dos hunos, que acabou por acelerar a decadência do Império Romano do Ocidente, tomando Roma e determinando a transferência da capital do Império para Constantinopla.

Chegamos, portanto, ao marco inicial da Idade Média. Pateta, agora como o imperador bizantino Justiniano I, decide que não mais correrão riscos na busca de um menu perfeito, e passa a enviar mercadores e embaixadores mundo afora nessa tarefa.

Um novo salto temporal e estamos na Idade Moderna, de volta à Europa. A HQ revisita alguns personagens já vividos na série, atribuindo-lhes novas piadas e a responsabilidade, afinal, por uma comida palatável. Assim, Marco Polo (agora encarnado por Pateta) traz o macarrão da China, enquanto que Pateta Colombo providencia os tomates para o molho. Já Pateta da Vinci incrementa com a salada e a pasta de anchovas. 

Também curiosa é a piada recorrente com a palavra “eureka”, atribuída ao grego Arquimedes: o roteirista, americano, certamente brinca com o fato de haver, somente nos Estados Unidos, uma dezena de cidades com esse nome.

À parte raríssimas exceções, todos os personagens da HQ são clones de Pateta, causando o efeito similar a que nos acostumamos ver nos cartoons clássicos do personagem, um recurso usado para reforçar a imagem de mentalidade e ideais comuns a um mesmo grupo.

22
Louis Pasteur
Goofy Pasteur, 1984
• Roteiro de Tom Yakutis, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #341 (jul/2001)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #7 (16/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. Em 1888, foi inaugurado em Paris um instituto batizado com o sobrenome de seu diretor-fundador, o prestigiado cientista Louis Pasteur, então sexagenário. E é nesse evento que começa e termina este episódio, que utiliza o recurso do flashback para relatar as dificuldades enfrentadas por Pateta Pasteur para provar e por em prática suas teorias, sobretudo aquelas ligadas aos micro-organismos.

Desta vez, a participação de Mickey é tímida e limitada ao tal evento, onde atua como um repórter e ajuda Pateta a entender a grandiosidade de sua própria obra. A aparição de outras figuras Disney na história são apenas sugeridas, como num arremedo de Prof. Pardal na plateia da página 5 e no boneco que lembra o Tio Patinhas (ou seria o Prof. Ludovico?). Além disso, nosso protagonista menino surge vestido com o uniforme de marinheiro típico de Donald. Do lado do mal, uma misteriosa mistura de Mancha Negra com Dr.Tictac (vilão de Superpateta criado por Bob Ogle e Paul Murry) leva Pateta ao confronto com um tal de Napoleão 14 (que se parece mesmo é com Porcolino).

As descobertas científicas de Pasteur são todas envolvidas por exageros absurdos na HQ. Para se ter uma ideia, Pateta tenciona incendiar Paris inteira para conseguir pasteurizar os 2 milhões de litros de leite que são consumidos na cidade. Quando se põe a investigar a causa do mal que aflige os bichos da seda, enrola-se em esparadrapos a passa a se comportar como um dos vermes. E no teste de vacinação contra a raiva, inverte-se a realidade e Pateta põe-se a perseguir o garoto pestinha que teria mordido o cachorro.

Os elementos comuns dos episódios de Pateta Faz História se fazem presentes. As piadinhas de fundo têm bons momentos, como na cena do sujeito fugindo com a Torre Eiffel numa carroça. Dentre as figuras históricas citadas temos Edward Jenner, conhecido como o criador da vacina contra a varíola, e Hipócrates, o pai da Medicina — que tem seu célebre juramento resumido a uma frase estapafúrdia. Já o recurso da metalinguagem aparece quando Pateta explicita ao leitor que as cenas de violência estão sendo substituídas por elementos simbólicos — como o uso de uma flor no lugar de uma arma de fogo. Há ainda tiradas impagáveis, como a sequência que mostra os seis tipos mais comuns de pacientes e a gag com a mulher que implora ajuda ao dr. Pateta Pasteur, que retruca com um lacônico "sinto muito, mas não faço cirurgia plástica"!

Tom Yakutis (1929-2002) escreveu este roteiro e os de outras três HQs da série. Antes de se dedicar aos quadrinhos Disney, Yakutis participou de diversas produções dos estúdios Hanna-Barbera, como Os Jetsons, Tom & Jerry, Os Flintstones e Superamigos, além de trabalhar com animações da Pantera Cor-de-Rosa e de Charlie Brown. Na Disney, merecem destaque suas centenas de tiras com Banzé e algumas HQs com Prof. Ludovico e para a série Professor Pateta.

23
Genghis Khan
Genghis Goof, 1984
• Roteiro de Tom Yakutis, desenhos de Anibal Uzál
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #199 (dez/1987)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #16 (18/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. Neste episódio, temos Mickey no papel de Guilherme de Rubruck. Esse monge e explorador flamengo partiu em expedição determinada pelo rei Luís IX, como mencionado na HQ, até o centro da Mongólia.

Mickey lá encontra Pateta Genghis Khan contando para uma plateia domesticada como havia se tornado o grande e temido conquistador. Trata-se de mais uma licença poética desta coleção, pois quando Rubruck alcançou seu destino, duas décadas haviam se passado desde a morte do mongol.

Boa parte da HQ é dedicada à determinação de Pateta em domar um cavalo, necessário para levá-lo às terras onde pretendia iniciar suas conquistas. A História conta que Genghis Khan, ainda muito jovem, de fato só conseguiu partir de sua aldeia (após inúmeras tentativas malogradas de fuga) quando recebeu um animal assim. Foi então que pode se reencontrar com sua noiva, Borte — que tem o nome citado no primeiro quadro da página 16.

A sequência cômica com Pateta e o cavalo remete ao Clássico Disney de 1942 que revelou Zé Carioca ao mundo: em Alô Amigos, o episódio O Gaúcho Pateta mostra nosso protagonista nos pampas argentinos às voltas com um cavalo folgado.

Nos quadrinhos, Pateta inicia seu exército após recrutar apenas dois homens. Trata-se de uma referência à aliança que Temudjin fez, ainda adolescente, com dois amigos com a intenção de resgatar Borte, sequestrada logo após seu casamento.

Após reavê-la, o guerreiro vai até uma montanha sagrada pedir ao deus do trovão que lhe ajude a unificar os povos mongóis — que temiam os raios. Na batalha decisiva, conta-se que os inimigos viram Temudjin refletido nos raios da tempestade que se avizinhava e finalmente se renderam. A HQ faz alusão a esse episódio mostrando que Pateta e sua família chegam até a usar trovões em casa, sem receios.

Curioso é mostrar o Japão como o paraíso dos brinquedos. É lá que Mickey busca um objeto específico para deter a sanha expansionista de Pateta Genghis Khan. Não podemos nos esquecer de que esta história foi produzida nos anos 1980, quando de fato o Japão era a meca da produção de brinquedos e eletrônicos. Hoje, certamente, o roteirista teria que buscar outro desfecho, pois é justamente a China que ocupa essa posição no mundo, e ela já havia sido conquistada pelo mongol.

24
Arquimedes
Goofy Archimedes, 1984
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     ALMANAQUE DISNEY #372 (jul/2005)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #13 (28/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #3 (ago/2017)

Por Planeta Gibi. A história que abre esta edição é dividida em duas partes. Na primeira, conhecemos a infância de Pateta Arquimedes, sua viagem de estudos para Alexandria e a origem de algumas de suas invenções geniais.

Para fazer graça, algumas coisas não saem bem como o esperado e Pateta é obrigado a retornar à sua terra natal, Siracusa. Nessa segunda parte, ficamos conhecendo um pouco mais da genialidade do grego e, claro, não poderia faltar, o surgimento da interjeição "eureka".

Mickey, ou "Mikímedes", faz o papel de Heráclides, o amigo do matemático que escreveu sua biografia — trabalho esse dado como desaparecido. João Bafo-de-Onça vive o faraó Ptolomeu II Filadelfo, para quem Pateta demonstra algumas de suas mais célebres invenções, como o parafuso hidráulico e a alavanca.

Na verdade, ambos os dispositivos surgiram para atender às necessidades do Rei Hierão II (de Siracusa, e eventualmente apontado como parente do matemático). Não há registro de encontro do faraó com Arquimedes, mas a HQ não perde a chance de brincar com essa possibilidade.

Assim, Pateta acaba expulso do Egito quando, ao mostrar a funcionalidade da alavanca, acaba por jogar a Esfinge no Rio Nilo — numa sequência onde profere uma de suas máximas mais famosas (adaptada à cena), "deem-me um ponto de apoio e moverei a Terra”. Já a interjeição "eureka" (do grego, "encontrei") é usada nos quadrinhos quando o protagonista percebe que um de seus "brinquedos", a catapulta, será útil para deter o ataque da frota romana sob comando do General Marcelus.

Pateta ainda guarda uma surpresa para os inimigos, um sistema de espelhos capaz de refletir a luz do Sol e incendiar os navios. Há relatos da efetividade dessa engenhoca criada pelo grego, mas não necessariamente atrelados àquela ofensiva romana, diferentemente do uso da catapulta: sua utilização contra os homens de Marcelus foi assim semelhantemente narrada pelo filósofo Plutarco.

O legado de Arquimedes é homenageado e sintetizado na HQ, de certa forma, quando seu pai exclama que o menino tinha inventado algo que só surgiria dali a 1800 anos. O telescópio, no caso. A citação é emblemática porque a obra do grego contribuiu sobremaneira com a ciência moderna, tendo influenciado notadamente Galileu Galilei, entre muitos outros. Galileu foi o primeiro a fazer uso científico do telescópio e, dentre seus escritos, há um estudo sobre a mecânica dos corpos na água que foi baseado em trabalho arquimediano.

Arquimedes batizou ao menos dois personagens Disney. O Prof. Pardal, na Itália, leva o nome desse gênio da Antiguidade, por razão óbvia e homenagem justa. Menos famosa, a coruja do Mago Merlin no 18º Clássico Disney, A Espada Era a Lei, também é chamada (internacionalmente, exceto na Itália) pela alcunha do grego.

Pateta Arquimedes foi a última HQ da série a ser publicada no Brasil antes do início da coleção semanal de 2011: em julho de 2005 foi o destaque de ALMANAQUE DISNEY #372 — o mais recente número publicado do tradicionalíssimo gibi.




25
Nas Viagens de Vasco da Gama
The Lusiads, 1985
• Roteiro de Tom Yakutis, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil: 
     PATETA FAZ HISTÓRIA #3 (19/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Por Planeta Gibi. Esta HQ coloca os navegadores Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral juntos com o poeta Luís de Camões no mesmo barco, literalmente. E aqui temos uma das poucas aventuras da série onde Pateta não é o intérprete do personagem-título. Único astro Disney da trama, a ele cabe o papel de Bartolomeu Dias (ainda que isso fique apenas subentendido), o primeiro europeu a dobrar o Cabo da Boa Esperança e, por essa experiência, o escolhido para seguir à frente da esquadra capitaneada por Vasco da Gama, cujo destino era alcançar a Índia.

Cabral, apesar de ter sido contemporâneo de Vasco da Gama, traçou caminho bem diferente, como sabemos. E isso renderá uma boa piada em nossa história. Já Camões, consta que tenha nascido justamente no ano da morte do navegante, mas sua obra maior, Os Lusíadas, enaltece os feitos do povo português ao abordar, em sua maior parte, essa expedição — que inaugurou a rota comercial até o subcontinente indiano.

No estilo peculiar da série, às piadas somam-se fatos realmente ocorridos, como na passagem em que nossos heróis aportam numa cidade da costa leste africana e são maliciosamente orientados a seguir para outro ponto, onde seriam acossados pelos árabes hostis.

O maior temor dos navegadores da época era a possibilidade de se deparar com monstros (que hoje bem sabemos serem lendas) e com as “cataratas do fim do mundo” (como brilhantemente ilustradas em Pateta Cristóvão Colombo). Pateta faz galhofa quando nossos heróis são engolidos com navio e tudo por uma dessas aberrações: livra-se dela citando explicitamente Pinóquio — que só seria escrito quase 400 anos depois.

Inédito no Brasil até a coleção semanal de 2011, uma curiosidade envolve este episódio. O gibi ZÉ CARIOCA ESPECIAL BRASIL 500 ANOS, de mar/2000, utilizou dois de seus quadros: o castelo da página de abertura e a primeira tira da página 61 (com Pateta sendo devidamente substituído pelo papagaio). A HQ brasileira foi republicada na íntegra em ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA #17 (2ª série, 2013).

26
Aníbal
Goofy Hannibal, 1985
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #10 (7/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Por Planeta Gibi. Pateta Aníbal começa mostrando os truques de um dos maiores estrategistas militares da História, como a formação de tropas que envolvia e surpreendia os inimigos e o uso de elefantes de guerra para intimidar e avançar sobre os oponentes.

Mais divertida do que soberba, a falta de modéstia de Pateta acaba revelando ser seu ponto fraco. Mas seu maior inimigo, o bárbaro Bafo-de-Onça, consegue aniquilar sua auto-confiança e Pateta acaba resignando-se a uma posição de bobo-da-corte. Tanto é que decide se apresentar como palhaço, acompanhado de seus elefantes, no Circo Máximo de Roma. De fato, o general cartaginês era bem convencido de suas qualidades, admiradas até por seus oponentes, que buscavam copiar suas estratégias de guerra, inclusive para tentar vencê-lo. Mas ele nunca cogitou, claro, de se apresentar como palhaço no Circo Máximo. A arena, próxima ao Coliseu, foi realmente gigantesca, capaz de comportar um público de 250 mil pessoas, sendo por séculos o principal espaço de eventos e diversão em Roma — hoje, suas ruínas são uma espécie de agradável e extenso espaço público descampado.

A ideia de surpreender Roma invadindo a Itália pelo norte, a partir da atual Espanha e cordilheiras de Pirineus e Alpes foi, provavelmente, o maior feito bélico de Aníbal. Muitos de seus homens, cavalos e elefantes (sim, de fato eles o acompanharam até lá) não resistiram às condições climáticas e à fome, mas Aníbal avançou impávido sobre várias cidades da atual Itália. Só decidiu não alcançar Roma e retornou. Na HQ, esse episódio é devidamente registrado. Porém, Pateta e Mickey desviam-se para o norte não por estratégia, mas por conta de cilada bem preparada por seus inimigos.

Ainda que na HQ Aníbal seja mostrado como um herói lutando contra hordas de bárbaros e ladrões, na verdade o general travou disputas contra Roma por motivos bem mais mundanos, como a hegemonia do comércio no Mar Mediterrâneo. Aníbal liderou aquela que é considerada a mais sangrenta batalha da Antiguidade, onde massacrou dezenas de milhares de oponentes usando táticas até hoje estudadas em escolas militares mundo afora. Pateta Aníbal, como é de se esperar de uma sátira histórica, envolve tudo com humor e pastelão, sobretudo nas muitas cenas centradas em Bafo e sua atrapalhada e não muito fiel gangue.

O quadro cômico é completado por Pateta dando um nó na História, ao mencionar seu tio Xenofonte esquiando na Armênia. Bem, o grego Xenofonte, soldado, mercenário e discípulo de Sócrates de fato avançou sobre as terras dos armênios, mas ele viveu mais de um século antes de Aníbal. Já o esqui nas geladas montanhas da Armênia é um dos pontos altos de seus esportes de inverno — mas é improvável que fosse praticado desde a Antiguidade!

27
Isaac Newton
Sir Goofy Newton, 1985
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #1 (12/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Por Marcelo Alencar. O modo entusiasmado como os leitores de diversos países acolheram as primeiras HQs da série Pateta Faz História estimulou a Disney a investir nessa fórmula por mais tempo. Esta homenagem a Isaac Newton (publicada pela primeira vez no Brasil no primeiro volume da coleção semanal de 2011) é fruto de um segundo lote de aventuras, produzido nos anos 1980.

Uma das características estéticas que diferenciam as duas fases refere-se ao número de tiras por página. A história estrelada por Leonardo da Vinci, por exemplo, é da década anterior e apresenta três tiras de quadrinhos por prancha — enquanto a narrativa sobre o pai da Lei da Gravidade tem quatro.

Também há menos experimentações gráficas no roteiro de Carl Fallberg (1915-1996), quadrinista americano que construiu uma sólida carreira com base em tramas policiais da dupla Mickey e Pateta, sempre desenhadas por Paul Murry e publicadas originalmente na revista WALT DISNEY'S COMICS AND STORIES, em especial nos anos 1950 e 1960.

Mas as gags bem construídas, que evidenciam muita pesquisa e uma inegável familiaridade com a linguagem dos quadrinhos, compensam o — digamos assim — conservadorismo visual. Aqui vemos o Pateta bonachão, ingênuo e distraído de sempre emprestando muito humor a uma biografia que, nos livros de referência, destaca-se pela sisudez e por certa melancolia, características comumente associadas a pesquisadores que, tal qual Newton, dedicaram sua existência aos estudos. João Bafo-de-Onça representa o lado reacionário da trama, personificando o pensamento retrógrado daqueles que se opuseram às descobertas de Newton.

28
Casanova
Goofy Casanova, 1986
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #8 (23/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Por Planeta Gibi. Pateta Casanova pode ser apreciada de muitas maneiras. Primeiro, há que se destacar os cenários espetaculares da HQ. A cidade de Veneza é minuciosamente retratada em sua arquitetura, suas pontes, canais e gôndolas. Depois, em Paris, além de poder apreciar as belas cenas externas, o leitor é convidado a conhecer o Palácio de Versalhes, com seus lustres, mobílias e adornos desenhados numa profusão de detalhes.

Inseridos no clima romântico e nostálgico propiciado pela arte, mergulhamos tranquilamente na trama, não menos interessante. Daí surge um Casanova mais galanteador do que mulherengo — bem mais apropriado para um episódio de Pateta Faz História, claro.

E vão se enumerando suas "qualidades": bon-vivant, cara-de-pau, aproveitador, folgado... Tudo regado abundantemente com o bom humor característico da série, desta vez mais leve do que de costume. Pateta Casanova não hesita em usar de seu charme (com as mulheres) e lábia (com os homens) para conseguir tudo o que quer — hospedar-se no melhor quarto de um hotel de luxo sem ter posses para isso, por exemplo. Malandro e presunçoso, toma "emprestadas" gôndolas e carruagens, acreditando que seus donos ficarão lisonjeados ao saber que Casanova fez uso delas.

Um predicado frequentemente associado a Giacomo Casanova é veementemente repudiado por Pateta, porém: o de espião. E aí começam as similaridades entre a figura histórica e o nosso personagem. Assim como Giacomo, Pateta também ganhou uma fortuna num momento para, no instante seguinte, ver-se apenas com a roupa do corpo (pior: fugindo de um forçado compromisso conjugal). Além de exímios espadachins, um conhecido vício também foi comum a eles: Giacomo amealhou fortunas jogando; Pateta também — e aproveitou para pagar o tal hotel chique em que se hospedara. E ambos cruzaram com o Rei Luís XV e Madame Pompadour (vivida na HQ por Clarabela, que foi confidente de Pateta Casanova e acabou por salvar-lhe o pescoço, literalmente). Finalmente, nossos casanovas tiveram a oportunidade de mostrar seus talentos para a literatura: Giacomo, com sua autobiografia História de Minha Vida; Pateta, com seu Manual Pateta Casanova de Piadas, Brincadeiras, Gracinhas, Trapaças, Anedotas, Gracejos, Gozações e Outras Coisas Engraçadas.

Outra figura conhecida na HQ é Mickey, agora como um turista em Veneza, espantado com o caótico trânsito de gôndolas, levadas em altíssima velocidade como se fossem lanchas, porém movidas a remo, o que resulta em boas piadas visuais. Mickey enreda-se nas confusões de Pateta e acaba por segui-lo até o final, acompanhando suas peripécias enquanto fogem da polícia.

29
Robinson Crusoé
Goofy Crusoe, 1986
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #17 (25/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Por Planeta Gibi. Uma passagem das aventuras de Robinson Crusoé é comumente deixada de lado nas adaptações brasileiras da obra mais popular de Daniel Defoe. Trata-se da perseguição e ataque de um navio pirata à embarcação que conduzia Crusoé a Guiné, na África.

No texto original, os vilões superam e escravizam os comerciantes ingleses — e Robinson permanece em cativeiro por cerca de dois anos, antes de fugir e se estabelecer no Brasil, de onde partiria anos depois para o naufrágio que acabaria por mantê-lo isolado por décadas numa ilha da América Central.

Pois esta HQ tem início justamente no embate entre a nau capitaneada por Pateta Crusoé, tendo Mickey como segundo oficial, e o navio pirata do temido Bafo Barba Negra. A sequência, porém, nada tem de dramática. O que o leitor vai encarar é um pastelão bastante inspirado, onde o timoneiro de Bafo nem sequer sabe distinguir bombordo de estibordo (com consequências hilariantes) e toda a tripulação de Pateta e Mickey abandona o barco, literalmente, para fugir das trapalhadas do capitão.

Aliás, se perguntassem a Mickey quem seria a última pessoa com quem ele iria querer ficar numa ilha deserta, ele responderia Pateta Crusoé! Uma vez na ilha, entendemos o que o camundongo faz por lá: ele seria o espírito empreendedor do Crusoé original, já que Pateta só pensa em comer e dormir.

Mas os quadrinistas foram mais criativos e ofereceram solução melhor que essa. Uma reviravolta ocorre quando Pateta é atingido por um coco e sofre amnésia. Sua confusão mental acaba explicando de forma bem divertida a presença de Mickey por lá (no livro, Crusoé só ganharia um acompanhante após muitos e solitários anos na ilha), além de promover sequências impagáveis, como o desdém com que Pateta trata o retrato de sua própria mãe e seu comportamento despótico sobre Mickey — nesse ponto, a HQ novamente evoca o livro: pois Robinson Crusoé não tratava mesmo o índio Sexta-Feira mais como um serviçal do que como um companheiro?

Também vem do texto original a porção final da história, com a ilha sendo invadida por navegadores hostis, que acabam subjugados por Pateta Crusoé. Nessa empreitada ele terá auxílio, porém, de uma personagem inesperada, novamente surpreendendo o leitor nesta que é, seguramente, uma das sátiras mais bem resolvidas desta série — o que não é pouco, em se tratando de Pateta Faz História.

Robinson Crusoé, o livro, teve sucesso tão retumbante e duradouro que, só em produções Disney, poderíamos discorrer por páginas sobre sua influência. Exemplifiquemos com três delas. Em 1935, o próprio Mickey viveu o inglês no curta Mickey's Man Friday, animação a cargo de Dave Hand (que dirigiria, em seguida, nada menos que o primeiro longa animado da História, Branca de Neve e os Sete Anões).

Décadas depois, em 1960, a Disney lançou um de seus filmes live-action mais lucrativos, A Família Robinson Suíça. Filmado numa ilha do Caribe, o longa ainda derivou uma das mais populares atrações dos parques Disney, tanto nos EUA como no Japão e na França: a casa dos Robinson sobre a árvore.

Nos quadrinhos, Robinzé Crusoé foi a primeira série Disney produzida no Brasil. Desenhada por Carlos Edgard Herrero, seus 6 episódios foram publicados em 1970. Nela, Zé Carioca é deixado numa ilha onde passa a conviver com o nativo Segunda-Feira.

30
O Gênio de Aladim
Mickey Aladdin, out/1986
• Roteiro de Cal Howard, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil: 
     ALMANAQUE DISNEY #185 (out/1986)
     DISNEY ESPECIAL #130 OS GÊNIOS (nov/1991)
     PATETA FAZ HISTÓRIA #19 (9/dez/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Por Planeta Gibi. O código editorial deste episódio indica que ele teria sido produzido em 1981. O Brasil foi o primeiro país a publicá-lo, em out/1986. 

Aladim é um caso especial dentro da série Pateta Faz História. Mickey já havia sido o personagem título de Marco Polo. Mas, ainda assim, ali ele era mero coadjuvante de Pateta. Aqui, o camundongo é a figura central e recebe todos os holofotes. Pateta só aparece do meio da história para frente, como o gênio da lâmpada maravilhosa. E João Bafo-de-Onça faz um Ali Babá vilanesco, um mágico que é chefe dos famigerados 40 Ladrões — na única vez em que um mesmo personagem tem papel de destaque em duas diferentes HQs da série (Ali Babá seria vivido pelo próprio Pateta, num episódio futuro).

Essas particularidades, contudo, nunca encobrem as características comuns às histórias desta série. Já no quadro de abertura, o leitor poderá ater-se aos detalhes, divertindo-se com as piadinhas de segundo plano e a variedade de citações ao Oriente e suas lendas (como um absurdo tapete voador gigante, fazendo as vezes de um avião, com comissários de bordo e tudo).

Quando Bafo aborda Mickey, por um instante pensamos que esteja regenerado. Mas aos poucos o velhaco vai mostrando seu lado autoritário até, enfim, revelar-nos sua personalidade bandoleira de sempre (um detalhe engraçado: só nos são mostrados dois ladrões, porque — o narrador nos informa — o desenhista se recusou a fazer os demais!).

E Pateta faz um gênio na medida, divertido e um tantinho atrapalhado. É interessante notar que Mickey tem um comportamento um tanto ingênuo, o que é bastante incomum em sua carreira. É possível, por isso, imaginar que seu papel poderia ter sido perfeitamente trocado com o de Pateta, sem prejuízo da narrativa ou de suas piadas. Enfim, o camundongo parece ter recebido um prêmio de consolação após tanto reclamar de suas funções secundárias em Pateta Faz História.

Os quadrinistas foram, até certo ponto, bastante fiéis ao conto milenar. De fato, assim como mostrado na HQ, Aladim é abordado por um mágico (que de início lhe parece ser boa gente) que o leva a um local ermo, onde uma grande pedra pode ser removida por uma argola, dando acesso a uma caverna secreta onde se encontra a lâmpada maravilhosa.

E, para ficar somente em mais um exemplo, outra citação explícita à lenda ocorre mais à frente, quando os ladrões reclamam de terem sido atingidos por água gelada: Pateta não perde a piada, informando que eles deveriam se dar por satisfeitos, pois no conto original (de Ali Babá), os ladrões são mergulhados em óleo fervente! De fato.

Vale lembrar que uma das mais prósperas produções dos Estúdios Disney foi igualmente inspirada nas Mil e Uma Noites. Em 1992, o longa-metragem animado Aladdin combinou a história da lâmpada maravilhosa com a aventura de Ali Babá e foi aclamado por público e crítica ao mostrar ótimas canções, personagens memoráveis e uma atuação vigorosa de Robin Williams, dando voz ao imprevisível gênio da lâmpada.

31
Dom Quixote de La Mancha
Goofy Quixote, 1987
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #7 (16/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Por Planeta Gibi. Apesar de não constituir propriamente uma exceção nas HQs desta série, Pateta entra neste episódio já adulto. Não há referências a seu passado. Nesse ponto, os artistas preservaram a ideia da obra original, onde Dom Quixote já surge com seus 50 anos e não há nenhuma pista de sua vida pregressa.

Ao mesmo tempo, detalhes tragicômicos do livro são transportados para os quadrinhos e ampliados, trazendo mais graça à trama. Exemplos disso são a ruidosa armadura de Pateta, numa referência direta à velharia usada pelo chamado Cavaleiro de Triste Figura, e a "batalha" contra um rebanho de ovelhas sonolentas e indiferentes às intimidações de Pateta, sempre montado em seu raquítico e trôpego cavalo Roncinante.

A história começa com Pateta Quixote desistindo de sua sociedade com Mickey numa loja de sucatas para reviver as glórias dos cavaleiros do passado. Enfiado numa armadura velha, sai oferecendo ajuda a donzelas em perigo e acaba cruzando o caminho de João Bafo-de-Onça. 

A ricaça Dulcineia começa então a se engraçar com o vilão, que vê em Pateta um estorvo para o golpe do baú que planeja aplicar na moça. Bafo, então, traveste-se de "formosa dama" em apuros e atrai Pateta para suas armadilhas — as vestes ridículas do brutamontes provocam risos até em seu carrancudo cavalo —, no pano de fundo para a cena mais célebre da obra de Cervantes: Quixote lutando contra os moinhos, a despeito dos alertas de seu amigo Sancho Mickey. 

Não estranhe se aquela peruca de cachinhos lhe parecer familiar: Bafo já havia a usado antes, pelo menos, em O Tesouro do Pirata (O MELHOR DA DISNEY #9, abr/2005) e em Caça ao Baleia Azul, desenhada por Paul Murry (MICKEY #342, 1981).

E quem melhor do que a geniosa Clarabela para encarnar a feiosa e sem-graça Aldonza Lorenzo, cujos delírios quixotescos a transformam em Dulcineia, a mais formosa dama do mundo? No final, ela irá impingir a Bafo uma punição maior ainda do que a cadeia, enquanto que Pateta Quixote terá um desfecho nada semelhante àquele melancólico que o livro reservou ao cavaleiro.

Vale registrar que por diversas vezes, desde a década de 1940, a Disney tentou levar o livro de Cervantes para as telas, em forma de animação. O último projeto foi engavetado no início dos anos 2000, quando o material que estava sendo desenvolvido foi analisado e considerado inapropriado para uma produção disneyana no estilo diversão familiar.

32
Johann Strauss II
Goofy Strauss, 1987
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #2 (12/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #4 (dez/2017)

Nota do Planeta Gibi: a Alemanha foi a única a publicar a série de forma contínua, por cerca de dez anos, numa coleção de 30 volumes, que terminou justamente neste episódio (Van Winkle e Aladim, anteriores a Strauss, assim como os seis seguintes, ela só viria a editar na coleção de luxo que lançou entre 2006 e 2010, em 8 volumes em capa dura).

Por Marcelo Alencar. Como você provavelmente já sabe, o pai de Johann Strauss II não fabricava salsichas. Neste episódio, porém, essa subversão histórica toma corpo em nome da sátira. Afinal, o embutido de carne, tal qual as valsas, confunde-se com a alma vienense — e propicia ótimas piadas no texto de Carl Fallberg.

Pateta Faz História Como Johann Strauss II, publicada pela primeira vez em português na coleção semanal de 2011, de certa forma ridiculariza a maneira como o compositor de No Belo Danúbio Azul iniciou-se no universo da música (algo que, descontados os exageros da paródia disneyana, ocorreu de fato), além de mencionar o preconceito que cercava as melodias mais dançantes numa cidade onde viveram e tocaram inúmeros compositores eruditos. Nesse sentido, a intolerância com que Paganini reage ao concerto improvisado de Pateta e Mickey aproxima-se do rigor exigido dos músicos da capital austríaca no século 19. Mas o que esperar de um lugar em que uma vítima de incêndio se vale da clave de sol para pedir socorro?

A trama sofre uma reviravolta quando entra em cena o imperador, um Bafo-de-Onça com longas suíças e um caneco de cerveja na cabeça, equilibrado sobre a coroa. Às vésperas de seu aniversário, o governante encomenda ao papai Pateta o maior salsichão do mundo. 

Daí em diante, num dos raros momentos na série, o papel do Mickey ganha algum destaque: o camundongo é quem recruta instrumentistas ambulantes para formar a orquestra de Strauss.

Uma ironia do enredo é que o Bafo, tão habituado a cometer crimes nos gibis Disney, encontra-se na posição de vítima de um furto — problema que uma corte entediada, uma cachorrada faminta e uma valsa contagiante tratam de resolver.




33
P. T. Barnum
Goofy T. Barnum, fev/1989

• Roteiro de Greg Crosby, desenhista desconhecido (Jaime Diaz Studio)
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #11 (14/out/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #5 (?/2018)

O código deste episódio indica que ele teria sido produzido em 1981, mas foi publicado pela primeira vez somente em fev/1989, na França.

Por Planeta Gibi. "Nasce um otário a cada minuto." A famigerada frase é frequente e erroneamente atribuída a Phineas Taylor Barnum. Mas Pateta, desta vez encarnando esse lendário showman americano, não perde a oportunidade de desfazer o mal entendido, usando a ironia sempre presente na série Pateta Faz História e atribuindo a origem da sentença a seu próprio pai, no dia de seu nascimento. Na verdade, ela teria sido proferida por um empresário concorrente de Barnum que expunha um falso gigante e ganhava rios de dinheiro com isso.

De todos os episódios desta série, Pateta Barnum provavelmente é o que segue com maior fidelidade a biografia do personagem retratado. E talvez seja assim porque a vida de Barnum foi pontuada por lances inacreditáveis, ótimos para uma HQ humorística. O caso do tal gigante, a propósito, é um exemplo perfeito. Quando Barnum não conseguiu convencer seu concorrente, Hannum, de vender-lhe a peça, decidiu construir seu próprio gigante — tal qual relatado na HQ. Curiosamente, ele convence o público de que seu gigante é que era o verdadeiro, pois o havia comprado de Hannum, que agora estava a exibir uma fraude!

O leitor, portanto, conhecerá a trajetória de Barnum com bastante humor, mas sem se desviar muito da realidade. 

Exatamente como Pateta relata a Mickey, Barnum abandona o jornalismo, após ser processado e preso, e compra uma velha escrava com alegados 160 anos (que teria sido babá de George Washington!). Pois essa bizarrice foi o pontapé inicial de um festival de aberrações que levou Pateta Barnum ao topo do show business e o transformou no primeiro astro milionário de que se tem notícia. Exatamente como ocorrido na vida real. 

Vários outros episódios similares são mostrados na HQ, como a apresentação à Rainha Vitória de um de seus maiores sucessos, o anão General Polegar, e a consagradora turnê com a cantora Jenny Lind, o "Rouxinol Sueco" — aqui vivida por Clarabela, e com uma curiosidade para os leitores Disney: é a primeira vez que sua mãe é mostrada nos quadrinhos. 

O apetite de Pateta Barnum por aquisições espetaculares, como a tentativa de comprar as Cataratas do Niágara, ecoam os fatos: P. T. Barnum por pouco não adquiriu a casa onde William Shakespeare nasceu, por exemplo. 

A fidelidade entre realidade e ficção, porém, é esquecida quando Pateta relata seus feitos ridículos (e divertidos) quando político e prefeito. A HQ também sugere que os irmãos Ringling teriam se associado a Barnum para fundar um circo, mas isso somente ocorreu muitos anos após a morte do showman, que já havia criado semelhante casa de espetáculo com Bailey.

O papel de Mickey na história é o de mero ouvinte do protagonista, tendo que interrompê-lo, por vezes, para justificar sua presença na HQ — como o próprio Mickey reclama. No final, porém, ele será colocado no papel de destacada figura da vida do biografado. Também o cãozinho presente desde o início da história igualmente guarda uma surpresa, revelada somente no último quadro.

Curiosidade final: Tio Patinhas contracena com o "verdadeiro" P. T. Barnum em boa parte de O Vigilante de Pizen Bluff, capítulo da Saga, de Don Rosa (vide DISNEY DE LUXO #5 A SAGA DO TIO PATINHAS, 2015).

34
Antonio Stradivari
Goofy Stradivari, abr/1989
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #16 (18/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #5 (?/2018)

O código deste episódio indica que ele teria sido produzido em 1986, mas foi publicado pela primeira vez somente em abr/1989, na França.

Por Planeta Gibi. É notável a quantidade de cachorros (de rua, sobretudo) nos episódios desta série, mas sempre relegados a meros objetos de cena. Em Pateta Stradivari, finalmente, um deles ganha destaque: a irritante cadelinha da "generala" Clarabela avança em todos que se aproximam de sua dona — até no próprio general.

Esses personagens, a propósito, ditam o rumo da trama. É para Clarabela que Bafo e, depois, Pateta construirão seus violinos. Esses instrumentos são odiados pelo general, que fugindo do "talento" da esposa parte para uma batalha contra invasores da fronteira — onde Pateta e seu amigo Mickey inadvertidamente vão parar.

A HQ começa brincando com o surgimento dos mais diversos instrumentos musicais, desde os primórdios da humanidade, até chegar à Idade Média, mostrando a habilidade de Pateta Stradivari com o violino e a origem da implicância de Bafo com o luthier.

O estratagema do vilão em substituir a identificação do violino construído por Pateta por seu próprio nome, como vemos nos quadrinhos, é uma referência direta às etiquetas de fato presentes nos legítimos Stradivarius — e que possibilitaram aos especialistas, por exemplo, estimar a data de nascimento de Antonio Stradivari e saber quem foi seu mestre.

A série Pateta Faz História foi produzida numa época em que nem sequer se falava em Internet, que dirá sonhar em ter acesso, um dia, a seu conteúdo virtualmente infinito. É surpreendente, assim, a tarefa de seus artistas em obter os mais diversos detalhes dos personagens e das regiões que satirizavam.

Em Pateta Stradivari, por exemplo, tem-se o capricho de reproduzir o Palazzo Comunale no fundo de uma cena com Mickey. O edifício abriga uma coleção de raros violinos (inclusive de Antonio Stradivari) e é uma das atrações turísticas de Cremona, cidade italiana onde o mestre violinista viveu.

35
Ali Babá
Goofy Khayyam, dez/1989
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #14 (4/nov/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #5 (?/2018)

O código deste episódio indica que ele teria sido produzido em 1984, mas foi publicado pela primeira vez somente em dez/1989, na França.

Por Planeta Gibi. O comportamento do protagonista e o título original em inglês deste episódio (Goofy Khayyám) permite-nos intuir que Pateta seria Omar Khayyám e Mickey, Ali Babá. Porém, tanto na França como na Alemanha, únicos países que publicaram esta HQ antes do Brasil, ambos os personagens foram fundidos em Pateta. Como a Editora Abril teve acesso somente aos arquivos alemães, a tradução manteve essa suposta alteração (não se dispõe dos originais em inglês para comprovação dessa fusão). 

O persa Khayyám viveu entre os séculos XI e XII. E assim como nos informa Pateta logo no começo da HQ, ele se dedicou à astronomia e à poesia, entre muitas outras coisas (como a matemática, geografia, filosofia, música etc.).

Já Ali Babá ganhou enorme fama ao ter seu conto integrado ao livro As Mil e Uma Noites quando este foi adaptado pela primeira vez para o mundo ocidental, no século XVIII, pelo francês Antoine Galland.

É característico das sátiras de Pateta Faz História a mistura de elementos presentes nas biografias ou obras originais com outros, saídos inteiramente da cabeça dos quadrinistas. Aqui não é diferente. O leitor, portanto, não deve esperar uma história fiel ao conto de Ali Babá, mas logo irá identificar alguns de seus aspectos mais arraigados, como a máxima "Abre-te Sésamo" e a famigerada quadrilha de ladrões — devidamente liderada por João Bafo-de-Onça.

Também é recorrente em várias passagens da HQ a ameaça de ferver os oponentes em azeite. Pois tais citações não são gratuitas, já que esse foi exatamente o terrível e fatal destino de 37 dos quarenta ladrões do conto original (os demais foram eliminados de modo mais, digamos, prosaico).

Já no terreno da imaginação solta dos quadrinistas, Pateta tem em Mickey Mousef um amigo para acompanhá-lo no encalço aos ladrões. No lugar de riquezas, o que se busca é a usurpação do poder e a instalação de Bafo Del Once no lugar no sultão — cuja esposa é Clarabela, novamente irascível e dominadora.

Bem diferente do conto tradicional é a função da caverna que se abre com as palavras mágicas. Ao invés de abrigo para os cobiçados tesouros, aqui ela serve mesmo é de esconderijo para Bafo e seu bando. E no lugar de tapetes mágicos, outra novidade: uma tenda voadora.

Em dado momento o leitor irá se deparar com ursos dançarinos como parte das atrações de uma festa no palácio. Há relatos de que esses animais eram de fato treinados para esse fim desde, pelo menos, a Idade Média (época de Omar Kayyám e dos primeiros registros de As Mil e Uma Noites). Atualmente, contudo, vários países proíbem a prática, seja pelo banimento da crueldade com os animais ou mesmo, no caso do Oriente Médio, por contrariedade aos preceitos islâmicos.

36
Daniel Boone
Goofy Boone, dez/1991
• Roteiro de Floyd Norman, desenhos de Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #4 (26/ago/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #5 (?/2018)

O código deste episódio indica que ele teria sido produzido em 1985, mas foi publicado pela primeira vez somente em dez/1991, na França.

Por Planeta Gibi. Quando David Crockett nasceu, Daniel Boone tinha lá seus 51 anos. O fato de ambos terem sido heróis populares, desbravadores do território norte-americano e nascidos em estados vizinhos provoca no público, até hoje, uma confusão entre suas identidades.

Confusão agravada a partir da adaptação de suas aventuras para o cinema e televisão, onde frequentemente Boone aparece usando o chapéu de guaxinim que, na verdade, era característico de Crockett. E sobretudo porque o ator Fess Parker viveu os dois personagens nas telas, tanto na série de filmes com Davy Crockett produzida pela Disney na década de 1950 como no seriado de TV dedicado a Daniel Boone, alguns anos depois.

É por isso que a trama deste episódio se desenrola sobre essa confusão entre um e outro, e acaba por homenagear e citar os feitos dos dois. Claro, com o bom humor e as piadas características da série e com um Pateta Boone eventualmente se irritando com tantas comparações.

Há duas passagens bem marcantes na HQ. A primeira é a aparição da mãe do protagonista, claramente inspirada na esquentada Tia Giselda. A personagem foi criada em 1976 e foi muito utilizada, em seguida, pelos artistas que criaram essas aventuras de Pateta Faz História. Giselda também caiu no gosto dos brasileiros e chegou a participar de meia dúzia de histórias produzidas pelos Estúdios Abril, nos anos 1980. (A "verdadeira" mãe de Pateta apareceu em 1983 na HQ brasileira Esta É a Sua Vida, de Gérson Teixeira e Roberto Fukue, que pode ser vista inclusive em PATETA EXTRA #1, de 2009.)

Outra sequência que impressiona pelo vigor e habilidade com que foi desenvolvida é a perseguição de Pateta e Mickey por um enorme urso. O ritmo é puramente cartunesco, com elementos disneyanos de pronto identificáveis — como o próprio traço do animal. A dificuldade de se obter esse resultado em quadrinhos é que torna tão rara ou ineficiente a transposição de desenhos animados de ritmo acelerado para o papel. Aqui, essa tarefa é cumprida de forma admirável.

Tanto o surgimento do urso como, pouco antes, o hábito de Pateta Boone de marcar o tronco das árvores são menções a fatos reais. Com efeito, dentre o acervo do Museum of the Filson Historical Society em Louisville, Kentucky, há justamente parte de um tronco com a inscrição "Daniel Boone Matou um Urso", feita em 1803. Tal registro chegou a inspirar um dos episódios da série televisiva do personagem.

Sobre o seriado Davy Crockett, a Disney o considera seu mais conhecido programa de TV. Vencedor do Emmy de melhor seriado de aventura em 1956, virou mania nacional e alçou Fess Parker ao estrelato. Mas o público foi surpreendido com a morte do herói logo no terceiro episódio. Walt Disney logo percebeu o erro cometido e providenciou mais dois, contando lendas de Crockett. Para azar dos guaxinins, o programa desencadeou uma febre pelos gorros feitos com suas peles. A canção The Ballad of Davy Crockett, lançada no seriado, atingiu o 1º lugar na parada, vendeu 10 milhões de discos e ganhou dezenas de regravações. No final dos anos 1980, a Disney produziu cinco novos episódios, na malograda tentativa de reviver tal frenesi. Em 2001, porém, as 150 mil cópias "limitadas" da caixa de DVDs contendo todos os episódios clássicos esgotaram-se rapidamente.

Nos quadrinhos Disney, Davy Crockett teve mais de uma dúzia de HQs. A primeira delas foi publicada em mai/1955, adaptando o primeiro episódio da TV. Nos gibis brasileiros, apenas três de suas aventuras foram publicadas, incluindo Terra do Velho Oeste (em TIO PATINHAS #62, set/1970), com introdução de Vovó Donalda, Huguinho, Zezinho e Luisinho.

Também houve uma versão mirim de Crockett nos quadrinhos, o Li'l Davy. Contracenando mais comumente com Mickey, algumas de suas aventuras, desenhadas por artistas como Al Hubbard e Jack Bradbury, chegaram a sair por aqui. Seu nome, no entanto, teve as mais diversas traduções, de João Castor a Pequeno Davy (uma dessas HQs saiu em 2017 no DISNEY DE LUXO #18 TESOUROS DISNEY).

Em 1980, os brasileiros Gérson Teixeira e Euclides Miyaura criaram uma das muitas personalidades alternativas de Peninha. Penael Bung (referência a Daniel Boone) estrelou a HQ A Colonização e o Croquete — novamente mencionando os dois pioneiros numa mesma história. Publicada primeiro em EDIÇÃO EXTRA #106, cinco anos depois o especial DISNEYLÂNDIA 30 ANOS deu-lhe nova introdução e um epílogo.

Pouco se comenta, mas Boone também teve episódios live-action produzidos pela Disney. Foram quatro, entre 1960 e 1961 — muito antes, portanto, do seriado produzido pela NBC. Dewey Martin foi o astro dessa produção disneyana. Os episódios de ambos os heróis foram ao ar no programa que, por anos seguidos, foi transmitido aqui pela TV Globo com o nome de Disneylândia, o Mundo Maravilhoso de Cores, cujos apresentadores mais frequentes foram o Prof. Ludovico e o próprio Walt Disney.

37
No Egito de Cleópatra
Goofy and Cleopatra, abr/2000
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #6 (9/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #5 (?/2018)

O código deste episódio indica que ele teria sido produzido em 1987, mas foi publicado pela primeira vez somente em abr/2000, na Itália.

Por Planeta Gibi. Este é o único episódio da série Pateta Faz História cuja protagonista é uma mulher. E quem melhor para assumir esse papel do que a versátil Clarabela? Coadjuvante em quase metade das produções desta coleção, Clarabela encontra aqui um papel à altura de sua personalidade forte.

A personagem, surgida exatamente no curta de estreia de Mickey Mouse, Plane Crazy (produzido alguns meses antes do afamado O Barco a Vapor, de 1928), já demonstrou ter personalidade madura, forte, ideal para fazer as vezes de mãe de Pateta em boa parte dessas histórias. Mas também para viver uma mulher firme como Sarah Bernhardt (em Pateta Eiffel) ou uma marcante Madame de Pompadour (em Pateta Casanova).

Clarabela tem outro ponto a seu favor. Dentre os três mais famosos nomes femininos dos quadrinhos Disney, ela é a única francamente livre. Assim, nada impede que nesta série ela flerte com João Bafo-de-Onça ou mesmo despose Pateta! Ainda mais porque Horácio, muitas vezes visto como par romântico da personagem, nunca dá as caras por aqui.

Mas, então, qual papel caberá a Pateta nesta HQ? Bem, até nosso astro aparecer, Clarabela Cleópatra passa os dias a reclamar de sua vida entediante, cercada de gatos (animais pelos quais os egípcios eram fascinados). Num passeio de barco pelo Nilo, a rainha precipita-se no rio e é resgatada justamente pelos pescadores Pateta e Mickey. O que se segue é uma hilária comédia de erros, onde ninguém acredita que ela seja de fato Sua Alteza. Quando todos finalmente se convencem, nossos amigos ainda são surpreendidos por uma proposta de casamento.

João Bafo-de-Onça parte de Roma para missão diplomática no Egito, a mando de Júlio César. A intenção do vilão, contudo, não é das melhores. A partir daí, Pateta tentará alertar a rainha do risco que corre, mas a tarefa não será fácil, dado o comportamento genioso de Cleópatra.

As citações anacrônicas características da série fazem a trama avançar séculos para citar a batata (que só sairia do Peru para a Europa no século 16) e as agruras dos engarrafamentos contemporâneos (que tal ficar preso no trânsito da Via Ápia ou do Farol de Alexandria?).

As referências cômicas aos fatos também pontuam a trama. Um bom exemplo disso é o episódio do tapete: a verdadeira Cleópatra teria se apresentado a César enrolada em um. Na HQ, essa sequência é mostrada com o humor habitual, incluindo uma citação mordaz à notória feiúra da rainha.

Pateta no Egito de Cleópatra foi o penúltimo episódio da série a ser publicado, em abril de 2000, mais de oito anos depois de Pateta Daniel Boone ter sido lançado. Contudo, sua produção remonta há pelo menos treze anos antes, quando foi registrada pela Disney. Seu roteirista, Carl Fallberg (1915-1996) foi parceiro constante de nomes como Paul Murry, Tony Strobl e Jack Bradbury. 

38
Goethe
Goofy Goethe, out/2000
• Roteiro de Carl Fallberg, desenhos de Hector Adolfo de Urtiága & Anibal Uzál
• Publicações no Brasil:
     PATETA FAZ HISTÓRIA #9 (30/set/2011)
     PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA #5 (?/2018)

O código deste episódio indica que ele teria sido produzido em 1987, mas foi publicado pela primeira vez somente em out/2000, na Itália.

Por Planeta Gibi. Uma das características mais notáveis das HQs desta série é a habilidade dos quadrinistas em encaixar Pateta em papéis tão distintos e, surpreendentemente, sem que suas principais características sejam perdidas. Em Pateta Goethe, optou-se por manter a narrativa concentrada na infância do personagem por quase metade da trama. Esse recurso suaviza a densa biografia do gênio alemão e serve para demonstrar ao leitor que o menino carrega o gosto pela literatura desde o berço.

Antes disso, um prólogo dá o tom de comédia peculiar à série. Situações hilárias ocorridas com ancestrais de Pateta são exibidas de forma a explicar ao leitor de onde vem a fama de cabeças nas nuvens que têm os poetas. Assim, somos levados à pré-história, com Pateta treinando a récita de versos para mamutes e tigres dentes-de-sabre, num aquecimento para impressionar sua amada. Como se pode imaginar, ele não é muito bem sucedido. Pulamos, então, alguns séculos, até a época do Império Romano. Outro fiasco (e bem engraçado). Dali, somos transportados até a Idade Média, onde Pateta é poeta do castelo (e também o faxineiro, zelador e faz-tudo, diga-se de passagem) que recebe do rei Bafo-de-Onça uma tarefa que finda de forma nada romântica. Tudo para concluir que essa predisposição ao fracasso que parecia perseguir os poetas foi rompida por Goethe, cujo talento tornou-o rico e famoso, além de elevar o conceito do poeta e suas obras.

A propósito, a preocupação do pai de Pateta Goethe em ter um filho poeta, considerando o histórico familiar de fracassos nessa área, é logo substituída pelo entusiasmo com os diversos talentos que o menino não tarda a exibir, como arquiteto, cientista, político, músico, botânico. A HQ exemplifica isso e não se exime de abordar o relacionamento não muito afetuoso que houve entre pai e filho na vida real, porém fazendo justiça aos esforços do pai em assegurar a formação mais adequada para cada talento exibido pelo filho.

O que encontramos a seguir são quadrinhos salpicados de referências históricas e literárias. Mickey é Mickermann, representando Johann Peter Eckermann, também poeta e amigo de Goethe. Os não tão inocentes Metralhinhas vivem Fausto I e II, aludindo a uma das mais famosas obras de Goethe, lançada em dois volumes, sobre a lenda germânica do médico atormentado que faz um pacto com Mefistófeles. 

Goethe teve forte influência de Shakespeare em sua obra e em sua busca de um teatro alemão, adaptado ao gosto de seu povo. Pois a HQ referencia isso na citação de Hamlet, assim como Goethe o fez em sua obra Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister

Também influenciado pelo escritor alemão e amigo Friedrich Schiller, Pateta Goethe cita uma de suas peças mais famosas, Os Bandoleiros, quando é feito prisioneiro pelos Metralhas.

Goethe foi o último episódio da série Pateta Faz História. Produzido em 1987, só seria publicado muitos anos depois, numa coleção italiana de paródias disneyanas. 

Outro grande personagem Disney viveu o escritor nos quadrinhos. Em CLÁSSICOS DA LITERATURA DISNEY #16 (2010), Donald fez o papel-título da HQ Os Sofrimentos do Jovem Werther, homônima do livro de cunho autobiográfico que é considerado a obra-prima de Goethe. E na edição 28 daquela mesma coleção, o leitor teve o prazer de encontrar uma das mais vigorosas HQs Disney já produzidas, Doutor Fausto, também inspirada no livro do alemão.

★ AS CAPAS

Apresentamos aqui as capas das revistas onde os episódios estrearam e as capas de todos os volumes das coleções dedicadas à série.

AS HQs PRECURSORAS, COM 12 PÁGINAS

   

MICKEY #302 (dez/1977) O Grande Motim 
MICKEY #307 (mai/1978) Clarapatra (1ª versão)
ZÉ CARIOCA #1471 (jan/1980) Robert Fulton
MICKEY #378 (mar/1984) Isaac Newton (1ª versão)

MICKEY #387 (dez/1984) Mickey Shakespeare
(Os outros 3 episódios de 12 páginas, Leonardo Da Vinci, Gutenberg e Colombo, permanecem inéditos no Brasil.)

ALMANAQUE DISNEY, 1978
Publicação mensal, formato 13,4 x 21 cm, 128+4 páginas, lombada quadrada, capa couché, miolo cor.

  

#83 (abr/1978) Leonardo Da Vinci
#85 (jun/1978) Galileu Galilei
#87 (ago/1978) Colombo

PATETA FAZ HISTÓRIA COMO..., 1981-2
Coleção em 6 volumes, formato 13,4 x 21 cm, 96+4 páginas, lombada quadrada, capa cartão, miolo cor. Cada edição apresenta 2 episódios de 44 páginas, mais 6 páginas de introduções, interlúdios e epílogos especialmente produzidos pelos Estúdios Abril.


#1 (out/1981) Beethoven | Tutancâmon
#2 (nov/1981) Gutenberg | Marco Polo
#3 (dez/1981) Leonardo da VinciRei Midas
#4 (jan/1982) Rei Arthur | Galileu Galilei

#5 (fev/1982) Frankenstein | Colombo#6 (nov/1982) Homem Invisível e Ulisses

PATETA FAZ HISTÓRIA INTERPRETANDO, 1985
Coleção em 6 volumes, formato 21 x 27,5 cm, 48+4 páginas, lombada quadrada, capa cartão, miolo cor. Nenhum dos episódios era inédito no Brasil.


#1 (jun/1985) Leonardo Da Vinci
#2 (jul/1985) Cristóvão Colombo
#3 (jul/1985) Galileu Galilei
#4 (ago/1985) Marco Polo
#5 (set/1985) Beethoven
#6 (out/1985) Gutenberg

ALMANAQUE DISNEY, 1986-7
Publicação mensal, formato 13,4 x 19 cm, 128+4 páginas, lombada quadrada, capa couché, miolo cor.

    

#179 (abr/1986) Volta ao Mundo em 80 Dias
#181 (jun/1986) Hércules
#185 (out/1986) Aladdin
#190 (mar/1987) 20.000 Léguas Submarinas
#199 (dez/1987) Genghis Khan

PATETA É... EM INGLÊS, 1989-90
Coleção em 4 volumes, formato 21 x 27,5 cm, 48+4 páginas, lombada quadrada, capa cartão, miolo cor, mais encarte destacável com a versão em português, monocromática e impressa em quatro pranchas por folha.

   

#1 (nov/1989) Guilherme Tell
#2 (dez/1989) Gustave Eiffel
#3 (fev/1990) Dr. Jekyll
#4 (abr/1990) Benjamin Franklin


PATETA É..., 1991
Publicação avulsa, formato 21 x 27,5 cm, 48+4 páginas, lombada quadrada, capa cartão, miolo cor, mais encarte destacável com a versão em inglês, monocromática e impressa em quatro pranchas por folha.


#1 (jun/1991) Guilherme Tell

ALMANAQUE DISNEY, 2001-5
Publicação bimestral/mensal, formato 13,4 x 19 cm, 128+4 páginas, lombada quadrada, capa couché, miolo cor.

  

#341 (jul/2001) Pasteur
#344 (jan/2002) Império Romano
#372 (jul/2005) Arquimedes


PATETA FAZ HISTÓRIA, 2011
Coleção em 20 volumes, formato 14,7 x 20,7 cm, 96+4 páginas (20º volume: 144+4), lombada quadrada, capa cartão, miolo offset cor. Cada edição apresenta 2 episódios de 44 páginas, mais páginas de biografias (por Júlio de Andrade Filho) e de apresentações dos episódios (por Marcelo Alencar nos dois primeiros e Planeta Gibi nos demais). Primeira coleção brasileira a reunir todos os episódios de 44 páginas, muitos deles até então inéditos. O 20º volume compilou todas as HQs da série Teatro Disney, da década de 1960.





#1 (12/ago) Leonardo Da Vinci | Isaac Newton (inédita)
#2 (12/ago) Cristóvão Colombo | Johann Strauss (inédita)
#3 (19/ago) Galileu Galilei | Vasco da Gama (inédita)
#4 (26/ago) Beethoven | Daniel Boone (inédita)
#5 (2/set) Benjamin Franklin | Gustave Eiffel (inédita em português em cores)
#6 (9/set) Dr. Frankenstein | Cleópatra (inédita)
#7 (16/set) Louis Pasteur | Dom Quixote (inédita)
#8 (23/set) Gutenberg | Casanova (inédita)
#9 (30/set) Marco Polo | Goethe (inédita)
#10 (7/out) Ulisses | Aníbal (inédita)
#11 (14/out) 20.000 Léguas Submarinas | P.T. Barnum (inédita)
#12 (21/out) O Homem Invisível | Ascensão e Queda do Império Romano
#13 (28/out) Arquimedes | Hércules
#14 (4/nov) Rei Arthur | Ali Babá (inédita)
#15 (11/nov) Tutancâmon | Rip Van Winkle (inédita)
#16 (18/nov) Genghis Khan | Stradivari (inédita)
#17 (25/nov) Guilherme Tell | Robinson Crusoé (inédita)
#18 (2/dez) Rei Midas | O Médico e o Monstro (inédita em português em cores)
#19 (9/dez) Volta ao Mundo em 80 Dias | Aladim
#20 (16/dez) Teatro DisneyNos Tempos de Robin Hood | Os Dois Mosqueteiros + Um | O Cão de Basketville | 20.000 Algas Submarinas | Ali Patinhas e os Quarenta Metralhas | O Tesouro da Ilha | Nos Tempos do Rei Artur | Dudu Patetus | A Família de Robinson Mickey | O Mágico de Bahs | A Lâmpada de Aladim Mickey | Um Tiro pela Culatra | Guliver Mickey | O Pé de Feijão

PATETA FAZ HISTÓRIA — COLEÇÃO DEFINITIVA, 2017-8
Publicação em 5 volumes, formato 16,1 x 23,7 cm, 360+4 páginas (5º volume: 272+4), lombada quadrada, capa dura com reserva de verniz e hot-stamp, miolo off-white cor.

 

#1 (mar/2017): veja aqui detalhes deste volume e imagens de suas HQs.
#2 (mai/2017)
#3 (ago/2017)
#4 (dez/2017)
#5 (?/2018)

★ OUTRAS PARÓDIAS AMERICANAS COM PATETA

Teatro Disney

A ideia de colocar os personagens Disney na pele de grandes nomes da História ou da literatura não constituía propriamente uma novidade quando, em meados da década de 1960, foi produzida a série Teatro Disney.

Alguns anos antes, artistas italianos como Luciano Bottaro, Giovan Battista Carpi e Guido Martina já vinham adaptando para os quadrinhos Disney, eventualmente, obras populares como A Ilha do TesouroHamletOdisseiaDom QuixoteO Inferno de DanteO Conde de Monte Cristo e Ali Babá.

Teatro Disney, contudo, teve o mérito de fazer isso de forma sequencial e algo padronizada, com as figuras que tanto conhecemos vivendo de fato outros papéis (ou seja, sem usar o velho recurso de sonhar ou perder os sentidos e pensar que se é um personagem famoso).

Depois que Mickey teve publicada em seu gibi uma aventura nos tempos de Robin Hood, no início de 1965 (sob o selo Mickey Mouse Club), as HQs baseadas em livros famosos passaram a sair mensalmente, desde agosto daquele ano, em WALT DISNEY'S COMICS AND STORIES, a mais clássica revista em quadrinhos Disney do mundo.

Em seguida a essa estreia, tivemos Pateta, Mickey e Donald no papel dos Três Mosqueteiros, cuja missão era proteger um enorme diamante que a rainha Clarabela ganhara em seu aniversário. Caberia a Pateta não só um papel de destaque como também o título de herói da história. 

Diferentemente de Pateta Faz HistóriaTeatro Disney promoveu encontros inusitados dos personagens de núcleos em geral distintos, como um certo Sherloque Mickey e Dr. Pateta ajudando Sir Gastão a enfrentar o temível cão de Basketville. Ou nossos amigos enfrentando Capitão Gancho e Barrica à bordo do submarino Máutilus, em 20.000 Algas Submarinas. Depois, Pateta vem salvar (meio sem querer) a fortuna de Ali Patinhas da cobiça dos 40 Metralhas. E assim por diante.

As duas séries, porém, colocam em evidência a participação de Pateta, que só deixa de aparecer em um único episódio, Um Tiro pela Culatra (onde Mickey é Robin Hood). A ausência é compensada no episódio seguinte, Guliver Mickey, onde todos os habitantes de Lilipute têm as feições de Pateta — exceto Clarabela (a rainha), e um conselheiro. Essa HQ, a propósito, traz uma raríssima aparição dos Irmãos Metralha sem as máscaras (algo visto em cerca de somente duas dúzias de histórias, dentre as milhares produzidas com eles).

Também vale notar que dentre as 14 produções da série, algumas seriam revisitadas depois por Pateta Faz História: 20.000 Léguas Submarinas, Ali Babá, Aladim, Rip Van Winkle e Rei Artur.



• Volta às origens

Curiosamente, algum tempo depois de produzido o último episódio de 44 páginas de Pateta Faz História, os EUA voltaram a produzir histórias mais curtas, com conceito similar, algumas também desenhadas pelo Jaime Diaz, como aquelas publicadas originalmente na americana GOOFY ADVENTURES (1990-91). 

Entre elas estão Alexander the GoofAlexander Goofy BellGoofy WashingtonThe Great Goofdini etc., que eventualmente foram publicadas no Brasil na mesma época, em MICKEY, e nunca republicadas em parte alguma.

Professor Pateta e Goofy's Tracing Service

Fugindo das paródias, mas igualmente criadas nos EUA, desenhadas pelo Jaime Diaz Studios e mantendo um pouco o visual anárquico de Pateta Faz História, merecem menção Professor Pateta e Goofy's Tracing Service

A primeira, com cerca de 25 episódios publicados nos anos 1980, saiu aqui quase toda na primeira série de PATETA —  apenas um deles permanece inédito no Brasil. A França e até os Estúdios Abril aproveitaram a ideia e esticaram a série até o início dos anos 1990 (no Brasil, a maior parte publicada na experimental e sensacional QUAC!). 

Já Goofy's Tracing Service durou menos de 10 episódios, publicados originalmente no início dos anos 1980 — todos saíram aqui em PATETA.

★ GALERIA DE CURIOSIDADES


 

A primeira coleção brasileira teria 5 volumes mensais, como se vê acima (clique nas imagens para ampliá-las). Mas nove meses do #5 chegar às bancas, a Editora Abril lançou um sexto e derradeiro volume, em nov/1982. Com exceção de DISNEY ESPECIAL e NATAL DE OURO, todos os demais gibis da Abril já tinham passado a ser publicados em formatinho (13,4 x 19 cm), desde o início de 1980. Mas essa coleção de PATETA FAZ HISTÓRIA saiu em formato Pato (13,4 x 20,7 cm).


  

 

O prestígio da série e seu apelo junto aos leitores brasileiros também pode ser constatado pelo capricho que a Abril teve de preencher as demais páginas de cada edição com introduções, interlúdios e epílogos especialmente produzidos em seus estúdios. Cada volume trouxe 6 páginas extras de HQs (como as que reproduzimos acima, do #1).



Compare a tira acima, de Laerte Coutinho (Folha de S.Paulo, 12/out/2010), com o desconcertante quadro clássico de Pateta Colombo.



 

Compare esses quadros de ZÉ CARIOCA ESPECIAL BRASIL 500 ANOS com quadrinhos (precedentes a eles) de Pateta nas Viagens de Vasco da Gama. Na verdade, houve aproveitamento da arte no especial brasileiro. Curiosamente, esse episódio de PFH era então inédito por aqui.



  

O quadrinista de Pateta Benjamin Franklin reproduziu na HQ as 3 cenas acima do cartum clássico Ben e Eu (Walt Disney Productions, Buena Vista, 1953).




O castelo do filme Jovem Frankenstein (20th Century Fox, 1974) claramente inspirou a morada de Pateta Dr. Frankenstein.




A "formosa dama" de Pateta Quixote pode ser vista em Caça ao Baleia Azul (quadro acima, de Paul Murry, 1961), dentre outras HQs onde Bafo nos provou que não teme o ridículo.




Charles Laughton como dr. Moreau (A Ilha das Almas Selvagens, Paramount Pictures, 1932)  certamente inspirou o quadrinista no visual de Pateta nas 20.000 Léguas Submarinas.



  

 

 

O Homem Invisível (Universal Pictures, 1933) teve cenas reproduzidas em Pateta como O Homem Invisível.



 

Na França: Ali Pateta BabaNa Alemanha: Pateta Ali BabaOu seja: a HQ deve ter sido originalmente escrita nos EUA com Pateta no papel de Omar Khayyám, mas isso se perdeu nas traduções: apenas França e Alemanha haviam publicado o episódio antes do Brasil, e a Disney enviou para a Abril apenas o texto de que dispunha, em alemão.




O Palazzo Comunale, de Cremona, pode ser visto no fundo de uma cena de Pateta Stradivari.




A primeira tradução de Pateta Gutenberg trazia, em sua última página, uma referência direta à enigmática (para muitos) pichação "Cão Fila K26". Ela já havia sido elucidada em 1977 por uma reportagem da revista Veja (edição #461). Acima, o obituário de seu autor, publicado na Folha de S.Paulo em 5/mai/2012.




Assim como 20.000 Léguas SubmarinasA Volta ao Mundo em 80 Dias e Pateta Van Winkle também foram publicadas, pela primeira vez no mundo, em edições promocionais de capa dura do creme dental Crest, nos EUA (1978-9).



 

Antes do Brasil, o único país a publicar na íntegra todos os 38 episódios de 44 páginas de Pateta Faz História foi a Alemanha, na coleção GOOFY EINE KOMISHE HISTORIE, em 8 volumes de capa dura, formato 17,5 x 24 cm e 244 páginas coloridas cada (exceto o último, com 148), lançados entre 2006 e 2010.

★ VEJA TAMBÉM

Veja aqui o Guia Planeta Gibi COLEÇÃO CARL BARKS DEFINITIVA.
Veja aqui o Guia Planeta Gibi DISNEY DE LUXO.
Veja aqui o Guia Planeta Gibi DISNEY MANGÁ.
Veja aqui o Guia Planeta Gibi DonaldDuplo.
Veja aqui o Guia Planeta Gibi A HISTÓRIA DO FILME EM QUADRINHOS.


► Por Edenilson Rodrigues & Rivaldo Ribeiro.
► Fontes: Acervo Planeta Gibi, Banco de Dados Planeta Gibi.
► Textos de ColomboDa VinciNewton e Strauss: Marcelo Alencar (para a coleção semanal PATETA FAZ HISTÓRIA, 2011).
► Publicado originalmente em 17/abr/2017.
► Atualizado pela última vez em 5/jul/2017.




8 comentários:

  1. Comprei a edição definitiva do pateta faz história e fique desapontado.
    Abril passou a faca no bolso. O papel da edição não é ruim, mas o preço comparado com o material ultilizado em edições anteriores dos encardernados de luxo ficaram muito divergentes.
    O preço aumentou e a qualidade caiu.

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  2. Tenho somente a coleção de 6 volumes (1981-82). Estou bem desatualizado. Vou acompanhar esta coleção "definitiva". Excelente matéria, pessoal do Planeta Gibi.

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    1. Valeu, Reinaldo. Será atualizada a cada novo lançamento.

      Abs.

      Edenilson

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  3. Essa coleção é mesmo memorável. Eu nasci justamente em 1977, ano de criação da paródia sobre Cristóvão Colombo.

    Me lembro que em algum momento na segunda metade dos anos 80, eu andava folheando essa história em quadrinhos, ainda meio sem saber ler direito. Mas eu me divertia vendo as cenas. Provavelmente, era a edição de Pateta faz História 5 ou o Pateta faz História Interpretando 2, que deve ter pertencido ao meu pai ou a um dos meus tios, que colecionavam quadrinhos Disney já bem antes de eu nascer e às vezes me deixavam ficar com alguma revistinha.

    Me lembro de ter ficado impressionado com a cena dos navios caindo no fim do mar quadrado. Eu entendia mais ou menos que se tratava da velha história de o mundo ser achatado (acho que foi meu pai que lia as hqs pra mim que comentou sobre isso na época) e na imaginação de criança, sentia um misto de medo e fascínio pela ideia de que a Terra fosse mesmo plana e que poderíamos cair dela.

    Hoje, não tenho mais aquelas edições, mas ainda tenho essa história por ter comprado quase toda a coleção em formatinho que saiu em 2011.

    É muito legal ter uma vida ligada a essa bonita arte dos quadrinhos!

    Parabéns Planeta Gibi pela excelente reportagem!

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    Respostas
    1. Obrigado, Dornnel. Já incluímos mais imagens há pouco. Novas atualizações virão em breve. o volume 2 da PFH-CD sai em maio, nos avisou aqui Maffia.

      Abs.

      Edenilson.

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  4. Já comprei o volume 1 dessa magnífica série de histórias. A Abril poderia fazer um volume de luxo dedicado a Sir Lock.

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    Respostas
    1. Apoiado! São ótimas histórias e um traço muito bom.

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  5. Essa nova coleção em capa dura não é definitiva. É luxuosa, sim. Tem um papel agradável pra leitura e capa dura. Fiquei decepcionado com a falta de extras. Extras que saíram na coleção de 20 volumes. Inclusive textos produzidos pelo Planeta Gibi. Tem como dar uma luz pra gente de porque a Abril não incluiu esses extras tão ricos em informação que valorizariam muito o volume e ocupariam poucas páginas a mais? De qualquer forma, parabéns por esse post e se algum dia eu quiser ler Pateta Faz História de uma forma definitiva esse post tem que ser incluido na leitura.

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