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27 de jan de 2016

MACUNAÍMA em quadrinhos

Mais uma adaptação literária? Pois nada, nada, nada (etc.) preguiçosa é MACUNAÍMA EM QUADRINHOS. Angelo Abu e Dan X pegam a obra que acaba de cair em domínio público do modernista Mário de Andrade (1893-1945) e a transformam num painel instigante e multicolorido, a começar pela capa. A Peirópolis tem aqui um notável recomeço da coleção CLÁSSICOS EM HQ. Prefácio de Laudo Ferreira. Posfácio pelos próprios artistas — em forma de HQ para fechar o livro com a devida irreverência.


CLÁSSICOS EM HQ #15
MACUNAÍMA EM QUADRINHOS
Peirópolis, Mário de Andrade adaptado por Angelo Abu e Dan X, jan/2016.
Publicação avulsa, formato 20,5 x 27 cm, 80+4 páginas cor, capa cartão com orelhas, miolo couché, R$ 39,00, distribuição em livrarias.

Macunaíma, uma das mais importantes obras da literatura nacional, escrita por Mário de Andrade (1893-1945), expoente do modernismo brasileiro, entrou em domínio público em 1° de janeiro de 2016 e esta é a sua primeira quadrinização. Escrito em apenas uma semana — em dezembro de 1926, e lançado dois anos depois — em 1928, a publicação causou extrema agitação. Prevendo esse impacto, Mário disse, na época, que o que escreveu “não é um romance, nem um poema, nem uma epopéia.” (...) “Diria antes, que é um coquetel. Um sacolejado de quanta coisa há por aí.” E terminou chamando o livro de rapsódia.

E como as rapsódias musicais, compostas por uma variedade de cantos populares, Macunaíma é construído numa espécie de colagem feita com folclore, histórias de origens variadas, superstições, neologismos, palavras em tupi e anedotas que condensam o caráter do povo e cultura brasileira. 

A edição de Ângelo Abu e Dan X transporta o leitor para a época tupiniquim no Brasil, preservando o espírito da obra ao mesmo tempo em que se adapta à linguagem moderna. “A adaptação para os quadrinhos aumenta a procura por esse tipo de leitura e aproxima os jovens. E também, espinho que ‘pinica’ de pequeno já traz ponta. Quanto mais versões, mais vasta a realidade”, afirma Abu.

Nesta adaptação, a obra conta com detalhes não imaginados no original, que agora ganham cor e traços. “Entender como cada autor representou determinadas personagens ou estruturas da composição matriz possibilita compreender que a quadrinização é uma outra obra, também autoral; é o depoimento de leitura de um artista gráfico para ser compartilhado. Ela pode ajudar a conquistar leitores para o clássico, abrir os significados do título e até motivar sua retomada”, afirma Renata Borges, diretora da Editora Peirópolis.

Previsto para ser lançado durante o Festival Literário de Paraty, em 2015 — onde ocorreu uma homenagem para Mário de Andrade, a inserção do HQ no mercado editorial foi adiada por cerca de um ano. Isto porque uma das exigências para que uma obra entre em domínio público é completar 70 anos, ou mais, de falecimento do autor – o que, no caso de Mário de Andrade, ocorreu em 2016.











Por E. Rodrigues




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