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16 de jun de 2015

65 Anos Bem Contados: 1981-1990 (Parte 4 de 4)

A primeira capa de Don Rosa no Brasil,  a batmania provocada pelo filme do homem-morcego, a estreia do MENINO MALUQUINHO em quadrinhos, a impossível coleção ATIVIDADES DISNEYMISTÉRIO DOS SIGNOS, a onda dos gibis Disney em inglês, a reimpressão integral das 52 primeiras edições de ZÉ CARIOCA, o sucesso da EDIÇÃO DE LUXO, os 40 anos da revista PATO DONALD e muito mais. Fechamos aqui os anos 1980.

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Essa mini-revista era impressa nas próprias páginas centrais dos gibis (no caso acima, de ZÉ CARIOCA #1850, mar/1989), e não em folhas avulsas ou encartadas. Então não pode ser considerada uma revista à parte ou mesmo um brinde


O primeiro gibi Disney em inglês foi MARGARIDA #28-B, uma versão — hoje muitíssimo rara — do especial MARGARIDA #28-A UM ANO DE MARGARIDA, ambos de ago/1987. Depois, em fev/1989, saiu PATO DONALD EM INGLÊS! #1. MICKEY EM INGLÊS!, conforme acima anunciado em ZC #1852 (abr/1989), foi a terceira revista do tipo. E vieram muitas outras: leia aqui um texto completo sobre isso. Ou melhor: não tão completo. Ainda devemos uma postagem inteira sobre a primeiríssima publicação com quadrinhos Disney em inglês do Brasil, do início da década de 1970 (que não é propriamente um gibi)


ANOS DE OURO DO ZÉ CARIOCA reeditou, de capa a capa, o gibi do papagaio desde sua edição de estreia, de 10/jan/1961, até 51 números depois. O volume 1 saiu em jun/1989, como mostra o expediente acima (ZC #1859)...



...o #2 foi assim anunciado em ago/1989 (ZC #1861), e...


...a propaganda da coleção completa foi publicada em out/1989 (ZC #1865)


A divulgação do Grande Concurso Painel Mágico Disney ocupava muitas páginas dos gibis (acima, uma de PATO DONALD #1849, out/1989). A promoção conjunta da Editora Abril com o SBT envolvia os programas infantis da época, como Show Maravilha, Mariane, Bozo, Show da Simony e Oradukapeta — e, como outras similares, obrigava o participante a estragar a capa do gibi, recortando um selo ali impresso!


Nem o mais desavisado dos extraterrestres que passasse a um ano-luz da Terra em 1989 deixaria de notar a febre em torno de Batman, o longa de Tim Burton. Só de bilheteria, rendeu quase 12 vezes seu orçamento. O espertíssimo Jack Nicholson, que topou fazer o Coringa em troca de cachê mais porcentagem de bilheteria, pegou seus rendimentos e (brincaram na época) foi comprar terras no Japão! E uma incalculável quantidade de bugigangas surgiu na esteira da batmania. A trilha sonora, providenciada por Prince em seu auge, martelou nas rádios. A revista montável, acima, foi divulgada em PD #1852 (nov/1989)


EDIÇÃO DE LUXO, a série com capa cartonada e destaques em relevo e hot stamp, lombada quadrada, miolo em couché e conteúdo selecionadíssimo, foi anunciada para ter 4 volumes (como acima visto, em ZC #1867, nov/1989). Mas fez sucesso e ganhou mais 4 (porém, com periodicidade beeem irregular...). Leia mais sobre ela aqui


ATIVIDADES DISNEY merece uma série inteirinha de artigos aqui, sobretudo porque desconhecemos que essa publicação já tenha sido destrinchada para os colecionadores. Em quase duas centenas de edições, há muitas HQs Disney, algumas brasileiras, outras no formato HQ-passatempo, boa parte jamais republicada por aqui. Acima, anúncio em ZC 1869 (nov/1989). A partir de jan/1990, o título passaria a trazer na capa o selo da Abril Jovem e, no mês seguinte, o título ATIVIDADES DISNEY em destaque 


Assim como ATIVIDADES DISNEY, MONTE E BRINQUE também passou da Nova Cultural para a Abril a partir de 1990 sem reiniciar a numeração (anúncio em PD #1855, dez/1989). E também merece postagem à parte, não só porque costumava incluir HQs encartadas, mas para se abordar seu título original, lá do início da década de 1980, e sua irmã gêmea, a MONTE FÁCIL


AS PIADAS DE BOLSO seguiram o formato (não necessariamente o conteúdo) iniciado com os personagens de Mauricio, como já abordamos. Começou com Tio Patinhas (mai/1988). Depois do #4, dedicado a Mickey (out/1988), só voltou em set/1989, com mais 4 edições mensais — dessa vez, todas coloridas. Terminou com este Pato Donald, anunciado em PD #1855 (dez/1989). Foi a última vez que vimos uma compilação de tiras Disney nas bancas


Arrá! Mais uma propaganda "enganosa"! Não, não foi a primeira vez que se viu um gibi com aquelas "cores incríveis". Como já falamos em capítulo anterior, os históricos PATO DONALD #1470 e ZÉ CARIOCA #1471 (jan/1980; os primeiros gibis do Brasil a sair em formatinho) já tinham trazido HQs pintadas de maneira similar. Porém, é fato que podia-se melhor apreciá-las, por conta do papel empregado, nesse PATO DONALD ESPECIAL (que, a propósito, foi uma espécie de anual do Pato, assim como TIO PATINHAS ESPECIAL foi o título anual da revista do velho muquirana). Acima, página de ZC #1870 (dez/1989)


Essa capa aí em cima desse jeito anunciada em PD #1856 (jan/1990) não existe. No lugar do "12-A" veio impresso um prosaico nº 13, mesmo. Como vimos no capítulo anterior, essa série de CLÁSSICOS DISNEY O FILME EM QUADRINHOS! foi anunciada para se completar em 12 edições. Ocorre que o 27º Clássico Disney, Oliver e Seus Companheiros, acabara de estrear nos cinemas brasileiros (no Natal de 1989). Esse #13 é de dez/1989, mesmo. Ou seja, saiu quase que simultaneamente com o #12, O Caldeirão Mágico. Em jan/1990, a Abril reiniciou a coleção com o mesmíssimo título, mas por apenas 4 edições


DISNEY SUPERESPECIAL circulou simultaneamente com suas "mãe" e sua "avó", DISNEY ESPECIAL REEDIÇÃO e DISNEY ESPECIAL, até set/1993, por 22 edições (calhau em PD #1857, jan/1990). 

Curiosidades: 
• O #7 teve seu título original alterado de Os Trapalhões para Os Desastrados (muito provavelmente para evitar qualquer confusão com o então gibi publicado regularmente pela Abril com as versões crianças dos personagens da TV)
• O #8 Os Milionários reproduziu a ilustração de capa da série original, e não da capa de DISNEY ESPECIAL REEDIÇÃO
• O #20 reeditou Os Namorados, que havia sido pulado em DER
Cabe destacar que, assim como ocorrera com DER, DSE reproduziu apenas parcialmente essas edições do título original, já que tinha 228 páginas (contra as 292 e 260 páginas da série dos anos 1970)


No início de jan/1990, PATO DONALD #1856 chegou às bancas normalmente, com suas então 44 páginas. E, como se lê no anúncio acima (de ZC #1872), ainda naquele mês mais duas edições do gibi seriam lançadas. Pois o gibi, depois de 29 anos, voltava a ser semanal — e com 32 páginas, mais capa


Anúncio de O MENINO MALUQUINHO em ZC #1873 (jan/1990). O personagem mais famoso de Ziraldo teve 70 números de seu gibi publicados entre out/1989 e jul/1994, sendo sucedido por REVISTA DO MENINO MALUQUINHO (set/1994-jan/1996, 16 edições, em formato americano), além de estrelar outros títulos: 

ALMANAQUE MENINO MALUQUINHO (jan/1991, 1 edição)
SUPERALMANAQUE MENINO MALUQUINHO (jul/1991, 1 edição)
BRINCADEIRAS MALUQUINHAS (1991, ao menos 1 edição, formato americano)
O LABORATÓRIO DO MALUQUINHO (ago/1995, 1 edição)

A EDITORA ABRIL TAMBÉM PUBLICOU, DE ZIRALDO:

A TURMA DO PERERÊ (jul/1975-abr/1976, 10 edições)
ALMANAQUE DO PERERÊ (jan/1985-jul/1985, 4 edições; as 3 primeiras edições foram relançadas depois num encadernado)
A TURMA DO PERERÊ ALMANAQUE (jan/1991-abr/1991, 2 edições)
THE SUPERMÃE (1981, também em versão capa dura)
REVISTINHA DO ZIRALDO (out/1988-mar/1989, 6 edições, formato magazine)


DISNEYLÂNDIA #1 = DISNEY MIX #12. Não sabemos a explicação (também nunca perguntamos), mas DISNEY MIX #11 chegou às bancas em dez/1989 e, no mês seguinte, voltou com um #1 e outro nome na capa! Mas a proposta de ambos os títulos era idêntica: 84 páginas, lombada quadrada, mesma ideia de capa e todas as outras características listadas na propaganda acima, vista em ZC #1874 (fev/1990)


A Abril já começou a lembrar dos seus 40 anos e do gibi PATO DONALD em março, como visto em ZC #1877


Coitado de quem fosse confiar nas informações das tais Fichas Disney. Ali, Peninha teria surgido em O Primo Dinamite, por exemplo. E Morcego Vermelho, nos quadrinhos de um ALMANAQUE DISNEY (quando todos sabem que ele apareceu pela primeira vez, mesmo, em EDIÇÃO EXTRA! Hmm... será?). Anúncio em ZC #1880 (mai/1990). 

Curiosidade: quatro anos antes daqui, ALMANAQUE DISNEY publicou (de forma não destacável) o Fichário Disney (com equívocos semelhantes). E houve outra edição (tentativa, na verdade; durou pouquíssimo) nos anos 2000


ZC #1884 (jun/1990) trouxe a propaganda da edição de estreia de ÁLBUNS DISNEY (8 edições, até ago/1991). Diferentemente do que ali se lê, o volume tinha capa cartão. A coleção seguiu a linha da americana GLADSTONE COMIC ALBUM SERIES (28 edições entre 1987 e 89). A fabulosa ilustração acima é de Daan Jippes, legítimo seguidor de Carl Barks


Você está vendo acima a primeira capa de Don Rosa publicada no Brasil. O anúncio, em PD #1886 (ago/1990), repete a informação equivocada da capa dura. A primeira HQ de Don Rosa no Brasil saiu em TIO PATINHAS #291 (ago/1989), Fortuna Flutuante — sequência de O Ouro e o Repolho, de Barks (1954)

Fabricantes de Terremotos foi adaptada para a televisão e exibida no episódio #29 da 1ª temporada de DuckTales. Outras 12 HQs de Carl Barks tiveram suas tramas aproveitadas pela série animada


PD #1896 (out/1990) trouxe o anúncio da edição comemorativa dos 40 anos de seu gibi. Pode parecer bem modesta, ainda mais se comparada à coleção CLÁSSICOS DA LITERATURA DISNEY, dos 60 anos. Mas, repare só: foi a primeira vez que o aniversário do gibi teve um especial à parte. Tanto os 25 como os 30 anos foram lembrados dentro da numeração da própria revista (#1234 e 1500, respectivamente)


Além de ter saído em 3 volumes (como visto acima, em ZC #1897, dez/1990), a saga italiana O MISTÉRIO DOS SIGNOS foi depois encadernada numa edição hoje bastante procurada pelos colecionadores. Publicadas também assim, em edições avulsas, tivemos as brasileiras DUCKTALES NO BRASIL (1991, 112 páginas) e a excelente O DESTINO DO ZÉ CARIOCA (1996, 177 páginas). Ambas jamais ganharam republicação. Já O MISTÉRIO DOS SIGNOS estrelou o segundo volume de DISNEY DE LUXO, no início de 2014


Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro
Publicado originalmente em 23/jan/2011




11 comentários:

  1. Que viagem legal fiz agora...lembro como se fosse hoje da maioria dos anúncios postados aqui. Inclusive, tenho até o hoje alguns destes gibis, como a saga o Mistérios dos Signos, que não vendo e nem empresto...rsrs.
    Nessa época já estava ficando "grandinho", muitos colegas já não liam mais gibi, mas eu continuei comprando religiosamente exemplares de Tio Patinhas, Almanaque Disney e Disney Especial (principalmente o Superespecial, que tenho até hoje)mais ou menos até 1992.Voltaria depois aos quadrinhos 16 anos depois.

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  2. Mais um excelente post...gostaria tanto a volta desta republicação da HQ: O Mistério dos Signos!!:(

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  3. Fantástico post... doces lembranças...
    Só a título de curiosidade, vale acrescentar que o Disney Superespecial além de repetir a capa do nº8 original (ao invés da capa da reedição) também reeditou o nº20 (os namorados), que não apareceu na reedição. Infelizmente os originais do DE 06 não permitiram a reedição do fantástico "OS INESQUECÍVEIS"

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  4. De fato, as edições de temas ligados a datas foram reeditados (quando foram) em ordem diferente da original. É o caso de Os Namorados.

    Quanto à reedição de DE6, acredito piamente que ela não ocorreu em DER apenas porque devem ter achado que ela não era comercial o suficiente. Penso isto porque DE justamente pegava as HQs do jeito que já haviam sido publicadas no Brasil (as letras, inclusive)e as reproduzia, sem retoques. No máximo, corrigia-se a grafia e acentuação.
    E.Rodrigues

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  5. [uma versão —hoje muitíssimo rara— do especial Margarida #28-A Um Ano de Margarida]

    Este 28-A eu consegui achar há pouco tempo. Fiquei louco por esta edição depois de saber que nela havia uma das pouquíssimas histórias com a Glória que eu ainda não tinha, onde também apareciam o Peninha, é claro, e o Ludovico. Que trinca!

    [Edição de Luxo, a série com capa cartonada e destaques em relevo, lombada quadrada, miolo em couché e conteúdo selecionadíssimo, foi anunciada para ter quatro volumes (como acima visto, em Zé Carioca #1867, nov/89). Mas fez sucesso e ganhou mais quatro]

    É engraçado como que a Abril se arriscava com publicações inusitadas como esta antigamente e conseguia uma boa resposta do público leitor de hqs da época. Bom, acho que eles ficaram meio ressabiados em continuar se arriscando muito com publicações "diferentes demais" depois do mau desempenho da coleção "Mestres Disney". Se bem que eles correram risco ao lançar as CLDs no Brasil. E mais uma vez se deram bem! Gente empreendedora nunca desiste.

    [Claro que muito ajudava o papel deste Pato Donald Especial]

    Os 4 volumes de Pato Donald Especial só tem um problema: o Gominha aparece demais nas 4 edições. Se ainda fôsse o saudoso O.K. Quack...

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Além de ter saído em três edições (como visto acima, em Zé Carioca #1897, dez/90), a saga italiana O Mistério dos Signos foi depois encadernada numa edição hoje bastante procurada pelos colecionadores.]

    Nunca soube que esta maxi-série tinha sido encadernada em um volume único. Deve ser um tijolão daqueles bons para não saber onde guardar... http://coa.inducks.org/issue.php?c=br%2FMDSE++++1


    Em tempo: por favor, respondam a minha pergunta no link abaixo:

    http://www.planetagibi.net/2009/11/grande-familia-pato-6-peninha-parte-2.html

    É muito importante pra mim... Chuif!

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  8. Chabacano.

    A edição encadernada de 'O Mistério dos Signos' tem 384 páginas + capa cartonada, porém, por ser em formatinho 13,5 x 19.0 cm e papel couchê (+ fino), a edição ocupa menos espaço do que um Disney Big, por exemplo.

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  9. Mais uma vez parabéns ao PlanetaGibi pela fantástica e única série de posts! Essa época me marcou muito, eu estava comprando quase todos os quadrinhos Disney, fui um período muito bom, com todos esses especiais (Anos de Ouro, Álbuns Disney, Pato 40 anos, Edição de Luxo, Disney Superespecial, etc). Apesar de todos esses ótimos lançamentos duas edições me deixaram um pouco desapontado na época: o TP 300 e principalmente o AD 200.

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  10. Excelente blog! Parabéns!
    Voce saberia dizer quanto valeria hoje a Bat-Nave para montar, em embalagem lacrada, original?
    É que tenho uma.
    Na verdade comprei duas e uma delas eu guardei sem abrir a embalagem.
    Agora estou pensando em vender alguns itens mas não sei o valor que posso pedir.
    Se puder ajudar...
    Um abraço

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  11. Puxa, não tenho a menor ideia. Por quanto vc venderia?

    E.Rodrigues

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