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16 de dez de 2013

Os 50 anos em que a Turma do Mauricio se tornou a Turma da Mônica (Parte 2)

A mudança para a RGE/Globo, a despedida da Folha de S.Paulo, o surgimento do Estadinho, do Parque da Mônica, o alcance do posto inconteste de maior vendedora de quadrinhos no Brasil, a diversificação das publicações na Panini, o sucesso da Turma da Mônica Jovem, as comemorações do cinquentenário. Confira a seguir a segunda e conclusiva parte deste artigo. 

A primeira parte está aqui. Mostra a primeira aparição da personagem, em 11/fev/1963, na capa da Folha de S.Paulo (semanas antes de estrear nas tiras), além de curiosidades como a primeira aparição numa HQ (na Folhinha de S.Paulo, em 24/jan/1965), o primeiro gibi promocional, a inauguração da Lojinha da Mônica da Rua Augusta, no final dos anos 1970 e muito mais.

CRONOLOGIA, PARTE 2


9 de janeiro de 1987
Após mais de um ano de negociações, os gibis de Mauricio estreiam na Rio Gráfica e Editora sob a marca fantasia "Editora Globo". Uma rápida folheada nas bancas faz o colecionador respirar aliviado: a qualidade gráfica da Abril (papel e impressão) não havia se perdido na mudança.

O Estado de S. Paulo informa que, para evitar atraso de distribuição, a Rio Gráfica imprimira MÔNICA, CASCÃO e CHICO BENTO #1 na Espanha, transportando-as para cá de avião (CEBOLINHA #1 foi rodada na Bloch Editores).

Vale registrar que a mudança de editora já se prenunciava: Mauricio estava sem contrato assinado com a Abril havia dois anos (embora a editora garantisse que insistia em renová-lo) e a MSP lançara, ainda em 1986, uma coleção de livrinhos e um álbum de figurinhas pela RGE.

Não se pode dizer que a troca tenha ocorrido de forma amigável. Farpas e ressentimentos aqui e ali ficaram evidentes nas reportagens da época. Nada que o tempo não tenha superado, no entanto. Não foi por acaso que em 2010 a Panini correu para antecipar em dois anos a renovação de contrato com a MSP.



7 de fevereiro de 1987
Mônica e a Sereia do Rio, longa animado baseado em HQ clássica, estreia nos cinemas, depois de cinco meses de produção e 1 milhão de dólares de investimento, segundo divulgado na época. O filme tem participação de Tetê Espíndola e suas sequências em live action são dirigidas por Walter Hugo Khouri. 



1º de março de 1987
"Alguns desses amigos talvez eu não veja nunca mais!... Por isso é que já vou indo, pra dar um tempo aos meus amigos! Pra eles aprenderem um pouco as lições da vida... sozinhos! Talvez também esteja no tempo de eu viver minha vida... e meus problemas!"

A Folhinha de S.Paulo #1226 publica sua última página dominical de Horácio.



29 de março de 1987
Tinha que ser assim: Bidu começa e encerra a história do cartunista Mauricio de Sousa na Folha de S.Paulo. Pode ser mera coincidência, mas é ele que aparece na última contribuição da MSP para a Folhinha de S.Paulo, num simples jogo dos sete erros. Ah, sim: e o Franjinha idem.



8 de novembro de 1987
O Estado de S. Paulo lança seu suplemento infantil. O Estadinho circulou até 20 de abril de 2013 — quando já se encontrava numa fase melancólica e minguadinha, em formato talão de cheques e, da MSP, trazendo uma mera tira semanal.



7 de abril de 1991
A Editora Globo publica anúncio gigante em O Estado de S. Paulo comemorando as vendas dos gibis da MSP, que ocupam as dez primeiras posições dentre todos os quadrinhos publicados no Brasil, segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação). 

Coisa que deve ocorrer até hoje e, ainda que em patamares eventualmente mais baixos por título, com cifras invejáveis para qualquer produtora de quadrinhos do mundo. E deve-se considerar que há uma variedade incomparavelmente maior de títulos da MSP circulando pela Panini do que pela Globo do início dos anos 1990.

maio de 1991
A L&PM é a primeira (e única, até hoje) editora a lançar comercialmente quadrinhos da MSP em paralelo àquela que publica seus títulos regulares. A coleção AS MELHORES HISTÓRIAS, em capa cartão e também em capa dura, dedica seus oito volumes a MÔNICA, CEBOLINHA, CASCÃO, CHICO BENTO, MAGALI, BIDU, TINAPENADINHO. No final de 2009, a mesma editora passaria a lançar pockets com as tiras de jornais — após curta experiência desse formato na Panini.

Mas não é a primeira vez que temos HQs da Mônica envoltas em capa dura: a Globo havia lançado MAURICIO 30 ANOS há alguns meses, também em ambas as versões.



10 de janeiro de 1993
Inaugurado o Parque da Mônica, no Shopping Eldorado (São Paulo). Havia cinco anos, pelo menos, que o projeto era constantemente citado pela imprensa, sobretudo porque a ideia inicial era de fazê-lo no Anhembi, sob concessão de área pública. 

Junto com o parque estreia o gibi mensal, homônimo, que circula até hoje (como TURMA DA MÔNICA).

Dezessete anos depois, o Eldorado decide ocupar o espaço de outra forma e o parque fecha as portas, em 17 de fevereiro de 2010. Mauricio anuncia a transferência para o Shopping Nova 25 (que deve ser inaugurado em 2014, também na Marginal Pinheiros, mas próximo a Santo Amaro).


novembro de 1993
Mônica completa 30 anos e ganha um especial em formato magazine pela Editora Globo. A publicação traz cronologia, entrevista, apanhado geral da "carreira" da personagem no Brasil e no mundo, seleção formidável de tiras e HQs e Mônica no traço de diversos artistas, como Will Eisner, Sergio Bonelli, Ziraldo, Jim Davis e Milo Manara, entre outros. Além de uma história inédita, com Mônica e Cebolinha em 2023.

Possivelmente esse especial é tudo o que o colecionador gostaria de ver quando abrisse uma das luxuosíssimas edições de cinquentenário em capa dura que a Panini vem lançando. 

Com exceção de PELEZINHO 50 ANOS DE PELÉ, todos os especiais de aniversário ganharam edição de livraria entre 2004 e 2005, com supressão de propagandas.
TODOS OS ESPECIAIS COMEMORATIVOS DA EDITORA GLOBO:
MAURICIO 30 ANOS, jun/1990, 208+4 pág., capa cartão, miolo pisa, bancas
MAURICIO 30 ANOS, set/1990, 208+4 pág., capa dura, miolo couché, livrarias
MAURICIO 30 ANOS, 2004, 192+4 pág., capa cartão, miolo offset, livrarias
PELEZINHO 50 ANOS DE PELÉ, out/1990, 208+4 pág., capa cartão, miolo pisa, bancas 
MÔNICA 30 ANOS, nov/1993, 256+4 pág., capa cartão, miolo offset, bancas
MÔNICA 30 ANOS, 2004, 240+4 pág., capa cartão, miolo offset, livrarias
MÔNICA 35 ANOS, out/1998, 128+4 pág., capa cartão, miolo LWC, bancas*
MÔNICA 35 ANOS, 2004, 112+4 pág., capa cartão, miolo offset, livrarias
MÔNICA 40 ANOS, abr/2004, 112+4 pág., capa cartão, miolo pisa, bancas
MÔNICA 40 ANOS, 2005, 112+4 pág., capa cartão, miolo offset, livrarias**
*Acompanhou CD musical (vide anúncio abaixo)
** Ilustração de capa diferente da edição original (como se vê na foto acima)




2002
MÔNICA #1 (de verdade) ganha reedição pela Globo para venda em livrarias (mas com capa cartonada, lombada quadrada e miolo offset).

E as livrarias recebem a luxuosíssima e gigante AS PRIMEIRAS HISTÓRIAS DA MÔNICA. Formato 23,4 x 32,5 cm.



2003
A COLEÇÃO UM TEMA SÓ também vai parar nas livrarias, em quinze volumes.


dezembro de 2006
A última edição do gibi pela Globo nada tem de especial ou marcante. Até sua capa é um mero remake (de MÔNICA #33, Globo, set/1989).

E por falar em última edição, é bastante curioso notar que seu número não é o 240 que se poderia esperar (depois de exatos 20 anos na Globo). Ocorre que o gibi teve algumas edições quinzenais. Mais precisamente, são elas: #132 e 133 (dez/1997), #144 e 145 (nov/1998), #157 e 158 (nov/1999), #169 e 170 (out/00), #181 e 182 (set/01) e #193 e 194 (ago/02).

janeiro 2007
Diferentemente da estreia insossa ocorrida na Globo/RGE vinte anos antes, a Turma da Mônica começa sua vida editorial em alto estilo na multinacional Panini. Capas chamativas, muitos títulos bem distribuídos ao longo do ano e um irresistível selo de "número 1" atraindo (ou reconquistando) o colecionador.

E o que parece que ficava sempre na intenção na fase Globo, aqui ganha forma e constância: os personagens secundários vão ganhando almanaques semestrais, os leitores adultos são brindados com a COLEÇÃO HISTÓRICA e AS TIRAS CLÁSSICAS DA TURMA DA MÔNICA, as paródias têm lugar garantido na bimestral CLÁSSICOS DO CINEMA, a didática SAIBA MAIS! vai se descolando de VOCÊ SABIA? (Globo) com assuntos inéditos, surgem títulos periódicos em inglês e espanhol, e edições especiais se multiplicam, tanto para as bancas (LOSTINHO, MAURICIO APRESENTA, TURMA DA MÔNICA EXTRA) como para livrarias (MÔNICA E CEBOLINHA ROMEU E JULIETA, O MÁGICO DE OZ, especiais de cinquentenário, série MSP50).

Numa produção assim caudalosa, pode-se mesmo encontrar desacertos. Alguns bem evidentes. TINA teve a produção descontinuada: sua milésima reestilização parece não ter agradado os antigos leitores tampouco conquistado novos. O aspecto mercadológico de NEYMAR JR. parece suplantar em muito a preocupação artística. A faxina étnica promovida há pouco em PELEZINHO, que culmina no retoque da arte produzida nos anos 1970 e 80 (!), demonstra que a obsessão desatinada pelo insuportável politicamente correto parece não atingir nunca seu limite (portanto, nada de historinhas antigas com Chico Bento tomando banho pelado no rio, crianças). 

Mas bolas dentro como a série GRAPHIC MSP e PELEZINHO COLEÇÃO HISTÓRICA, além dos já citados CLÁSSICOS DO CINEMA, COLEÇÃO HISTÓRICA e compilações de tiras clássicas, entre muitas outras, encobrem com folga esses deslizes.

agosto de 2008
A TURMA DA MÔNICA JOVEM é lançada com enorme repercussão midiática e se torna a revista em quadrinhos mais vendida no Brasil desde TIO PATINHAS dos anos 1970.


26 de julho de 2009
Mônica aos 40 anos é capa da Revista da Folha, suplemento dominical da Folha de S.Paulo. A ilustração, exclusiva, abre entrevista com a Mônica de carne e osso. No expediente da revista, reprodução da primeiríssima tira de Mauricio, com Bidu e Franjinha, publicada originalmente na Folha da Tarde de 18 de julho de 1959 (Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite foram fundidas na Folha de S.Paulo em 1º de janeiro de 1960).




junho de 2011
MÔNICA chega à edição #500 e ganha edição especial digna de nota, com uma HQ formidável recriando histórias clássicas da personagem pela ótica do eterno coadjuvante Xaveco. Um achado. A Panini lança o gibi também em versão para colecionador, com capa e papel especiais.

21 de julho de 2011
Por ocasião da tiragem de 500 mil exemplares de TURMA DA MÔNICA JOVEM #34, com o início do namoro entre Mônica e Cebola, Mauricio concede entrevista à Folha de S.Paulo e diz que a turma começaria a envelhecer no ano seguinte, referindo-se a um universo paralelo onde os personagens seguiriam uma cronologia.


2013
A MSP anuncia uma extensa agenda de eventos e lançamentos para comemorar o cinquentenário da personagem, que fica em voga o ano inteiro, das bancas aos noticiários — sobretudo quando uma estátua do Mônica Parade é levada de uma rua de São Paulo. 

Nas comemorações, edições especiais de gibis, livro onde a personagem recebe releituras de diversos artistas, exposições, pockets reproduzindo todas as suas capas, remontagem da peça Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta, "ensaio" de moda baseado em fotos clássicas da revista francesa L'Officiel, álbum de luxo MÔNICA 50 ANOS, a volta da Lojinha da Mônica (agora online), o relançamento de brinquedos clássicos e o redesenho do site oficial (antes hospedado na Globo.com, agora no UOL).

E a MSP ainda tem muita bala na agulha para manter Mônica e sua Turma em evidência: o anúncio dos novos volumes de GRAPHIC MSP (incluindo um segundo TURMA DA MÔNICA dos irmãos Cafaggi) provocou comoção geral dentre os presentes no evento, o novo Parque da Mônica (se mantida a proposta original) voltará a fazer a alegria dos menorzinhos, o projeto Turma da Mônica Adulta vai dar o que falar... Pois esse faro comercial a MSP tem. Basta lembrar a reação do próprio Mauricio ao ser alertado pela Panini de que as vendas da Turma Jovem começavam a cair: "Não por isso! Vamos fazer o Cebolinha e a Mônica namorarem!"



Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

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7 comentários:

  1. Excelente post.

    Só uma correção: o suposto casamento da Mônica com o Cebolinha foi na edição #50 da TMJ. A edição #34 foi quando eles começaram a namorar.

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  2. Tem toda razão. O texto foi corrigido.
    Abs.

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  3. Bela postagem! Colecionei a Folhinha de 1980 até 1989 mais ou menos e os primeiros Estadinhos. Por coincidência, aparece uma cartinha minha do lado da tira de despedida do Horácio. Já não tinha mais o destaque e o espaço da última página e estava até em preto e branco.

    Abraços!

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  4. Dá até gosto de ler uma postagem assim, tão bem escrita e fruto de pesquisa.

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  5. Apanhado sensacional da história da Mônica em uma linha do tempo. Muita informação que raramente se encontra reunida. Parabéns ao Planeta Gibi pela empreitada.

    Apenas uma outra pequeníssima correção: a revista especial Mônica 35 anos (1998) realmente vinha com um CD de brinde - mas não era um CD-ROM de jogos, e sim um CD comum, musical. Tinha 11 faixas com regravações das músicas-temas da Turma (as mesmas canções do LP da Globo Discos de 1987, exceto "Horácio", "Tina torna tudo Legal" e "Astronauta, Herói do Espaço", que ficaram de fora). Cheguei a ter esta edição com o CD quando criança, mas o disco acabou se perdendo com os anos, infelizmente.

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  6. Sim, Fábio. E aí está a imagem do anúncio, acrescida ao texto.
    Abs.
    E. Rodrigues

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  7. Valeu pelo anúncio! :) E, graças a ele, me lembrei também dos outros dois brindes: era um imã de geladeira e um giz de cera em forma da Mônica. Meio inúteis, mas não deixavam de ser curiosos.

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