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28 de fev de 2015

A tal MÔNICA nº 1

[Revisado e ampliado] Todo colecionador de gibis sabe o valor que uma edição número 1 tem em sua coleção. Não ter o #2 ou o #151, por exemplo, nem de longe causa a angústia de olhar sua pilha de gibis, toda arrumadinha, e saber que ali não está aquele famigerado #1! Ah! Os números um... Todos querem tê-los. E pensar que um dia eles estiveram ali, disponíveis nas bancas, ao alcance de qualquer um com uns míseros trocados... Qual colecionador que nunca sonhou voltar numa máquina do tempo e rapelar das bancas todas aquelas hoje relíquias e, talvez, encher os bolsos apenas vendendo no presente uns MICKEYs... uns PATO DONALDs... umas MÔNICAs...? 

As primeiras edições da Turma, lançadas pela Editora Abril, são hoje raridades, sonhos de consumo. E para serem conseguidas agora, é preciso paciência e persistência na garimpagem de sebos e sites, sem falar de uma boa dose de sorte e, claro, de uma bela graninha disponível. 


MÔNICA #1 de verdade! 

Vejamos o caso da verdadeira MÔNICA #1, da Abril. A revista foi lançada em maio de 1970 com uma tiragem de 200 mil exemplares. Ou seja: gigantesca, mesmo para a época, em que TIO PATINHAS era a publicação, de qualquer gênero, de maior tiragem do Brasil. Ainda assim, tornou-se uma preciosidade. 

Ok. Sabemos que no Brasil um gibi nunca chega a valores estratosféricos, como aqueles obtidos por algumas edições americanas em leilões. Mas aí já é uma questão de diferença de poder aquisitivo, de sinal de status, de cultura. Ainda assim, é conhecido o episódio em que um sujeito deu seu fusca em troca de um mega-ultra-raro exemplar de O PATO DONALD #1! É verdade! Foi notícia nos jornais da época. 

Também deve ser dito que um gibi não é raro simplesmente por ser antigo ou por ser escasso. Obviamente também funciona aqui a lei da oferta e procura. Inclusive — e sobretudo — para a determinação de seu preço. 


No verso de MÔNICA #120 (Editora Abril, abr/1980): a primeira réplica da edição de estreia — sem as propagandas originais
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Mas voltemos à MÔNICA

Até as reproduções da edição #1 de MÔNICA estão cada vez mais disputadas e difíceis de serem encontradas, ainda que por motivos diferentes. 


A primeira vez que o gibi foi replicado foi em MÔNICA #120, em abr/1980, no verso da edição comemorativa de 10 anos da revista. Na época, o gibi ainda tinha 68 páginas e lombada canoa (com grampos). Pois o #120, pela primeira vez, foi uma edição de lombada quadrada, com 132 páginas. A reprodução, no entanto, restringiu-se às HQs, já que suprimia as propagandas originais do #1. Esta edição tornou-se rara seja pelo aspecto de ser colecionável (colecionadores adoram edições históricas, edições de números redondos, como 100, 200...) ou, pelo aspecto contrário, de descartabilidade, por ser uma revista que passou pelas mãos de muitas crianças e, bem... vocês sabem! 


Fac-símile lançado pela Globo em 2002: lombada quadrada e capa cartão, miolo couché
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Em 2002, a Editora Globo lançou um fac-símile especial, no mesmo formato do original, reeditando inclusive as propagandas da época. As diferenças em relação à verdadeira #1 praticamente se resumiram ao uso de lombada quadrada e ao tipo de papel (capa cartão e miolo couché). 

A edição foi vendida em livrarias. Ou seja, tratada como livro não teve prazo para ser recolhida e esteve à disposição dos consumidores por muito tempo. Mas a mudança de editora da Turma, em 2007, determinou que a edição saísse de catálogo.


A caixa colecionadora, hoje quase impossível de ser encontrada (ainda mais sem estar amassada) com a reprodução em formatinho: textos no lugar das propagandas de época. Na mesma embalagem, também reproduções de CEBOLINHA #1 (jan/1973), CASCÃO e CHICO BENTO (ago/1982), e MAGALI (fev/1989)
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Por fim, veio a reprodução da #1 dentro COLEÇÃO HISTÓRICA, em set/2007, já pela Panini. Esta reprodução substituiu as páginas das propagandas originais pelos textos cheios de curiosidades de Paulo Back. 


E, apesar de recente, também se tornou rara. As explicações, aqui, são outras: primeiro, que as caixas de papelão que acondicionavam a coleção se amarrotavam facilmente, ficando imprestáveis para redistribuição. Segundo, porque ainda é cedo para que aqueles que compraram a caixa queiram se desfazer delas. 

De qualquer maneira, dificilmente um colecionador conseguirá, no futuro, uma edição impecável da COLEÇÃO HISTÓRICA #1 devidamente acompanhada de sua bela caixinha. Como já dissemos aqui, é o raro e típico exemplo da edição "quem tem, tem"!


Na edição #9 da COLEÇÃO HISTÓRICA, a Panini passou a encartar a caixa desmontada, evitando que ela se amarrotasse na distribuição
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E O QUE MAIS?



Gibi de luxo gigante: capa dura e histórias clássicas
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Em formato gigante (23,5 x 32,5 cm), capa dura, 200 páginas em papel offset coloridas, também em 2002 a Editora Globo lançou o impressionante AS PRIMEIRAS HISTÓRIAS DA MÔNICA

No miolo, além de textos contextualizando a obra e a reprodução da primeira aparição da personagem, clássicos absolutos como Mônica É Daltônica?, A Dona da Rua, A Estrelinha Perdida, Cascão Não Quer Sabão, Um Elefante Incomoda Muita Gente, A Sereia do Rio e muito mais. Luxuoso e impecável. 


A Panini lançou a edição regular de MÔNICA #54 esclarecendo na capa que se tratava da edição #500 do gibi. E aproveitou para lançar o mesmo gibi em versão comemorativa, com capa de efeito metalizado e miolo em papel couché

E por falar em Mônica É Daltônica, a HQ que abriu a edição de estreia do gibi da dentuça, foi ela justamente a escolhida para fechar a edição comemorativa dos 500 números de MÔNICA, em 2011. 

Sim, porque se foi mercadologicamente interessante à MSP reiniciar a numeração de todos seus gibis nas duas mudanças que fez de editora (em 1987, para a Globo, e em 2007, para a Panini), mais interessante ainda foi dizer ao leitor que, na verdade, o longo passado editorial da Turma tinha que ser comemorado com orgulho. 

Além de marcar na capa da MÔNICA #54 que aquela se tratava da edição #500 de fato e direito, ainda foi lançada a mesmíssima edição, simultaneamente, com capa especial e miolo em papel couché (expediente repetido depois com CEBOLINHA e, recentemente, com MAGALI #500 — esta, cuja edição comemorativa teve que ser caçada a laço mesmo em São Paulo: pouquíssimas bancas a receberam). 


Por Rivaldo Ribeiro
Publicado originalmente em 28/mai/2009
Revisado e ampliado por E. Rodrigues





11 comentários:

  1. Fiquem verdes de inveja, mortais.
    Eu tenho a Monica nº1 original de 1970 e todas as outras até o nº 100.

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  2. eu tenho o cascao, o chico benteo e a magali originais e minha prima vai me vender o cebolinha e a monica! morram de inveja! :P

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  3. Tenho muito, muito, muito mesmo interrese na mônica #1 e no Cebolinha #1, espero que eles cheguem logo no Planeta Gibi, asssim como aconteceu com o Cascão, o Chico Bento e a Magali :P

    Obs. Possuo o Chico bento a Magali e o Cascão adqiridos aqui mesmo, no Planeta gibi e um exeplar praticamente impecável da #1 da Coleção Historica :)

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  4. Da turminha, tenho Cebolinha nº 01 (Abril).

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  5. A título de curiosidade, quanto custou a primeira edição?

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  6. Tenho todas as nº1, só me falta a cereja do bolo, ou seja a da Mônica. Se alguém tiver uma pra vender, me avisem.

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  7. Valeu Rivaldo pela excelente materia, como sempre os amigos do PG arrebentam, mas a edição de 2002 pela Globo teve quantas reimpressões?
    Porque acabei comprando uma edição de 2006 pensando que era a primeira.

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  8. Vcs do Planeta Gibi não tem ai alguma informação ultra-secreta sobre os planos da MSP para Mônica nº 100 que deve estar chegando às bancas daqui a menos de dois meses?

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  9. Vcs do Planeta Gibi não tem ai alguma informação ultra-secreta sobre os planos da MSP para Mônica nº 100 que deve estar chegando às bancas daqui a menos de dois meses?

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  10. Wesley, a 6ª reimpressão é de 2006 (último ano de contrato da MSP com a Globo).

    Grande abraço

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