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8 de nov de 2013

O Casamento de Tex

Enquanto o Planeta Gibi recarrega as baterias, relembre diariamente aqui alguns posts bacanas. Voltamos aos inéditos a partir de 16 de novembro, quando o Planeta Gibi Comic Shop completa 7 anos no ar! 

Publicado originalmente em 20/ago/2009. 

Não muitos personagens de quadrinhos já estiveram no altar, trocaram beijos, alianças, juras de amor eterno ou cortaram os pulsos. Enfim... casar mesmo, com direito a lua-de-mel, ter filhos e tudo o mais. 

Pois um certo ranger, que conquista leitores ao longo dos anos desde a longínqua década de 1940, é um desses. 

A história Pacto de Sangue, da década de 1950, é uma das mais aclamadas HQs do mestre Aurelio Galleppini, bem conhecido como Galep. E acabou ficando marcada pelos leitores como O Casamento de Tex, que de justiceiro solitário passou a respeitado ranger pai de família. 

Se não bastasse, ainda protagonizou um imbroglio editorial por aqui. Acompanhe tudo a seguir. 

Tex estava em mais uma de suas aventuras, investigando o tráfico de armas que acabariam nas mãos dos índios. De repente, viu-se perseguido e encurralado pelos selvagens. E nem imaginava que naquele momento estava sendo traçado seu destino. 

Em sua desesperada tentativa de fuga, Tex acaba perdendo a consciência. Ao acordar, encontra-se amarrado ao poste dos martírios, sendo preparado para sacrifício! 

Mas Lírio Branco, filha do chefe Flecha Vermelha, intervém e salva a vida do cara-pálida. De que forma? Com uma proposta de casamento! (Não deixando claro se por piedade ou por amor!) Sem opção melhor, pois já havia se entregado à morte, Tex aceita. 

Ao interceder pela vida do prisioneiro, a índia invoca o pacto de sangue, cerimônia que representa o casamento segundo as leis do seu povo, os Navajos. 

Fenomenal, ainda que rápida, a cerimônia (ou pacto) inclui o ritual de cortar os pulsos e misturar os sangues, selando assim a união.




Pacto de Sangue é marcante por revelar muito de Tex a seus leitores, sobretudo sua trajetória. A trama mostra como ele conquistou a confiança dos Navajos, que de inimigos passaram a fiéis admiradores, dando-lhe inclusive o nome indígena de Águia da Noite. E logo depois, a honra de chefiar a tribo. 

A bela indígena Lilyth — ou Lírio Branco — acabou encontrando acidentalmente o amor de sua vida. E este sentimento foi correspondido à altura. Tex, mesmo em suas grandes aventuras pelas vastas pradarias americanas e com belas mulheres a seus pés, manteve-se sempre fiel à sua amada — mesmo após sua morte (sim, muito triste, coisas do destino). 

Aqui no Brasil, a publicação da história é marcada por algumas curiosidades. A capa da megafantástica edição de TEX #94 (Vecchi, dez/78) foi desenhada pelo admirado artista brasileiro Watson Portela. Abaixo, vemos nessa capa o subtítulo O Casamento de Tex chamando a atenção do leitor.


Mas, dentre as capas para o clássico, nenhuma supera a versão de Claudio Villa, que emprestou divinamente seu traço para a brasileira TEX EDIÇÃO HISTÓRICA #5 (Globo, abr/94).


Aqueles que por qualquer motivo não tinham tido oportunidade de comprar TEX #94 tiveram que aguardar, então, a republicação da história em TEX 2ª EDIÇÃO, o que ocorreria somente em 1983. 

Mas... uma pena, que decepção! O que acabou chegando às bancas foi um TEX 2ª EDIÇÃO #94 com Pacto de Sangue interrompida no meio, com promessa de se ter a continuação na edição seguinte (o que nunca ocorreria, pois a Vecchi viria a fechar), e se não bastasse, a revista viria ainda com quase um centímetro menor que o tamanho normal, destoando do restante da coleção (provavelmente por economia de papel). 

A Vecchi passava por profunda crise financeira. A editora, que era famosa por seus excessos de propagandas nos gibis, chegou a lançar um TEX com duas contracapas em branco. 

Bem, quando a Rio Gráfica e Editora assumiu a continuidade das publicações da Bonelli, herdou também um probleminha: como seguir a numeração da 2ª EDIÇÃO sem abandonar a "segunda pate" de Pacto de Sangue e, ao mesmo tempo, sem descaracterizar a revista? 

Solução encontrada: lançar um número "94A" do gibi. E assim foi: no final de 1983, TEX 2ª EDIÇÃO #94A foi às bancas com a conclusão da HQ e com uma exclusiva capa de Galep. 

Fica fácil de se compreender, então, porque a edição #94 tornou-se o item mais raro dessa coleção, seguido pelo 94A. Eles simplesmente desapareceram do mercado! 

Em abr/1994, a Globo reeditou Pacto de Sangue em TEX COLEÇÃO HISTÓRICA #5. E onze anos depois, a Mythos a republicaria com nova tradução, comentada e, de brinde, uma gag inédita e hilária com Tex apanhando da esposa (OS GRANDES CLÁSSICOS DE TEX #1, mar/05).



por Rivaldo Ribeiro


7 comentários:

  1. Vocês têm certeza de que o Tex Edição Histórica nº 5, da Editora Globo, é de abril de 1994? O preço de capa é de Cr$ 4.400,00 (quatro mil e quatrocentos cruzeiros), e a moeda brasileira do mês descrito era o cruzeiro real (CR$). A não ser que a editora tenha errado na simbologia da moeda...

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  2. Aliás, na época, os preços aumentavam tanto em tão pouco tempo (época de hiperinflação, pré-Plano Real) que algumas editoras, como a Abril, usavam códigos de letras e números para identificar quanto custava cada revista, com a tabela de preços exposta em cada banca (exemplo: Código Y5 = Cr$ 25.000,00). A edição 2000 de Pato Donald, de janeiro de 1993, por exemplo, tinha o código X2 na capa (comprei por Cr$ 10.000,00 naquela ocasião). Cabe, inclusive, um texto sobre isso.

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  3. Mais um excelente texto do pard José Rivaldo, que com a sua devida autorização será publicada no blogue do Tex para que um maior número de Texianos possa ler este excelente texto.

    Mas há uma correcção a fazer... "Pacto de Sangue" foi publicado na Itália, originalmente em 1950 (1960 foi a data da sua reedição já no formato "gigante")inclusive é o título de capa do número 38 da 2ª Série das denominadas "Striscia".

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  4. Caro Daniel, é estranho, mas data está correta.
    Caro José Carlos: Obrigado!
    A data em questão é de fato 1950, 1960 é a reedição.
    Autorizadíssimo!

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  5. Ademir Santana23/08/2009 09:17

    Daniel, as revistas são impressas com grande antecedência. E quando da época de mudança de moedas, a Globo costumava colar uma etiqueta com os novos valores que, depois de alguns anos, simplesmente se solta (ao contrário das etiquetas da Abril, cujas etiquetas de 1986 (Plano Cruzado) estão até hoje nas minhas revistas). Possivelmente essa é a explicação para o preço visto na imagem.

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  6. Obrigado pela capa.

    Te mandei email ´perguntado duas coisas.

    Pq vc não coloca aqui a capa rara do 94 da vecchi?

    E Quantas verses esta hq já saiu no Brasil? Ela já saiu no junior?

    Abraço

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  7. Essa história também saiu mais recentemente em Tex em Cores 5, obviamente em cores, talvez pela primeira vez aqui no Brasil.

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