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30 de out de 2013

Marvel na Editora Abril: início de uma era

Enquanto o Planeta Gibi recarrega as baterias, relembre diariamente aqui alguns posts bacanas. Voltamos aos inéditos a partir de 16 de novembro, quando o Planeta Gibi Comic Shop completa 7 anos no ar! 

Publicado originalmente em 12/abr/2009. 

Há 30 anos, a Editora Abril timidamente lançou um gibizinho que seria o início da mais espetacular fase dos quadrinhos de heróis e dos quadrinhos adultos no Brasil.

CAPITÃO AMÉRICA, um gibi em formato Pato com meras 52 páginas, chegava às bancas em junho de 1979. 


O lançamento era inusitado porque, primeiro, a árvore da Abril nunca havia estampado a capa de um gibi de super-herói. Segundo, porque os direitos de publicação da Marvel no Brasil eram da arquirrival RGE, que naquela época punha nas bancas HOMEM-ARANHA e INCRÍVEL HULK, entre outros. 

Coube à Abril, assim, contentar-se com um suposto "segundo escalão" da Marvel, desprezado pela editora concorrente.

E como a editora soube aproveitar essa oportunidade. Quatro anos depois, obteria a preferência de publicação de todos os títulos Marvel. Numa situação ímpar, um gibi de super-herói teve pela primeira vez tiragem equiparável a de títulos Disney, MÔNICA e LULUZINHA: HOMEM-ARANHA atingia tiragens de 250 mil exemplares. 


Nos 22 anos de Marvel na Abril, mais de 2300 edições de gibis periódicos e de edições especiais chegaram às bancas, em títulos como HERÓIS DA TV, SUPERAVENTURAS MARVEL e TEIA DO ARANHA, entre dezenas de outros, além de meia centena de minisséries, com destaque para o impressionante trabalho gráfico em MARVELS.

O sucesso da Marvel na Abril escancarou as portas para uma profusão de outras publicações, e influenciou também outras editoras e outros gêneros. 


Em 1984, a arvorezinha passaria a estampar as capas de BATMAN, SUPER-HOMEM e HERÓIS EM AÇÃO, da DC Comics. A partir daí, dezenas de títulos e de minisséries da DC inundaram as bancas nos anos seguintes. 

Para resumir o que foi a passagem dessa casa pela Abril: um colecionador de Batman que não fosse abonado entraria em depressão. Ele teria que dar conta de comprar mais de 30 especiais e mais de 60 minisséries — algumas, semanais! 

A editora teve a oportunidade de publicar, pela primeira vez no Brasil, obras influentes como CAVALEIRO DAS TREVAS, A PIADA MORTAL e WATCHMEN, nada menos.

Em 1988, outro marco: na esteira de todo esse sucesso, a Abril lançaria a série GRAPHIC NOVEL. Com qualidade gráfica invejável, a coleção abarcou estilos díspares, indo de decantados heróis Marvel e DC a Will Eisner, Aragonés e Jano. 


A recepção às graphic novels foi tão boa que logo viriam outras duas séries: GRAPHIC MARVEL e GRAPHIC ÁLBUM. E gerou graphic novels da Disney, dos Trapalhões... Parece brincadeira, não? Mas não era. 

O mercado estava tão aquecido que havia espaço para todo mundo, todos os gêneros. Até o pessoal da Casseta & Planeta se aventurou, na época, a lançar uma minissérie, a BLACK KISS, por sua editora Toviassu. 

A Editora Globo, ainda em 1988, lançaria sua GRAPHIC GLOBO. No ano seguinte, iniciaria a saga do hoje cultuado SANDMAN e publicaria as minisséries V DE VINGANÇA e ORQUÍDEA NEGRA, entre outras. 

No final de 1990, a Globo colocaria nas bancas, pela primeira e única vez no Brasil, o mangá AKIRA.

Nos jornais, páginas semanais inteiras dedicadas aos lançamentos em quadrinhos — lançamentos nas bancas, bem entendido, e não nas livrarias, como hoje. E com distribuição nacional. 


Havia espaço tanto para se falar de Batman como do gibi da Margarida, numa democracia editorial nunca mais vista, infelizmente. 

Toda essa febre começou a ser debelada nos idos do Plano Collor. E baixou de vez entre 1993 e 1994, quando se tirou o pé do acelerador e dezenas de títulos foram cancelados. Mas isso já é outro capítulo desta história.

Este post não se pretende exaustivo (nem poderia, neste espaço exíguo). A intenção é dar uma faísca de ideia de como foi bom frequentar as bancas nos anos 1980 e início dos 90! Claro que coisas ruins também foram publicadas, assim como houve equívocos editoriais aqui e ali. Mas quem teve a oportunidade de estar lá e ver tudo isso se formar, tenho certeza, considera o saldo mais do que positivo.





Anúncio publicado em O PATO DONALD #1440, 11/jun/1979


Por E. Rodrigues. 

4 comentários:

  1. Vocês sabem que a Disney comprou a Marvel há poucos meses, agora eles estão em pé de igualdade com a Warner a qual já é dona da DC há 50 anos, veremos então no que tudo isto dará...

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  2. Acreditamos que a Disney fará melhor uso dos personagens (ou das personagens, como preferir) Marvel nos filmes. Coisa que a Warner não tem conseguido com as criações da DC (consideramos Cavaleiro das Trevas, Batman Begins e Superman filmes bastante ruins - infelizmente, diga-se).

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  3. Lembro que no inicio da década de 80 ficava folheando os gibis numa banca de revistas, como não tinha dinheiro o dono deixava ler até ele ficar puto e me mandar ir embora. Kkkk
    Não me lembro dos valores, mas sei que não tinha (cruzeiros?) pra comprá-los.
    Por sorte meu pai gostava de álbuns de figurinhas e me ajudava a colecionar quando podia.
    Contando com a ingenuidade da época, eu digo que eram bons tempos, mas sei que nossos pais suaram um bocado pra dar algo como um simples gibi ou álbum de figuras naqueles anos.
    Sei que as publicações da ABRIL fizeram muito sucesso, mas recordo que os gibis de heróis chegaram em casa pelo selo do cachorro, BLOCH com seus BLOQUINHOS ESPECIAIS.
    Sugestão pro PG, manda uma reportagem relembrando CAPITÃO AZA e seus desenhos DESANIMADOS.

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  4. Abril outro nível, eu pelo menos não conheço outra editora a não ser a m**** que anuncia revistas que não chegam nas bancas exceto em Comix

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