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9 de jan de 2013

Recomeço mais do que animador

Roteiro enxuto, divertido, ensolarado. Traço moderno, inventivo, dinâmico. Capricho nos detalhes, nos fundos, nos enquadramentos. Preguiça, aqui, só a do papagaio. Nada de fórmulas manjadas, citações forçadas nem de expressões  matematicamente calculadas. Não poderia ser melhor o recomeço das HQs Disney inéditas brasileiras no gibi ZÉ CARIOCA, a partir de fevereiro. Fernando Ventura opera a proeza. Assina roteiro, desenhos e cores de Um Crocodilo no Rio (com arte-final de José Wilson Magalhães). A HQ recupera o abusado Crocante (criação de Dick Kinney, o mesmo de Peninha), espana qualquer sinal de mofo e o coloca  em 2013, ao lado de DVDs e Blu-rays. As onze páginas da história parecem poucas para conter tanta diversão. E deixa o leitor muito animado para a próxima. Veja a prévia a seguir. E conheça melhor Crocante.
   




ZÉ CARIOCA #2380
Editora Abril, Walt Disney
Revista mensal, edição 1266, 48+4 páginas cor, formato 13,4 x 19 cm, R$ 3,20
Lançamento em 5/fev/13. Distribuição setorizada
Capa: Luiz Podavin


Zé Carioca
Um Crocodilo no Rio
Com Crocante, Tio Patinhas, Nestor, Pedrão e Rosinha
B 2013 001, 11 páginas
Roteiro, desenhos e cores de Fernando Ventura, arte-final de José Wilson Magalhães
Inédita

Zé Carioca
O Desconfiado
Com Nestor, Pedrão e Afonsinho
B97011, 8 páginas
Desenhos de Aparecido Norberto
Publicada antes aqui uma única vez, em ZÉ CARIOCA #2103 (mai/98)

Zé Carioca
Patrocinador, Urgente!
Com Nestor, Pedrão, Afonsinho, Rosinha e Rocha Vaz
B970121, 7 páginas
Desenhos de Aparecido Norberto
Publicada antes aqui uma única vez, em ZÉ CARIOCA #2093 (jan/98)

Peninha e Donald
O Cãozinho de Estimação
Com Tio Patinhas e Ronrom (na redação d'A Patada)
S722466, 9 páginas
Desenhos de Tony Strobl
Publicada antes aqui uma única vez, em O PATO DONALD #1218 (14/mar/75)

Zé Carioca
A Mosca
BZC 857, 1 página
Roteiro e desenhos de Waldyr Igayara de Souza
Publicada antes aqui uma única vez, em ZÉ CARIOCA #857 (09/abr/68)

Zé Carioca
Fazendo Contato
Com Afonsinho
B970042, 9 páginas
Desenhos de Paulo Borges
Publicada antes aqui uma única vez, em ZÉ CARIOCA #2086 (out/97)

Editor: Paulo Maffia
Indexação: Inducks


E QUEM É CROCANTE?

Crocante é um crocodilo criado por Dick Kinney, que também trouxe ao mundo Peninha. E foi justamente numa HQ do amalucado pato que o réptil, um velho astro do cinema, fez sua estreia, em A Volta do Jacaré Astro (O PATO DONALD #766, 12/jul/66). Os desenhos ficaram a cargo de seu parceiro, Al Hubbard. 


aparência do bicho, no entanto, repete o jacaré arquetípico da Disney, seja o Tic Tac de Peter Pan ou Brutus e Nero, de Bernardo e Bianca. Ou do curta A Fonte da Juventude, com Donald e sobrinhos. E de dezenas de outros, tanto em animações como nos quadrinhos.


No Brasil, o personagem foi chamado primeiro de Aristides. E mesmo depois de sua segunda aparição aqui, em Lágrimas de Crocodilo (desenhos de Hubbard, em TIO PATINHAS #82, mai/72), quando foi definitivamente rebatizado de Crocante, a editora comeu bola ao republicar sua estreia anos depois e manter o nome antigo.


Depois disso, foi a vez de Margarida topar com o astro, numa produção nacional de Arthur Faria Jr. e Eli Marcos Leon (O Cavaleiro Crocodilante, em MARGARIDA #207, ago/94).


Antes do resgate de Fernando Ventura para essa incursão no Rio de Janeiro do Zé, contudo, podemos nos arriscar um pouco ao afirmar que Crocante já havia dado uma passadinha no sítio do Urtigão. Na HQ Um Tal de Jacaré (com desenhos do mestre Carlos Edgard Herrero, URTIGÃO #157, jun/93), um crocodilo igualzinho a Crocante (seu nome nunca é citado) chega ao sítio pensando ser ali um bom lugar para curtir sua aposentadoria (e Crocante é um astro aposentado, relembremos).

É sintomático, enfim, que justamente um astro tentando um comeback ("I hate this word! It's a return!", bradaria Norma Desmond) seja a maior atração no retorno à ativa de Zé Carioca.


Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro


14 comentários:

  1. Acho que a fórmula é essa mesmo, histórias mais simples sem muita complexidade... depois virão as mega sagas... é só o mercado responder bem à iniciativa da Abril e muitas outras ideias vão surgir.

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  2. Acho que a fórmula é essa mesmo, histórias mais simples sem muita complexidade... depois virão as mega sagas... é só o mercado responder bem à iniciativa da Abril e muitas outras ideias vão surgir.

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  3. Que trabalheira deve ter dado esse pesquisa! Valeu, Planeta Gibi!

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  4. É inegável que o traço dessa HQ para com a que saiu no especial de 70 anos 2 do Ventura tem uma melhora considerável.

    Mas ainda é uma arte que me estranha muito. Há certos quadros em que a perspectiva não combina com o estilo.

    Porém é visível que há sim uma melhora no estilo. Pena que o visual boné virado ainda se mantém (e parece que esse é o estilo que agrada ao Fernando, eu gostaria de ver ele desenhando o Zé em outros visuais - como ficaria o zé classico no traço moderno do Fernando?)

    Dito isso, no quadro do Tio Patinhas na cabana (sabe-se lá porque ele está numa cabana), o traço do Fernando, assim como sombreamento da cena me lembra muito do traço do italiano Francesco Guerrini, que conheço desde essa HQ aqui:

    http://coa.inducks.org/story.php?c=I+PKNA++4-1

    Por sinal... porque não deixar o próprio fernando fazer a arte da capa de sua própria história? Nota-se claramente que não é o mesmo desenhista. Se a Abril não tem qualquer ressalva com o traço estilista do Fernando, porque não o deixar também usar esse traço na capa da revista? Esconde o desenhista dentro da revista e na capa usa um outro traço? Não acho legal isso...

    Se é esse o estilo do "novo" zé carioca, que também seja estampado na capa de sua revista!

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  5. Gostei da ideia de "revitalizar" um personagem quase desconhecido que já tinha dado as caras em outras HQs e dessa interação com o núcleo de Patópolis.

    Acho o Fernando um grande profissional e estudioso dos quadrinhos Disney, embora n seja 100% fã dos desenhos e roteiros dele lido anteriormente. Espero que tudo dê certo!

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  6. Infelizmente optaram por este visual desleixado do Zé, fazer o que, espero que o desenhista saiba que muitos leitores estão descontentes com seu trabalho, e analise se mudanças não seriam bem vindas.

    Banzé

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  7. Excelente matéria, parabéns Planeta Gibi pela divulgação desse importante material nacional novo!!

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  8. Parece que o estilo é uma mistura do moderno (bonezinho pra trás e tênis) com o intermediário (camisa e calça da época do Canini).

    Gostei da mistura, melhor que o moderninho que ninguém gosta.

    Fico no aguardo de uma história épica com terninho, chapéu panamá, sem calça e descalço, com seu guarda-chuva (e se possível com o charuto também).
    Claro que com 4 tiras por página e ao menos 24 páginas.

    Sonho meu...

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  9. Zé carioca de terno e gravata e com guarda chuva numa cidade escaldante como Rio é bem esquisito.

    Eu sempre achei.
    Também acho esquisito um cara na casa dos 35 anos, sem trabalho fixo, usar roupa aparentemente de marca e boné pra traz.

    Sou a favor da camiseta branca e calça azul e porque não eventualmente um bermuda.

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  10. Gostaria de ver as críticas daqueles que durante muito tempo reclamavam dos desenhos italianos. A arte do Fernando consegue incomodar mais que os similares europeus. O roteiro mantém-se na mesma linha do especial.Depois de uma estrutura criada por Barks e italianos, para o Tio Patinhas, vem o Fernando mesclar o astuto pato com o Zé Carioc(!!!).
    No fundo preferiria um estilo parecido com o do Vicar, afinal este personagem não será capaz de agradar a um público novo.
    E principalmente concordo com a questão da capa, parece estelionato.

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  11. Sinceramente, eu gostei dos traços do Ventura (tirando aquele primeiro quadrinho q o Zé tá fazendo poser de corcunda de notre-dame). Mas tinham q colocar uma hq do Strobl pra estragar td... os desenhos do Strobl são bem piores, sem brilho nenhum!

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  12. Jefferson Leite, não se esqueça dos almanaques do Pato Donald. Tem tanto Strobl lá que até me enjuei dele rsrs

    Bom, quanto a nova fase do Zé, noto que todo o processo de reconstrução do personagem ainda é lento. Porém, isso se vê necessário em vista de um mercado que, de tanto aguardar sua volta, não mais a desejou por um certo momento, acreditando que isso jamais aconteceria, mas que agora, aos poucos, revive a paixão de ter uma INÉDITA (olha só que legal dizer... INÉDITA) do personagem mais brasileiro de todos. Que me desculpem os colecionadores, mas não tem Mickey (vulgo "senhor perfeição" já que não possui defeitos), não tem Pateta e Peninha (engraçadíssimos, mas bocós demais), não tem Donald (irritadiço como ele só), e mais nenhum personagem da Disney que possa se comparar às suas qualidades.

    Desenhistas, roteiristas e arte-finalistas, por favor, tragam um pouco do querido papagaio dos anos 80 e 90 de volta. Tragam Eli Leon, Paulo Borges, o absurdamente incrível Aluir Amâncio (que teve uma história linda publicada na edição de janeiro, Zé Carioca 2379) e por que não convidar Jean Okada, um talento recente nesse universo, para partilhar conosco algumas aventuras com o malandro?

    Nós, colecionadores, queremos qualidade. Invistam, deem uma chance ao mercado. Continuem fazendo o que está dando certo, ouçam críticas, melhorem. Ambos lados ganham: o público, que tenderá a reunir mais e mais hq's, e vocês, seus montes de dinheiro, isso se a parte de quadrinhos representa mais de 10% do faturamento da editora, o que duvido.

    Então é isso. Arrisque, editora, e veja se dá certo. Em caso de baixas vendas, cancelem (ex.: MD e recentemente Disney Gigante); em caso negativo, permaneçam investindo em material apreciável.

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  13. Não faz semtido reclamar que a perspectiva não combina com o estilo. Ou a perspectiva está correta ou não está. Estilo é coisa totalmente diferente.

    Gostar ou não de determinado desenhista vai da preferência pessoal de cada um, o que desqualifica pseudo-análises que julgam ruim desenhistas que tem técnica impecável como o Strobl.
    Ele foi o melhor desenhista dos patos, depois do Carl Barks. Numa época que ninguém sonhava com Branca, Vicar e Jippes.

    Misturar estilo com técnica é a mesma coisa que juntar alhos com bugalhos.














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  14. [Gostar ou não de determinado desenhista vai da preferência pessoal de cada um, o que desqualifica pseudo-análises que julgam ruim desenhistas que tem técnica impecável como o Strobl.
    Ele foi o melhor desenhista dos patos, depois do Carl Barks. Numa época que ninguém sonhava com Branca, Vicar e Jippes.]

    Lucidez afinal... Uff, que alívio!

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