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7 de nov de 2012

Prévia das HQs inéditas de Zé Carioca

O site da Folha de S.Paulo divulgou há pouco, com exclusividade, uma prévia da HQ inédita de Zé Carioca que estará no segundo volume do especial de 70 anos do personagem a ser lançado no final deste mês. O texto informa que as novas histórias estão a cargo de Luiz Podavin e Arthur Faria Jr. Contudo, as imagens mostram desenhos de Fernando Ventura (cujo traço diverge sobremaneira do clássico brasileiro). Além disso, pelo menos aqui, manteve-se o controverso visual boné/tênis instituído na fase derradeira da produção nacional. Prévia das HQs inéditas a seguir (e mais).



ZÉ CARIOCA 70 ANOS VOL. 2
Editora Abril
edição especial, 304+4 páginas cor, formato 13,4 x 19 cm, lombada quadrada
capa cartonada em relevo e hot stamp, R$ 16,00
lançamento em 30 de novembro
capa de Luiz Podavin




O mais que aguardado código brasileiro, impresso aí na primeira página: "B2012002"
Arte de Luiz Podavin para roteiro de Arthur Faria Jr.





Acima: HQ de Fernando Ventura com arte-final de Diego Munhoz



Texto de Marcelo Alencar contextualizando as HQs inéditas de ZÉ CARIOCA 70 ANOS Vol. 2


Clique aqui para ler tudo sobre o volume um.

Leia aqui a íntegra da reportagem da Folha.


Por E. Rodrigues


47 comentários:

  1. Bom, os desenhos estão bons e modernos. Gosto muito do estilo anos 90 ao invés do clássico. Porém, esse texto está meio confuso.

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  2. Bem, eu particularmente tenho pavor desse traço.

    De todos os estilos de toda história do Zé Carioca, é o que mais me desagrada.

    Nada contra o Fernando, é claro. Gosto dele como roterista, mas o traço é outra história.

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  3. Bem que o Planeta Gibi podia fazer uma entrevista com os figurões da casa da Abril Jovem pra descobrir porque optaram por insistir no visual Sergio Malandro do Zé Carioca.

    Já não foi afirmado em entrevistas aqui mesmo no site de que esse visual tinha um estratagema nos anos 90 que receberia um suporte e maketing da Disney e tal e que não ocorreu?

    Por que insistir no boné e não algo mais clássico, mais simples, talvez até mais malandro? Por que não reformar o visual atendendo uma nova geração?


    O Zé Carioca de hoje não é o mesmo Zé que vivia lá em 2000... não merecia um novo visual, talvez um mash-up de tudo que ele já usou hoje em dia?


    Peguem os responsáveis por esse novo caminho editoria e entrevistem eles e descobram porque ninguem conseguiu quase uma década depois, atualizar o Zé Carioca para uma nova geração de leitores!!

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  4. Eu parabenizo o Fernando Ventura.
    Admiro seus desenhos, os poucos que já vi, admiro sua postura, e seu bom senso em lidar conosco, consumidores.

    Fernando Ventura tem tudo de um vencedor. Inclusive talento e um toque muito ímpar. Mas esta é só minha opinião, é claro!

    Fabiano Caldeira.

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  5. Saí como Unknow, mas minha assinatura está aí....

    Fabiano Caldeira.

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  6. Talvez o Zé merecesse um chapéu panamá no lugar desse já ultrapassado boné. Será? Só não coloquem boné de aba reta nele! xD

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  7. Chapéu Panamá!!! Aí sim!!

    https://www.google.com.br/search?q=chap%C3%A9u+panam%C3%A1&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&hl=pt-BR&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi&ei=E6yaUNDkJo6w0AH0l4DYCQ&biw=1366&bih=622&sei=FayaULapJY_J0AH29IDQBQ

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  8. O traço da segunda história está italiano ou é impressão minha?

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  9. Na primeira história o Pedrão tá com um boné cor de rosa (wtf?). Não duvidaria se o próprio prof. Ludovico aparecesse com um também[/ironia].

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  10. pois é... a Abril tá mal mesmo de direção editorial. quem é o culpado pelo boné no Pedrão e ainda por cima rosa?

    Pra mim é motivo de demissão um troço desse. Não tem ninguém atento aos detalhes, não?

    Putz... triste.

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  11. Eu estou animado: gostei do "perito em chatos" do Fernando (afinal, Ludovico é especialista EM TUDO, não esqueçamos) e está perfeito o Nestor do Podavin (olhem ele coçando a cabeça no segundo quadro da segunda página!); pode sair coisa boa disso tudo!

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  12. Pena que uma obra desta tenha saída em papel tão ruim e uma colagem de páginas péssima. Impossível passar de página sem evitar os "enrrugamentos" do papel. Saudades de velha abril que tinha um capricho bem superior.

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  13. Decepção total com a produção inédita nacional.

    Os desenhos, a cor, tudo está amador demais, fraquíssima a arte do Zé da torneira.
    Me desculpe a Abril, mas começou mal esta nova fase.

    Atentem para isso e saibam que o Zé tem fãs exigentes também, que querem trabalhos de nível internacional, do jeito que está não gasto meu suado dinheirinho com o Zé, a não ser com as republicações que são dos tempos em que os artistas sabiam desenhar de verdade!

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  14. Ah, vamos parar com isso... quem vê a arte do Ventura no começo dos anos 2000 e o de agora, observa que só se melhorou e refinou o traço ágil dele, onde a sensação de movimento dá outra dinâmica a algo tão "fixo e parado" como um quadrinho desenhado o é!
    Isso se chama estilo. E cada um tem o seu. Ou devíamos então jogar no lixo tudo o que o Canini fez nos anos 1970, só porque ele não desenhava no 'padrão Disney'? Ou será que devíamos deixar de acompanhar os quadrinhos italianos, pois eles não sabem "desenhar de verdade"?
    Lógico que não. Porque, cara, o que mais importa é o roteiro, a execução! O desenho ajuda, mas sozinho, não faz nada. Principalmente se o roteiro for ruim. No entanto, vejo que a prévia desses roteiros nesses previews estão bons! Logo, não tenho lá muito o que me preocupar, principalmente nesse trabalho contínuo para 2013.
    E não se esqueça: histórias italianas são consideradas de nível internacional. E o traço diferente deles nunca foi empecilho para se curtir uma boa história!

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  15. Todo meu respeito ao artista, mas acho que esse traço do Fernando Ventura não tem nada a ver com o universo Disney em geral, mesmo com Zé Carioca, que sempre teve um estilo diferente graças a Canini...

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  16. Em meu comentário não me referi a "estilo" ou "padrão" de arte, mas sim a "qualidade da arte".

    Me perdoem a franquesa, mas a arte da torneira é fraquíssima e amadora.

    A impressão que dá é que a Abril só usou estes trabalhos por falta de artistas nacionais competentes.

    E nada contra arte italiana, desde que profissional e bem feita.

    Agora, a arte não é importante?
    Então vá ler um livro meu caro.

    Quadrinho é em primeiríssimo lugar visual, que claro, aliado a uma boa história, aí sim, se completa.

    Mas desenho ruim não anima a ler HQ nenhuma, pelo menos pra leitor exigente.

    Mas para não ser injusto, a arte da história da Jaca até que passa, mas ainda assim...

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  17. Não sou um conhecedor das hqs do Fernando Ventura, mas, pessoalmente, eu gostei do jeito como ele decidiu desenhar a hq com o Ludovico. É um traço pessoal e não amador na minha opinião. Há muitos cartunistas italianos que enfrentam a mesma resistência entre leitores de hqs Disney brasileiros. Confunde-se um traço diferente do usual com desenhos de segunda. Mas, como eu já disse, é a minha opinião. Não sou desenhista para afirmar com precisão nada sobre esse assunto. Aliás, foi uma gratíssima surpresa encontrar o Ludovico em uma nova hq nacional.

    Saudações a todos,

    Fábio

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  18. Este comentário foi removido pelo autor.

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  19. Desculpe, mas, no meu post anterior não escrevi algo sequer parecido com "a arte não é importante" escrevi que "O desenho ajuda, mas sozinho, não faz nada"
    Ou então, tudo que o Henfil fez na sua carreira não vale nada, só porque "não anima a ler" charge nenhuma só por conta do traço dele?
    Viu só? O desenho é o primeiro contato. Mas o texto e o roteiro bem estruturado é o que vai fazer você continuar a ler a revista. Pois, até mesmo o pior traço do desenho, ainda será, no mínimo, 'digerível' se o texto for, no mínimo, bom. Agora tenta fazer o contrário para ver se a revista se sustenta só por 'imagens

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  20. Claro que o traço da 2ª história não é amador, tem um estilo e tal.

    Mas sinceramente, também acho pavoroso. Vou ficar bem frustrado se as histórias novas usarem esse estilo italiano.

    Não combinou NADA =/

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  21. É verdade se afirmar que, em um primeiro momento, o que vai atrair a atenção numa HQ é o desennho. Mas sempre o mais importante será o roteiro, ao contrário do que alguns disseram. Desenho ruim com roteiro bom é passável. O oposto não. Mas desenho ruim ou amador não é o caso do Ventura.
    É uma surpresa todo mundo reclamando do traço dele agora. Já não conheciam antes? Seu estilo é assim, enormemente influenciado pelos italianos e estilizadíssimo. Dependendo da história, às vezes eu gosto, outras vezes não tanto. Nesse caso, achei bonito. Ficou diferente e atrativo. Aprecio artistas que tentam ser originais e desenham diferente. Como isso não é comum no universo Disney atual, sempre tendo como referência gráfica Barks ou Cavazzano, os leitores sentem um estranhamento. Mas o legal dos quadrinhos Disney sempre foi a diversidade de estilos. Não tem um traço específico que seja mais clássico que o outro. Há aqueles que são as referências principais, pela qualidade superior. Mas também teve um monte de desenhistas mais rústicos, desenhando nos primórdios da Disney, que também são considerados clássicos, a sua maneira. E era um traço mais tosco, às vezes, feito às pressas, por conta de alguns que desenhavam para mais de um estúdio ao mesmo tempo. Não tinham nenhum contrato de exclusividade!
    Mas o que vale é o roteiro, que nem no caso do Bob Gregory. O traço dele era mais ou menos e foi piorando, mas as histórias eram divertidas, tinham inspiração.

    O dado curioso é que o Ventura tinha essa história do encanamento de refrigerante guardada há anos, esperando uma oportunidade de publicar. Agora foi a chance! Esse roteiro sempre intrigou: por que diabos o Tio Patinhas vai encanar refrigerante na Vila Xurupita mas não em Patópolis? A vigilângia sanitária brasileira é menos exigente e ele está aproveitando as brechas da lei brasileira!

    Tido tudo isso, também gostaria de uma declaração do Maffia explicando porque a insistência no visual boné pra trás e tênis. Se não queriam o Zé de terno e guarda-chuva, eu compreendo. Mas era só colocar ele com as velhas camisetas brancas. A de manga curta ou a de manga longa. Custava muito?

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  22. Na palesta Zé Carioca 70 Anos, no Gibicon de Curitiba, o Planeta Gibi questionou Maffia se o visual do Zé nas HQs novas seria o dos anos 1970 (já que o Brasil se orgulha do que foi aqui produzido com o personagem, em seu auge de vendaas, nos anos 1970 e 1980, naquele visual) ou se seria esse boné-tênis, execrado aparentemente pela maioria absoluta dos leitores.

    A resposta foi que essas duas HQs faziam parte desse pacote comemorativo e que foi dada liberdade aos artistas para optarem. Mas que isso não significava que a produção nova para a revista mensal seguiria a mesma linha.

    O Planeta Gibi, como já expressou neste espaço por diversas vezes, despreza o visual boné/tênis.

    Sobretudo porque boné virado só é aceitável em um adolescente de até (vá lá) 15 anos. E quanto ao tênis, sabemos quanto custa um modelo transado como esses apresentados nessas HQs. E o Zé teoricamente não teria dinheiro para isso. Fica sempre a impressão de que ele o conseguiu por meio de maracutaia.

    E. Rodrigues

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  23. Este comentário foi removido pelo autor.

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  24. Vou compartilhar aqui uma opinião diferente da que dei ontem. Acho que essa HQ do Fernando não é impublicável. Como disse, eu li a história até o fim. Como roteiro, ele é excepcionalmente ótima. Boas piadas, bom plot, boa narrativa.

    Mas eu acho que para abrir essa nova fase de produção nacionai, JAMAIS deveria ter se escolhido ela para representar esse momento. Ela em momento algum é a HQ que melhor expressa essa nova fase.

    A impressão que tenho é que mais uma vez o comodismo venceu a vontade de criar algo inovador, marcante. O deserviço editorial atrapalhou tudo mais uma vez.

    Nesse especial deveria ter se produzido algo realmente especial. A HQ do Fernando é simplesmente uma HQ de rotina do universo do Zé e é isso que não casa em nada com o especial. Ela poderia muito bem estar numa edição mensal do Zé, mas em nada tem de marcante para estar nesse especial.

    Como abre alas, tanto ela como a do Podovin, não são HQs que servem a esse trabalho. E não é culpa dos roteristas ou desenhistas envolvidos. Pra mim a culpa vem lá de cima, quem não teve a percepção de entender que para o especial, seria obrigatoria algo especial!!

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  25. Muito interessante a volta da produção nacional com altos e baixos. Este volume 2 está mesmo imperdível e histórico.

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  26. Bem, discordo. A ideia da editora sempre foi voltar a fazer HQ inéditas (para publicação no especial ou não) exatamente no tom que sempre agradou o público. Sem aquele apelo de comeback, mesmo porque pompa e circunstância em nada combinam com Vila Xurupita. Assim, bola dentro da Abril.

    E. Rodrigues

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  27. Se foi dada liberdade aos artistas e eles mesmos quem escolheram essa caracterização, deve existir algum motivo.
    Vi que na entrevista com os desenhistas, um deles comenta que gostava mais do zé carioca característico, com terninho, mas diz que, enfim, os tempos mudam.
    Será que houve realmente uma liberdade de escolha?

    Qual será o motivo para manter esse formato?

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  28. Bem, apenas reproduzi a resposta que obtive na palestra (e acho que fui o único que tive oportunidade de perguntar, porque em seguida o tempo tinha se esgotado).

    E. Rodrigues

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  29. Eu não gostei do desenho das historias nem do roteiro o Zé antigo era muito mais divertido.

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  30. [Sobretudo porque boné virado só é aceitável em um adolescente de até (vá lá) 15 anos.]

    Isso realmente é verdade. O Zé Carioca, assim como o Donald, deve ter seus 30 e poucos anos, e por mais jovial que ele seja, um boné virado pra trás nessa idade o torna um meninão que esqueceu de virar adulto. Não sou fã do ZC, mas prefiro o personagem com o visual original, ainda que seja antiquado, ou então com aquela camisa branca. Mas em se tratando de visual, os patos, por exemplo, não tiveram suas respectivas roupas modernizadas, mas se tivessem sido todo mundo ia chiar provavelmente.

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  31. Eu acho uma contradição enorme as pessoas ficarem chiando meses e meses por novidades e, quando chega, ficarem exigindo coisas dos anos 70 e 80.

    Pior mesmo é ficarem dizendo coisas como se o Fernando Ventura fosse uma pessoa sem bagagem, como se fosse um desenhista amador de um blog qualquer (como eu, por exemplo), como ele fosse alguém sem o menor entendimento do universo Disney e da arte de desenhar. Eu recomendaria "googar" mais sobre as pessoas antes de escrever algumas coisas.

    Não me refiro a quem não gostou, pois todo mundo tem o direito de ter sua própria opinião. Mas há algumas coisas que li que vão muito além disso. Deculpe aí a quem não tem nada a ver com isso.

    Fabiano Caldeira.

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  32. .

    Na boa, nessa HQ o Fernando Ventura passou todos os limites do relaxo, da má vontade, da INCOMPETÊNCIA como desenhista desperdiçando uma chance de OURO de se firmar como artista Disney. Trabalho simplesmente medíocre. Se for retomar a produção nacional pra apresentar essa PORCARIA, melhor ficar com as re-re-re-re-republicações. Sugiro que o Fernando se atenha apenas à parte técnica da coisa colorindo e letreirando HQs de terceiros e tocando pra frente o Inducks, porque, desenhar, cara, não é a tua praia MESMO!

    Em contrapartida, o Luiz Podavin apresenta uma sempre excelente arte embora eu não tenha entendido aquele risco no meio do bico do Zé que até parece uma cicatriz.

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  33. Minhas desculpas ao desenhista e ao roteirista, mas é uma decepção total! Esse visual é terrível, destoa do universo Disney, destoa da maioria do padrão internacional dos quadrinhos Disney, tá ruim não, tem como não dizer! O visual do Zé e da turma tem que ser simples e bem delineado. Na minha opinião devia-se optar por usar os traços de Carlos Edgar Herrero, dando uma atualizada aqui e ali (Usar camisa amarela sem estampa e de vez em quando com uma jaqueta no estilo de hoje em dia, por exemplo), nada de tênis e nem de calçado nenhum para o Zé! Esse visual que optaram fica muito poluído assim e desproprcional e esquisito (gente, que Tio Patinhas é esse?) Se essa é a base da volta da produção nacional, adeus vendas! Nós não queremos novidades por si só! Queremos mesclar o clássico dos quadrinhos, com novidade de histórias, mas que sigam a linha inteligente do passado e queremos visual sem firulas como esse que tá aí! Tem certas coisas que não dá pra abrir mão, não importa quantos anos passem!

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  34. Ficou muito bom!!!! Os artistas estão de parabéns! ^^

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  35. Muita força ao Zé Carioca na nova saga!!!!!!S Sucessos sempre.

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  36. Tendo lido com mais atenção, considero positiva a enxurrada de comentários, ainda que nem tanto das críticas negativas. Quem comentou de forma desrespeitosa sobre relaxo e amadorismo não tem a mínima idéia do que significa o estilo pessoal de um artista. Ou então vai dizer que Canini foi unanimidade em sua época? Eu mesmo posso dizer que quando criança não era fã de suas HQs exatamente pelo traço. E todos sabem que as HQs de Canini têm roteiros brilhantes.

    Portanto, considero indelicado e ofensivo críticas tão pesadas a TRECHOS de HQs, em que pese o fato de que a HQ do Fernando já estava pronta há tempos. Niguém sabe ainda que novas aventuras vem aí e, especialmente, que o traço dele mudou um tanto desde o começo dos anos 2000.

    Sobre o visual específico do personagem, ainda que eu até aceite o descrédito do uso do boné e camiseta, não posso concordar com alguns dos argumentos superficiais e risíveis usados para defender cegamente as vestimentas clássicas.

    O fato do Zé possuir tênis descolados e "caros" serem fruto de possível maracutaia não tem nada de inimaginável. Ao contrário; se ele os possui por meio de malandragem isto está dentro do histórico de ações do personagem. Do mesmo modo, se usarmos a mesma lógica, ele continuar usando impecáveis terninhos, chapéus e guarda-chuvas remetem a adereços hoje mais relacionados a quem tem mais posses do que na cultura carioca dos anos 1940 em que figurino tão formal era comum a boa parte da sociedade.

    Concluo que os fãs mais puristas estejam agindo mais por efeito de memória afetiva do que propriamente pela lógica de que as coisas serão ainda melhores. Lembrando que o especial do Zé está ganhando destaque positivo em grandes veículos da imprensa, não estando restrito somente aos recantos fuleiros e obscuros da internet.

    O Zé está retornando e devemos apoiar a retomada da produção do Fernando, Arthur, Podavin e outros que eventualmente virão da mesma forma com que uma geração de artistas aprende ou reaprende os passos do meio. Devemos lembrar de Walt Disney quando era questionado sobre o impacto da Disneylândia, em que candidamente respondia: "Estamos apenas começando!"

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  37. Justamente pelo fato de parecer que foi por meio de maracutaia que Zé descolou um tênis caro é que considero o visual desagradável.

    E como os ânimos aqui por vezes se inflamam, como se não estivéssemos falando apenas de gibis, e que isso deveria mesmo é ser divertido, abstive-me de completar meu raciocínio sobre a que mais esse visual remete minha imaginação.

    É óbvio que os leitores assíduos (ou fãs, que seja) se apropriam da obra. A Warner não pode não produzir um longa do Batman sem considerar o que seus leitores desejam ver (aliás, ela pode: Batman 4 foi um fiasco e enterrou uma franquia). Fazem-se exibições de teste e ajustes. Nem é condenável essa eventual camisa de força imposta ao diretor/criador porque se trata de produto destinado ao consumo em massa. Poderiam seguir aqui inúmeros casos semelhantes.

    Enfim, numa produção desse tipo por que afrontar seu público alvo?

    (Em tempo: no Houaiss:
    maracutaia: negócio escuso, manobra ilícita, esp. em política ou administração; traficância, fraude, falcatrua.)

    E. Rodrigues

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  38. Agradeço pela definição de maracutaia do dicionário Houaiss. Realmente confirma que o Zé Carioca invariavelmente faz uso deste expediente, em que pese o fato de que lhe falta maior inteligência para realmente se manter acima dos eventuais ganhos que conquista. Podemos ver muitos exemplos disso nas páginas dominicais presentes no volume 1 do especial.

    Complementando, ainda que tenha entendido o seu ponto, acredito que o seu exemplo foi dos mais infelizes. É notório que os estúdios fazem exibições-teste e pesquisas para investigar a atratividade do público. Porém, Batman é justamente uma das propriedades com mais variações de produtos lançados ironicamente conquistando, cada um, significante estrato de fãs.

    Como isso pode ser visto? Fácil! Há fãs mais antigos que curtem sem pestanejar do seriado camp dos anos 1960. Podemos encontrar admiradores do Batman produzido pela Filmation. Temos os fanáticos pelos dois filmes dirigidos pelo Tim Burton. O seriado animado dos anos 90, baseado parcialmente no trabalho de Frank Miller, tem inúmeros seguidores. E não podemos esquecer a trilogia mais recente do Christopher Nolan que atraiu outros fãs, além de outros segmentos admiradores de "outros" Batman.

    É por isso que a afirmação "Nem é condenável essa eventual camisa de força imposta ao diretor/criador porque se trata de produto destinado ao consumo em massa" porque ela não se sustenta, não possui fundamento lógico. Se isso ocorresse de fato não teríamos tantos estilos de Batman (todos com admiradores e críticos) mostrando uma evolução da personalidade do personagem. Isso é que torna o Batman pronto para uma futura renovação.

    Concluindo, as críticas que pedem simplesmente um Zé parado no tempo, e nem estou falando do traço, demonstram que o excesso de republicações certamente contribuiu para que seus leitores não percebessem que o Zé pode continuar evoluindo, assim como todo o universo Disney, a despeito das famigeradas roupas, evolui sim!

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  39. Sabemos o custo da empreitada de levar um filme aos cinemas quando se pretende torná-lo um blockbuster. Obviamente que O Cavaleiro das Trevas rendeu mais de bilhão (de dólares) em bilheteria porque foi meticulosamente estruturado para tal. Tudo ali é marketing. Nem vou me estender sobre isso. Para chegar a tais cifras, a produtora não visava a nichos de mercado (como nas variações a que você se refere).

    Radical não é o visual clássico brasileiro de Zé (aquela camiseta branca e calça azul, e não paletó, gravata e guarda-chuva) e sim esse "novidadeiro", cuja origem, segundo editor da época, nada teve a ver com anseio de público de HQs ou mesmo com os Estúdios Abril.

    Não se trata de memória afetiva, saudosismo, conservadorismo. É como o público consumidor quer o produto. Donald sem uniforme de marinheiro? Coca-Cola sem logo clássico? McDonald's sem arcos da década de 1950?

    Por outro lado, qual é o alcance hoje de uma discussão como essa, sobre a roupa do Zé Carioca? Pois se os cada vez menos consumidores de gibis no Brasil conseguem se concentrar todos, praticamente, nos "recantos fuleiros e obscuros" da internet (como você classificou os espaços que fãs de quadrinhos de banca encontraram para tentar manter viva sua paixão), não será uma reportagem com erros fatuais crassos (como a publicada no Estado) ou o post da Folha Online (que induziu o leitor a pensar que a arte de Ventura seria de Podavin) que mudará isso.

    E. Rodrigues

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  40. Concordo que o "marketing" está envolvido. Apenas considero uma generalização considerar isso uma imposição para a criação. Se houvesse realmente uma "camisa de força" não teríamos tantas variações disneyanas italianas, Don Rosa, etc. Mesmo no caso de O Cavaleiro das Trevas, seria menosprezas os talentos criativos do Nolan.

    Meu caro Rodrigues, gostaria de retificar que quando falei em "recantos fuleiros e obscuros" não estava criticando os blogs que tratam de quadrinhos em si, mas das pesadas críticas que os rondam, em que pese que não é possível considerá-las como a opinião geral do universo de leitores de HQs Disney. Por isso mesmo, é importante que os grandes e tradicionais veículos da imprensa voltem a falar mais de Disney. Posso dizer que pelo menos dois jornalistas dos grandes jornais nem sabiam que a revista do Zé ainda circulava. Essa é a importância do especial.

    Considero nosso produtivo debate encerrado.

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  41. Como fui atacado por uma leitora deste blog via twitter (sabe-se lá porque não o fez aqui), gostaria de desafiá-la a indicar onde está minha desinformação ou contradição. Coloquei meu ponto de vista que foi replicado por outro ponto de vista de forma ponderada. Pelo menos assim entendi nas respostas.

    Antes de falar do cérebro de alguém, sugiro informar-se mais sobre quem está atacando. Faço pesquisa sobre Disney na USP, criei um site sobre animação há 11 anos, tenho trabalhos científicos publicados no Brasil e exterior sobre o tema, e livros prontos. Fui convidado a colaborar no especial do Zé Carioca, acompanhei seu desenvolvimento e ajudei na divulgação. Sou um dos primeiros a torcer pelo glorioso retorno da produção nacional. A senhora pode até discordar de uma opinião, mas não admito um ataque pessoal.

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  42. Lamento muito isso (embate de ideias que descambem para ataques pessoais). Execro a associação de meu nome ou do Planeta Gibi a eles.

    Nolan: considero-o um dos maiores embustes já produzidos. Mas sei que corro risco de perder a vida se criticar coisas como Cavaleiro das Trevas ou Inception.

    E. Rodrigues

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  43. Particularmente, não gosto desse Zé moderno, mas o q realmente me apavorou aí, foram essas cores... q negocio é esse de um contorno mais forte da cor cheia em volta de todos os traços a nanquim???

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  44. No visual da turma do Zé, só não concordo com os tênis nos pés da galera, que escondem as formas diferentes de cada um. Só lendo uma história das mais antigas pra descobrir que o Zé tem aquele pé bifurcado, e que o Nestor tem pé de corvo.

    E os desenhos de Fernando Ventura me agradaram bastante, muito embora só fui conhecê-los no "Almanaque do ZC" nº 8. O traço é fluido e transmite muito bem o movimento, quase como um desenho animado no papel. Me lembrou o trabalho do pessoal da "geração 2000" da Turma da Mõnica.

    Só espero que essas revistas cheguem logo no Recife, que até agora não vi nem cheiro...

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  45. Deu até um gostinho das velhas histórias dos anos 80/90.Sou muito fã do Zé, e gostaria de obter revistas antigas assim como as novas...

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