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3 de jul de 2012

ESSENCIAL DISNEY #19 — O Detetive Mickey

Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

O primeiro artista que vem à cabeça de um leitor Disney assíduo quando se fala em Mickey Detetive é Paul Murry. Pois a penúltima edição de ESSENCIAL DISNEY traz logo duas HQs do mestre (ambas ótimas, clássicas e há muitos e muitos anos não mostradas por aqui). Antes disso, porém, iremos nos deleitar com duas produções italianas inéditas. A primeira delas, de 1975, desenvolve-se como um mistério de Agatha Christie, como bem assinala Marcelo Alencar na apresentação — como de costume, repleta de curiosidades (leia íntegra abaixo). 


O Detetive Mickey

Por Marcelo Alencar. Segundo um velho ditado, a curiosidade matou o gato. Essa lógica, no entanto, não vale para o Mickey. Pelo menos não no mundo das HQs, onde o desejo irresistível de desvendar mistérios e desfazer enigmas intrincados transformou o maior ícone da Disney no mais bem-sucedido investigador a serviço da lei e da ordem. Vale ressaltar que esse traço marcante de personalidade manifestou-se desde muito cedo no personagem: em abril de 1930, tão logo assumiu a autoria das tiras do Mickey, que circulavam diariamente em centenas de jornais americanos, o quadrinista Floyd Gottfredson (1905-1986) tratou de desenvolver narrativas que opunham o herói de orelhas arredondadas a bandidos como o inescrupuloso advogado Zé Ratão e seu cúmplice João Bafo-de-Onça. Motivado pelo instinto de sobrevivência e pelo desejo de ajudar sua amada Minnie, o herói desbancou a quadrilha que assolava o Vale da Morte.


Ainda vivendo num ambiente rural, com forte influência do Velho Oeste, Mickey tirou de circulação um bando de ladrões de ovos. Em 1934, desmascarou um assaltante que se fantasiava de morcego e, finalmente, em 1936, associou- se ao Pateta e ao Donald, montou uma agência de detetives e solucionou o caso de uma mansão assombrada por sete supostos fantasmas – que se revelaram contrabandistas muito vivos.


O ponto alto de sua carreira de detetive nas tiras de jornal, porém, deu-se em 1939, quando Mickey, já um colaborador assumido da polícia, derrotou seu maior e mais perigoso oponente: o Mancha Negra.


Então, em 1950, no gibizão Vacation Parade, o personagem foi desenhado pela primeira vez por Paul Murry (1911-1989), talvez o artista cuja obra mais ficou associada ao Mickey paladino da justiça. No traço de Murry, e frequentemente nos textos do roteirista Carl Fallberg (1915-1996), Mickey passou a exibir uma memorável expressão pensativa, compenetrada, desconfiada, caracterizada por uma sobrancelha erguida e outra abaixada. Vestindo chapéu e sobretudo, conquistou espaço cativo na revista Walt Disney’s Comics and Stories, em aventuras mais longas e divididas em capítulos. Ganhou novos parceiros na luta contra o crime, como o superherói Vespa Vermelha, o também detetive Berloque Gomes e a Polícia Internacional, para a qual chegou a cumprir missões com o status de superagente secreto – sem nunca, entretanto, abrir mão da fiel companhia do Pateta.


Na década de 1970, Mickey aceitou o papel de coadjuvante nas histórias de Sir Lock Holmes, investigador vitoriano, paródia do personagem literário de Conan Doyle. Ao longo dessa sólida trajetória, ele também viveu episódios produzidos por artistas de outras nacionalidades, com destaque para os italianos. Dois deles estão presentes nestas páginas, mas a maior atração é, sem dúvida, a trama em três partes de Paul Murry que fecha o volume com chave de ouro, trazendo um exemplo clássico e essencial do estilo “Detetive Mickey”.



O Ladrão Superveloz
Roteiro: autor desconhecido
Desenhos: Sergio Asteriti
Produzida em novembro de 1975
Numa trama repleta de mistério à la Agatha Christie, que permaneceu inédita no Brasil
por quase 37 anos, Mickey e Pateta hospedam-se na mansão de um excêntrico colecionador
de moedas cujo acervo é furtado na calada da noite. Discreta, a vítima descarta
chamar os homens da lei e pede que Mickey investigue o caso. Em meio a buscas e interrogatórios, surgem pistas falsas e afloram conflitos de interesses que exigem do herói
detetive muito mais do que sua proverbial capacidade de observação e dedução.


O Ladrão sem Rosto
Roteiro e desenhos: Maurizio Amendola
Produzida em maio de 2001
Uma onda de roubos de joias tira o sono da polícia de Patópolis. Os métodos sorrateiros
do criminoso não deixam pistas. Mickey participa casualmente das diligências
comandadas pelo Coronel Cintra e se depara com um enigma quase indecifrável. Porém,
quando o bandido se vê atraído para uma arapuca armada pelos mocinhos, o enredo
sofre uma inesperada reviravolta. História inédita no Brasil.


O Rubi de Cankong
Roteiro: autor desconhecido
Desenhos: Paul Murry
Produzida em outubro de 1964
Em viagem pelo extremo oriente na condição de jornalistas da área de turismo, Mickey
e Pateta tornam-se pivôs de uma tentativa de assalto a uma lavanderia. O dono possui
uma joia escondida num local improvável e um conhecido pilantra, também vindo de
Patópolis, lança-se ao ataque para se apossar da pedra preciosa, recorrendo, inclusive,
à truculência. Trama publicada no Brasil pela primeira vez em MICKEY 152, de 1965.


O Fogo Fantasma
Roteiro: Carl Fallberg
Desenhos: Paul Murry
Produzida em maio de 1957
Não é de hoje que Mickey colabora com a força policial patopolense. Neste clássico
da década de 1950, publicado originalmente em três capítulos no gibi americano Walt
Disney’s Comics and Stories, nosso herói vai além dos limites da cidade para resolver um
misterioso caso: atendendo às súplicas do Coronel Cintra, Mickey viaja ao vilarejo de
Vargem da Paz, onde incêndios súbitos e inexplicáveis ameaçam o emprego do Delegado
Cintra, irmão do coronel. Uma das melhores HQs de detetive do Mickey de todos os
tempos, publicada pela primeira vez no Brasil em 1964 na edição 135 de MICKEY.



Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais, 100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, R$ 10,00
Editor: Paulo Maffia
Introduções das HQs: Júlio de Andrade, Filho / Rivaldo Ribeiro / Marcelo Alencar

Desde que surgiram, nos anos 1930, os quadrinhos Disney foram sendo construídos com personagens e situações marcantes que imprimiram lembranças indeléveis em nossa memória. Formou-se em torno de cada um deles – Mickey, Donald, Patinhas e tantos outros – uma mitologia tão rica e complexa que ela passou a ser automaticamente reconhecida aos olhos do mundo. Com o passar do tempo, tornou-se desnecessário explicar a quem quer que fosse que Mickey namora a Minnie, que seu melhor amigo é o Pateta e que ele tem embates colossais com dois vilões que amamos odiar: Mancha Negra e João Bafo-de-Onça. Igualmente dispensável tornou-se apresentar Donald – sujeito irritado, azarado, que não consegue manter um emprego – ou o Tio Patinhas, sempre acossado pelos terríveis Irmãos Metralha, pelo milionário rival Patacôncio e, principalmente, pela Maga Patalójika, determinada a roubar a primeira moeda do velho muquirana para fazer com ela um amuleto e transformar-se assim na bruxa mais poderosa do mundo. Nesta nova grande coleção da Editora Abril, reunimos os assuntos prediletos que orbitam o universo Disney. Assim, ao se deparar com títulos como Tio Patinhas versus Maga Patalójika, Os Problemas Domésticos do Pateta e Os Infinitos Azares do Pato Donald, você sabe exatamente o que esperar: histórias que mostram a natureza dos personagens, os hábitos, o comportamento recorrente, as brigas, as rixas, os desafios, os laços de família e amizade. A cada volume, um novo tema. Em cada tema, uma formidável compilação de histórias em quadrinhos, clássicas e inéditas, que, acreditamos, serão tão preciosas para você quanto a Número Um é para o Tio Patinhas ou o 313 para o Pato Donald. Mais que preciosas, essenciais. 

A COLEÇÃO:
#1 — 9/mar: Tio Patinhas Versus Maga Patalójika
#2 — 9/mar: Donald e seus Sobrinhos
#3 — 16/mar: Os Problemas Domésticos do Pateta
#4 — 23/mar: Tio Patinhas e a Moeda Número Um 
#5 — 30/mar: Mickey e Minnie
#6 — 6/abr: Donald e seus Primos
#7 — 13/abr: Mickey Versus Mancha Negra
#8 — 20/abr: As Grandes Aventuras do Superpateta
#9 — 27/abr: Tio Patinhas Versus Irmãos Metralha
#10 — 4/mai: Mickey Versus João Bafo-de-Onça
#11 — 11/mai: Donald e Margarida
#12 — 18/mai: Os Passatempos Malucos do Pateta
#13 — 25/mai: As Grandes Viagens do Tio Patinhas
#14 — 1/jun: Mickey e Pluto
#15 — 8/jun: Os Infinitos Azares do Pato Donald
#16 — 15/jun: Pateta e seus Antepassados
#17 — 22/jun: Tio Patinhas Versus Patacôncio
#18 — 29/jun: Donald e seu Carro 313
#19 — 6/jul: O Detetive Mickey
#20 — 13/jul: Donald e seus Empregos que Não Duram








7 comentários:

  1. Não curto muito o rato, mas essa edição parece mesmo imperdível. Mas como não comprei nenhum dos outros volumes, não vai ser por esse que vou começar.

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  2. Eu adoro o Mickey, e acho esse volume imperdível. Vou comprar, ler e guardar para reler muitas vezes...

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  3. Nada contra Paul Murry, mas sinceramente esperava que a Abril não fosse apelar pro cara pela milionésima vez para retratar a face do Mickey Detetive. Que pena.

    Achei que poderiamos ter visto O Mistério dos Telefonemas do Cavazzano no lugar das Cartas Hipnóticas (que saiu na versão espanhola).

    Apelou-se pra Murry. Acho ruim essa coisa de que Mickey detetive tem sempre que se vincular ao Murry. O Mickey detetive existe em tantas facetas e versões. O Mistério dos Telefonemas teria ficado perfeita nessa volume.

    Muita mancada Abril...

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  4. Ué... mas nem caberia, né?

    E.Rodrigues

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  5. Nem caberia o que? Não entendi a pergunta Rodrigues.

    Ah por sinal, falando em "MIckey Detetive" lembrei de Mickey Mouse Mistery Magazine. Acho uma pena que essa série tenha tido tantos problemas lá fora pela própria Disney que não curtia essa faceta adulta do Mickey.

    É algo que eu gostaria muito de ver uma tradução oficial no Brasil, ao menos da primeira edição:

    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=372518109482291&set=a.321560051244764.76167.303549099712526&type=1

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  6. O Mistério dos Telefonemas tem muito mais páginas do que a HQ que teve que ser suprimida (porque já havia sido poublicada este ano). Ou estou enganado?

    De qualquer forma, gosto é gosto. Cavazzano é formidável, mas Murry é sempre benvindo (ainda mais essas HQs, longe das bancas há 15, 20 anos - uma delas, por sinal, não estava disponível digitalizada em nenhuma parte).

    E.Rodrigues

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  7. Sim é verdade, enquanto Cartas tem 33 páginas, Telefonemas tem 52 páginas. Precisaria ter uma solução inteligente pra ver o que fazer. Na minha opinião ao tirar a HQ das cartas do volume, perdeu-se o carro-chefe dela, e não foi reposto com outra HQ tão forte.


    Você comentou que essas HQs do Murry estão longe das bancas há 15/20 anos. Isso também não serve pra argumento.

    O Fogo Fantasma foi republicado 4 vezes ao longo dos anos, a ultima vez em 1998. Essa é a QUINTA republicação.

    O Rubi De Cankong também foi republicado duas vezes, sendo esta sua terceira. Saiu pela ultima vez em 1990.

    Já Mistério dos Telefonemas está longe das bancas há tanto tempo quanto esse material do Murry. 17 ANOS! E ao contrário das duas HQs, NUNCA foi republicado. Em pesos e medidas ela teria muito mais valor como republicação do que essas duas HQs do Murry.

    E realmente gosto é gosto. Eu já não acho que essas HQs combinem muito com a identidade da coleção, acho que Murry fica bonito em outros lugares, alias ele já ocupa outras revistas da linha Disney. Acho que não precisava apelar pra ele. Podia vir com algo mais original e criativo.

    Mas partindo da Abril, é claro que ia ser escolhido a solução mais comoda e basica.

    Concordo com você em relação ao espaço de paginas nesse caso ser um problema, mas não que Murry seja a melhor solução ou de que as HQs sejam assim tão "oh meu deus". Não são.

    Poderia ter colocado elas num almanaque do Mickey, que já tem uma área pra isso e usa e abusa de nostalgia para existir. Essencial segue uma outra linha, podia ter vindo com algo mais ousado e interessante.

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