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19 de dez de 2011

Morcego Verde recheia o ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA #5

Por Rivaldo Ribeiro

As cores fortes e o traço vigoroso do repaginado Morcego Verde de meados da década de 1990 ocupam quase toda a edição #5 do ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA, lançamento da Editora Abril (com capa inédita de Aparecido Norberto). São meia dúzia de pérolas, todas desenhadas por Paulo Borges. Curiosamente ficaram de fora as paródias cult mais facilmente identificadas com HQs clássicas de Batman (como O Cavaleiro das Trevas e A Piada Mortal). Ou seja, é de se esperar que venham mais edições semelhantes a essa.


ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA #5
Editora Abril — dez/11
revista bimestral, 84 páginas cor, formatinho 13,4 x 19 cm, R$ 4,95


Se trabalhar nunca foi o forte de Zé Carioca fica difícil de acreditar que ele teria algum talento no combate ao crime, sobretudo pela ausência de superpoderes (como a capacidade de voar do Superpateta), de armas e artimanhas poderosas (exibidas pelo Superpato) ou — vá lá — dos apetrechos criativos (como aqueles usados pelo Morcego Vermelho).

E como fazer para manter uma identidade secreta numa vizinhança onde se é tão popular? Fácil, deve ter pensado o Zé. Se Peninha conseguia, por que ele não? E sua falta de atributos especiais poderia ser compensada com inigualável habilidade em enganar e suplantar perseguidores (adquirida após anos de fuga de seus cobradores, lógico).

Assim surgiu o Morcego Verde, em meados da década de 1970, pela dupla brasileira Ivan Saidenberg e Renato Canini. No fim das contas, sua identidade nunca foi segredo para ninguém, exceto para o ingênuo Afonsinho. E faltou-lhe um Prof. Pardal para fornecer equipamentos descolados.

Sem falar da falta de aptidão para superpapagaio e de grana para sua sobrevivência! Zé chegou a usar sua identidade de Morcego para ganhar uns trocados, como em Escola de Heróis (ZÉ CARIOCA #1725, nov/84) e em Curso de Herói (ZC #1998, mai/94).

Sua trajetória é de idas e vindas, incluindo ao menos uma mudança significativa de visual. Depois de três aventuras produzidas por seus criadores, o personagem teve um descanso de cinco anos, retornando no início dos anos 1980, quando passou a aparecer com mais constância.

Esse regresso marcou uma fase mais séria (na medida do possível, claro!). O uniforme (uma touca e uma roupa velha) era o mesmo, mas seu senso crítico voltou mais apurado — ele chegou a surpreender a Anacozeca (e os leitores) ao pagar uma de suas dívidas!

Aproximava-se o momento triunfal na sua carreira. Em Um Sócio na Vila, publicada em EDIÇÃO EXTRA #166 (fev/86), Superpateta e Ultracintra viajam ao Rio de Janeiro em nome do Clube dos Heróis e o convidam para integrar o seleto clube patopolense.

Naquele mesmo ano, quando visitou Patópolis, o Morcego Verde finalmente teve a oportunidade de atuar com seu ídolo e fonte de inspiração, o Morcego Vermelho. O evento foi registrado em Muito Morcego pra Pouco Mistério (ZC #1778, jun/86). Bem, o nome da história já entrega um pouco: a dupla apronta muito em Patópolis.

Cabe registrar que, ironicamente, a coisa muda de figura em O Super-Herói (ZC #1937, abr/92). Nela, os morcegos se encontram novamente. Zé está bem desanimado com sua identidade e chega a fazer piada com o Morcego Vermelho.

A última fase de suas HQs foi uma verdadeira reviravolta na carreira. O Morcego Verde, embalado pelo sucesso dos quadrinhos e filmes de Batman, ganharia nova roupagem e abandonaria definitivamente o ar inocente. Não por acaso, também ganhava novos inimigos, mas conseguiu botar-lhes medo e até merecer o respeito daqueles que costumavam dele zombar.

Pelo menos três aventuras se destacam nessa fase, todas hoje revestidas de aura cult, dadas as paródias a que se prestaram. A primeiríssima delas, O Cavaleiro das Dívidas (ZC #2010, nov/94, sátira de Batman, O Cavaleiro das Trevas), A Piada Sem Sal (ZC #2017, fev/95, paródia de A Piada Mortal) e A Mulher-Gatinha (ZC #2024, mai/95, A Mulher Gato, claro). Nenhuma ganhou republicação até hoje.

Também dessa fase de Borges (e até o período abrangido por este almanaque) permanecem sem republicação ...E Publique-se a Lenda!, O Morcegomóvel, Cinto de... Utilidades? e O Amestrador (O Chanchada ganhou republicação em 2002).

Todas as HQs de ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA #5, por fim, ganham aqui sua primeira reedição:


O Comissário
B950121, roteiro de Arthur Faria, Jr., desenhos de Paulo Borges. Publicada antes em nov/95 (ZC #2037).

A Vingança do Descarado
B95180, roteiro de Arthur Faria, Jr., desenhos de Paulo Borges, arte-final de José Wilson Magalhães. Publicada antes em fev/96 (ZC #2044).

S.O.S. Vila Xurupita
B950221, desenhos de Paulo Borges. Publicada antes em jul/96 (ZC #2053).

Nosferrato
B960009, roteiro de Raimundo Guimarães de Cerqueira, Jr., desenhos de Paulo Borges, arte-final de José Wilson Magalhães. Publicada antes em ago/96 (ZC #2057).

Morcego Verde Enfrenta Branca de Neve
B9600016, desenhos de Paulo Borges. Publicada antes em set/96 (ZC #2058).

As Duas Faces do Morcego
B960159, desenhos de Paulo Borges, arte-final de José Wilson Magalhães. Publicada antes em mar/97 (ZC #2072).

Uma Vez Malandro...
B950117, desenhos de Aparecido Norberto. Publicada antes em dez/95 (ZC #2038). HQ onde Zé Carioca tenta aplicar golpes para comer de graça no restaurante.


Editor: Paulo Maffia
Fonte de indexação: Inducks












8 comentários:

  1. Imperdivel como tudo o que sai do papagaio.
    O Morcego Verde merecia mesmo uma edição especial, esse eu não perco.
    Lembro de outro heroi que o Ze encarnou, o Super Zé, so conheço uma historia dele, será que teve outras?

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  2. Faltou a Mulher Gatinha! =D

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  3. Belo post Rivaldo. Bela edição.

    Aproveito para perguntar uma coisinha...

    Quando jovem eu detestava aquela coisa de Zé impar e Pato par, refiro-me as numerações.

    1: Afinal, podemos considerar o último número de Zé carioca dessa fase, o 1749 ou o 1751?

    Parece uma pergunta tola, mas é que já vi diversos textos inclusive em revistas e jornais, com divergências, ora citando um, ora citando outro.

    2: Porque você não fazem um post sobre a coleção zé carioca edição extra de 1997?

    3: Já que estas edições ainda guardam um certo mistério, será que não poderia haver a possibilidade de existir Tio Patinhas, Mickey e Margarida Edição Extra, digo, todos dessa mesma série?

    4: No seu post da Margarida #2 você não citou a propaganda do almanaque da Margarida 2. Chegou a sair o anuncio?

    5: Porque você não fazem um post caprichado com cada gibi da orbis, e se já puder adiantar, a orgis (RJ) tinha licença para publicar Disney?

    6: Queria saber se o SuperPateta e /ou o super Pato já visitaram o sítio do Urtigão, onde? (não necessariamente juntos).


    Desculpe pela enxuradas de perguntas.

    Aguardo sua resposta sobre aquelas capas que te mandei via email.

    PS: Não tenho pressa pelas respostas.

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  4. Bea, pensei que iam ser as histórias do Marcleo Cassaro que parodiavam os clássicos, tinha a mulher gatinha e tal.
    Que pena.
    Mas achoq ue ainda vou comprar, mas já perdeu uns pontos. heh

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  5. A capa é ótima. Penso que adotar essa linha de "temáticos inteligentes" dentro dos almanaques é o correta. Agrupar as hqs por séries é uma grande sacada. Imperdível.

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  6. Ótimo almanaque para quem não é lá muito fã do ZC, como eu. Até tenho uma boa quantidade dos gibis mensais dele, mas mesmo assim é bom ver estas hqs do Morcego Verde repaginado em um único gibi.

    Aproveitando a sugestão do Paulo Gibi sobre publicar almanaques temáticos, sugeriria que se publique almanaques temáticos voltados para um único escritor e/ou desenhista. Seria um excelente meio para se difundir nomes dos quadrinhos Disney entre os muitos leitores que só conhecem de nome Barks e Rosa. Quando conhecem.

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  7. Respondendo ao Vinicius:

    1: Afinal, podemos considerar o último número de Zé carioca dessa fase, o 1749 ou o 1751?
    Parece uma pergunta tola, mas é que já vi diversos textos inclusive em revistas e jornais, com divergências, ora citando um, ora citando outro.

    R: É o #1749 . Na edição seguinte, a revista entra numa evidente nova fase, com mais páginas. Falamos um pouco sobre isso aqui: http://www.planetagibi.net/2011/01/60-anos-bem-contados-1981-1990-parte-2.html

    2: Porque você não fazem um post sobre a coleção zé carioca edição extra de 1997?

    R: Sim, faremos. E também sobre Pato Donald Edição Extra.

    3: Já que estas edições ainda guardam um certo mistério, s erá que não poderia haver a possibilidade de existir Tio Patinhas, Mickey e Margarida Edição Extra, digo, todos dessa mesma série?

    R: Desconhecemos qualquer informação sobre isso e acreditamos que eles não existam.

    4: No seu post da Margarida #2 você não citou a propaganda do almanaque da Margarida 2. Chegou a sair o anuncio?

    R: Não há calhau do lançamento dessa suposta edição (até porque tudo indica que ela jamais foi produzida).

    5: Porque você não fazem um post caprichado com cada gibi da orbis, e se já puder adiantar, a orgis (RJ) tinha licença para publicar Disney?

    R: Listamos isso na série Quadrinhos Disney fora da Abril http://www.planetagibi.net/2009/09/quadrinhos-disney-fora-da-abril.html. Mas é uma boa ideia incluí-los numa volta da série Gibis Raros Disney. Faremos isso.

    6: Queria saber se o SuperPateta e /ou o super Pato já visitaram o sÍ tio do Urtigão, onde? (não necessariamente juntos).

    R: Temos edições de TOPOLINO com HQs onde Superpato contracena, sim, com Urtigão (são inéditas no Brasil; #2787 e 2871). Não conseguimos nos lembrar de um encontro entre Superpateta e o velho Urtiga, e tampouco achamos registro disso no Inducks (o que não significa que não tenha ocorrido).

    Grande abraço.

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  8. Nossa! Eu tenho essa edição! Comprei a alguns meses em um sebo, e voltei a ser fã do Zé graças a ele (e de outra edição, com os primos do Zé)!

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