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30 de nov de 2011

PATETA FAZ HISTÓRIA #18— dez/11

Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

Duas histórias bem animadas nesta edição. Primeiro, Pateta é Rei Midas numa HQ cheia de citações mitológicas e gags impagáveis (como os diálogos paralelos mantidos pelos guardas do rei). Depois, ele sofrerá os efeitos colaterais provocados por uma poção que bebe sem querer: o atrapalhado protagonista ganha dupla personalidade em O Médico e o Monstro (produção que só havia saído em português no Brasil, até aqui, num encarte monocromático da edição em inglês de 1990). Veja mais.


PATETA FAZ HISTÓRIA como Rei Midas
Por Planeta Gibi. Esse é o terceiro e último episódio de Pateta Faz História que satiriza eventos da mitologia greco-romana. Depois de Ulisses e Hércules, Pateta agora é o Rei Midas — aquele que obteve de Baco, o deus do vinho, o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse.

Além de João Bafo-de-Onça, no papel de Baco, também Mickey terá presença marcante na história, como ministro do rei. Na lenda, é o pai de Baco que fica temporariamente sob os cuidados de Midas, e não uma vaca, como vemos na HQ. A substituição, claro, é providencial para garantir mais humor à trama.

Assim como em Pateta Hércules, Pateta Rei Midas inunda os quadrinhos com referências aos mitos. Assim, sátiros, centauros, sereias, ciclopes, cavalos alados etc. surgem por todos os lados, enquanto outras figuras mitológicas são colocadas em situações inusitadas, como o Cavalo de Troia pastando nos jardins de Pateta, o Javali de Erimanto (popular no mito de Hércules) perseguindo nossos amigos, Vulcano (ou, em grego, o ferreiro Hefesto) ferrando um centauro e Hipócrates (considerado o pai da Medicina) oferecendo seus serviços.

Também brinca-se com Esopo, personagem grego ao qual se atribui a gênese da fábula mas que, ele próprio, talvez não passe de uma lenda. Num dos quadrinhos também mostra-se um arremedo do calcanhar de Aquiles, com providencial curativo; noutro, destaca-se Penélope tricotando uma interminável blusa para seu constrangido Ulisses. A explicação: quando Ulisses é dado como desaparecido, o pai de Penélope determina que ela se case novamente. Fiel ao marido, compromete-se a somente acatar essa ordem quando concluísse o tecimento de uma peça de roupa — que ela desmanchava em sigilo toda noite, tornando a tarefa infindável.

Outra piada que merece ser explicada é o cartaz que afirma ser Homero o autor do primeiro gol: o poeta grego teria descrito na obra A Odisseia um jogo semelhante ao handebol.

Além dessa riqueza de detalhes e citações, o leitor ainda irá se entreter com os absurdos que envolvem a guarda real de Pateta. A história já começa com dois guardas conversando discretamente — mas não tão em segundo plano — sobre o destino do cavalo de um deles. Suas indumentárias, enquanto isso, vão desde escudos de pizzas e bolos de aniversário (cujas fatias vão sumindo de um quadrinho para outro), até lanças em formato de pirulito e armaduras feitas à semelhança de satélites e cápsulas espaciais ou apetrechos de cozinha, como escorredor de macarrão e ralador de queijo.

O mito do Rei Midas, e sobretudo de seu toque, foi muito explorado nos quadrinhos Disney. Mas uma dessas HQs é uma célebre e especial criação do mestre Carl Barks: pois foi há exatos 50 anos, em O Toque de Midas, que surgiu a feiticeira Maga Patalójika.

PATETA FAZ HISTÓRIA como Rei Midas
Roteiro: Cal Howard
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Adalberto Rubén Torreiro
Tradução: Jose Fioroni Rodrigues

PATETA FAZ HISTÓRIA como O Médico e o Monstro
Por Planeta Gibi. Se um Pateta já é suficiente para inundar de bom humor uma sátira, não é difícil imaginar o que podemos esperar de uma HQ onde o personagem manifesta dupla personalidade, cada qual ignorando as ações da outra.

Nada de monstro, aqui. Toda vez que o dr. Pateta Jekyll bebe (inadvertidamente) a poção que preparou para reanimar uma plantinha, desaparece sua personalidade contida e séria (mas ainda assim bem atrapalhada) e em seu lugar surge um tipo festeiro e dado a travessuras.

A sátira a O Médico e o Monstro, o livro de Robert Louis Stevenson (autor do igualmente best seller A Ilha do Tesouro) transfere a trama do século XIX para tempos menos antigos, onde um transmutado Pateta rouba a cena na pista de dança e chega a atuar como um John Travolta em plenos Embalos de Sábado à Noite, filme musical de 1977 que arrasou nas bilheterias e desencadeou a febre das discotecas pelo mundo.

Mas a história continua ambientada em Londres — possibilitando uma das maiores traquinagens de Pateta nesta coleção, em plena torre do Big Ben. Dos personagens habituais desses episódios, mais uma vez comparecem Mickey e Clarabela. A surpresa fica por conta de Minnie, numa raríssima aparição nesta coleção.

Mas sobra pouco espaço para esses coadjuvantes, já que Pateta e suas duas personalidades distintas ainda terão companhia da tal planta, que ficará, digamos, bem soltinha depois de experimentar os efeitos da poção — há um jogo de palavras intraduzível: no original em inglês, a flor é uma hydrangea (hortênsia), palavra cujo início pronuncia-se da mesma forma que "Hyde", numa alusão ao título original do livro, Dr Jekyll and Mr Hide.

As usuais citações a outras obras aguçam a curiosidade do leitor desta série. Aqui, Pateta diz que uma vez viu no cinema um cara subir as escadas dançando. Ele está se referindo ao filme A Mascote do Regimento, estrelado pela míni-atriz prodígio Shirley Temple em 1935. A cena clássica é protagonizada pelo ator e sapateador Bill "Bojangles" Robinson.

Não é a primeira vez que Pateta é acometido pelo fenômeno da múltipla personalidade, a propósito. No curta-metragem clássico Motor Mania, de 1950, a índole inocente e paciente do personagem transfigura-se alucinadamente tão logo ele se coloca atrás do volante de um automóvel, numa engraçada e incisiva crítica à postura agressiva adotada às vezes por motoristas — tema ainda bem atual, é forçoso notar.

Quanto aos quadrinhos, é difícil apontar criação mais popular inspirada nessa ideia de Stevenson do que o dr. Bruce Banner e seu lado monstro, o Incrível Hulk, surgidos há 50 anos nos gibis Marvel, pelas mãos dos geniais Jack Kirby e Stan Lee.

PATETA FAZ HISTÓRIA como O Médico e o Monstro
Roteiro: Cal Howard
Desenhos: Anibal Uzál e Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Adalberto Rubén Torreiro
Tradução: José Fioroni Rodrigues


Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais
100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, capa cartonada, lombada quadrada, miolo offset, R$ 9,95
Editor: Paulo Maffia
Biografias: Júlio de Andrade, Filho
Introduções das HQs: Rivaldo Ribeiro





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