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26 de out de 2011

PATETA FAZ HISTÓRIA #13 — out/11

Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

Hércules e Arquimedes. Teste aqui seus conhecimentos sobre a Antiguidade e a Mitologia Greco-romana. A quantidade de referências e elementos de cena incentivam o leitor a buscar nos livros e na internet a que, exatamente, estão se referindo Pateta e seus colegas. Diversão de primeira que não se encerra em si — quer característica cada vez mais rara nos quadrinhos, sobretudo não-Disney? Vale o registro: Pateta Arquimedes foi destaque na última edição da tradicionalíssima ALMANAQUE DISNEY (jul/05).


PATETA FAZ HISTÓRIA como Arquimedes
Por Planeta Gibi. A história que abre esta edição é dividida em duas partes. Na primeira, conhecemos a infância de Pateta Arquimedes, sua viagem de estudos para Alexandria e a origem de algumas de suas invenções geniais.

Para fazer graça, algumas coisas não saem bem como o esperado e Pateta é obrigado a retornar à sua terra natal, Siracusa. Nessa segunda parte, ficamos conhecendo um pouco mais da genialidade do grego e, claro, não poderia faltar, o surgimento da interjeição "eureka".

Mickey, ou "Mikímedes", faz o papel de Heráclides, o amigo do matemático que escreveu sua biografia — trabalho esse dado como desaparecido. João Bafo-de-Onça vive o faraó Ptolomeu II Filadelfo, para quem Pateta demonstra algumas de suas mais célebres invenções, como o parafuso hidráulico e a alavanca.

Na verdade, ambos os dispositivos surgiram para atender necessidades do Rei Hierão II (de Siracusa, e eventualmente apontado como parente do matemático). Não há registro de encontro do faraó com Arquimedes, mas a HQ não perde a chance de brincar com essa possibilidade.

Assim, Pateta acaba expulso do Egito quando, ao mostrar a funcionalidade da alavanca, acaba por jogar a Esfinge no Rio Nilo — numa sequência onde profere uma de suas máximas mais famosas (adaptada à cena), "dêem-me um ponto de apoio e moverei a Terra”. Já a interjeição "eureka" (do grego, "encontrei") é usada nos quadrinhos quando o protagonista percebe que um de seus "brinquedos", a catapulta, será útil para deter o ataque da frota romana sob comando do General Marcelus.

Pateta ainda guarda uma surpresa para os inimigos, um sistema de espelhos capaz de refletir a luz do Sol e incendiar os navios. Há relatos da efetividade dessa engenhoca criada pelo grego, mas não necessariamente atrelados àquela ofensiva romana, diferentemente do uso da catapulta: sua utilização contra os homens de Marcelus foi assim semelhantemente narrada pelo filósofo Plutarco.

O legado de Arquimedes é homenageado e sintetizado na HQ, de certa forma, quando seu pai exclama que o menino tinha inventado algo que só surgiria dali a 1800 anos. O telescópio, no caso. A citação é emblemática porque a obra do grego contribuiu sobremaneira com a ciência moderna, tendo influenciado notadamente Galileu Galilei, entre muitos outros. Galileu foi o primeiro a fazer uso científico do telescópio e, dentre seus escritos, há um estudo sobre a mecânica dos corpos na água que foi baseado em trabalho arquimediano.

Arquimedes batizou ao menos dois personagens Disney. O Prof. Pardal, na Itália, leva o nome desse gênio da Antiguidade, por razão óbvia e homenagem justa. Menos famosa, a coruja do Mago Merlin no 18º Clássico Disney, A Espada Era a Lei, também é chamada (internacionalmente, exceto na Itália) pela alcunha do grego.

Pateta Arquimedes foi a última HQ da série a ser publicada no Brasil, antes do início desta coleção. Isso ocorreu em julho de 2005, justamente na última edição do tradicionalíssimo ALMANAQUE DISNEY.

PATETA FAZ HISTÓRIA como Arquimedes
Roteiro: Carl Fallberg
Desenhos: Anibal Uzál e Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Publicada primeiro em 1984



PATETA FAZ HISTÓRIA como Hércules
Por Planeta Gibi. Pateta Hércules é o filho de Zeus, deus soberano do Olimpo, com Alcmena, uma simples mortal. Nessa condição, tem força extraordinária e posição de herói. Mas é vulnerável.

Hera, a esposa de Zeus por ocasião do nascimento do menino, é a deusa do casamento e da fidelidade. Como tal, execra relacionamentos extraconjugais e, sobretudo, repudia os filhos ilegítimos do marido. Vivida por Clarabela, num inusitado papel vilanesco, Hera submete seu desafeto ao cumprimento de tarefas impossíveis — os célebres Doze Trabalhos, nos quais a HQ basicamente se concentra.

Pateta pensa que ao cumpri-los estará redimido de uma falta supostamente grave que cometera. Clarabela, no entanto, tenciona destruí-lo com tais tarefas.

A história brinca com o mito e substitui boa parte das lendárias tarefas por outras, absurdas e divertidas, como o uso invertido da máxima popular “não queira atravessar a ponte antes de chegar nela” (algo como “não sofra por antecipação”). Pois Pateta terá que descobrir justamente como fazer isso (e o leitor verá que ele sabiamente conseguirá!).

Também faz piada com a confusão normalmente causada pelo uso misturado das terminologias gregas e latinas: utiliza-se aqui a nomenclatura romana do herói (que em grego chama-se Héracles), mas sua “madastra” e seu pai são chamados pelos nomes gregos. Isso renderá uma piada em dado momento da história, quando se chama a atenção para o uso indevido do nome Júpiter (o equivalente romano para Zeus).

As páginas são coalhadas de referências mitológicas. Algumas óbvias, como o cavalo alado Pégaso, outras nem tanto, como o soldado dormindo nos braços da estátua de Morfeu (deus grego do sonho) e a escolha acertada de Clarabela para o papel de Hera (a vaca era um animal sagrado para a deusa).

Algumas menções, no entanto, são mais eruditas. Repare que num canto do primeiro quadro da página [5 da HQ] temos o filósofo grego Diógenes de Sínope, instalado em seu barril e com sua lanterna acesa (tudo como reza a lenda), vociferando contra Aquiles.

Hércules também foi tema do 35º Clássico Disney, dirigido por John Musker e Ron Clements — a dupla responsável por A Pequena Sereia, o longa que recolocou as animações Disney nos trilhos do sucesso. Hércules estreou em 1997 e gerou um seriado para a televisão que durou 65 episódios, além de ter uma continuação lançada diretamente em vídeo, em 1999.

Nos quadrinhos Disney, merecem destaque as paródias Zércules (publicadas em três edições de ZÉ CARIOCA, em 1996) e Os Doze Trabalhos do Morcego Vermelho, uma saga de quase 60 páginas produzida pela dupla brasileira Ivan Saidenberg e Carlos Edgard Herrero — vista por aqui uma única vez, na revista EDIÇÃO EXTRA 72 (1976), essa aventura acabou sendo publicada em outros países, como Portugal, França, Itália e na própria Grécia.

PATETA FAZ HISTÓRIA como Hércules
Roteiro: Cal Howard e Carl Fallberg
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Tradução:
Publicada primeiro em 1983





Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais, 100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, R$ 9,95
Editor: Paulo Maffia
Biografias: Júlio de Andrade, Filho
Introduções das HQs: Rivaldo Ribeiro






Um comentário:

  1. Essa coleção é um grande tesouro Disney e um presentaço a nós, leitores.
    Clarabela contracenando com Pateta, acho que tem tudo a ver. É quase que um Mickey e Minnie, ainda eles sejam animais diferentes. Mas, na minha opinião, rola uma certa química aí.
    Quero conferir a edição pessoalmente, mas parece que a segunda HQ é mais engraçada do que a primeira. Isso, só vendo mesmo...

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