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28 de set de 2011

PATETA FAZ HISTÓRIA #9 — set/11

Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

Uma das mais engraçadas HQs da série está neste volume 9 de PATETA FAZ HISTÓRIA. Marco Polo (assim como ocorre com Rei Artur, que veremos em breve) quase se esquece da história original para se esbaldar nas possibilidades humorísticas que encontra no caminho. Em contraponto, Pateta Goethe prova (novamente) a destreza dos artistas desta coleção ao conseguir transpor para os quadrinhos, de maneira delicada, a biografia de tão ilustre figura — e da qual nem se deveria esperar gracejos. Mas eles estão lá, claro.


PATETA FAZ HISTÓRIA com Marco Polo
Por Planeta Gibi. Nesta coleção, poucas vezes Pateta delega o papel-título a outro personagem. Uma dessas exceções ocorre aqui, onde é convidado por Mickey Marco Polo para acompanhá-lo em sua histórica (ou lendária, como afirmam alguns) viagem à China. Pateta poderia ser um anônimo qualquer nessa HQ — se não tivesse o talento para roubar a cena em todas suas aparições. Logo de cara ficamos sabendo que ele vendeu tudo o que possuía em casa para poder empreender a viagem. Decidem então partir da bela Veneza para sua expedição. Pateta atravessa a porta de casa e mergulha direto no canal. “Sempre esqueço que moro em Veneza”, desculpa-se para um já impaciente Mickey. Estamos só no comecinho de nossa história e muitas outras piadas com os canais da cidade se seguem, ficando definitivamente entre as mais inspiradas da série.

Já no navio, Pateta e Mickey são tapeados pelo imediato (e único tripulante da nau, passando-se por capitão, camareiro e delegado) que lhes vende malas, pasta de dente e passaporte, numa sequência inacreditável de extorsão e nonsense.

Na Palestina, os viajantes partem para a longa travessia da Pérsia sobre uma camela geniosa — que em dado momento, apesar de suas desavenças com Pateta, passará a ser carregada em suas costas. Finalmente, chegam ao destino mas deparam-se com uma intransponível Muralha da China (e até o narrador da HQ faz piada com a direção que eles escolhem para seguir).

Mickey Marco Polo é atípica no que se refere aos vilões. Dessa vez não há Bafo-de-Onça ou Metralhas para atrapalhar, apenas uma cambada de desastrados beduínos que participam de uma das melhores cenas da HQ e acabam voltando 24 anos depois para completar o serviço, agora cruzando os canais de Veneza sobre seus camelos.

Acompanhado de seu pai e de um tio, o verdadeiro Marco Polo tinha muitos objetivos a alcançar em sua grande viagem. Um deles era chegar na China do imperador Kublai Khan, o quinto Grande Khan do Império Mongol. Na HQ não há cunho diplomático, somente comercial. Mickey e Pateta apenas almejam as riquezas que podem obter por lá e acabam não sendo recebidos com tantas honrarias como ocorreu com a real expedição (na verdade, a chegada inesperada quase custa a vida de nosso amigo Pateta).

A viagem de Marco Polo à China já foi contada em detalhes noutra HQ Disney, com Donald no papel principal (vista em CLÁSSICOS DA LITERATURA DISNEY 6, de 2010). Já na série francesa Mickey Através dos Séculos, o camundongo viaja no tempo e acaba se encontrando com o Marco Polo em pessoa (inédita no Brasil).

PATETA FAZ HISTÓRIA com Marco Polo
Roteiro: Cal Howard
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Tradução: José Fioroni Rodrigues
Publicada primeiro em 1977


PATETA FAZ HISTÓRIA como Goethe
Por Planeta Gibi. Uma das características mais notáveis das HQs desta coleção é a habilidade dos quadrinistas em encaixar Pateta em papéis tão distintos e, surpreendentemente, sem que suas principais características sejam perdidas. Em Pateta Goethe, optou-se por manter a narrativa concentrada na infância do personagem retratado por quase metade da trama. Esse recurso suaviza a densa biografia do gênio alemão e serve para demonstrar ao leitor que o menino carrega o gosto pela literatura desde o berço.

Antes disso, um prólogo dá o tom de comédia peculiar à série. Situações hilárias ocorridas com ancestrais de Pateta são exibidas de forma a explicar ao leitor de onde vem a fama de cabeças nas nuvens que têm os poetas. Assim, somos levados à pré-história, com Pateta treinando a récita de versos para mamutes e tigres dentes-de-sabre, num aquecimento para impressionar sua amada. Como se pode imaginar, ele não é muito bem sucedido. Pulamos, então, alguns séculos, até a época do Império Romano. Outro fiasco (e bem engraçado). Dali, somos transportados até a Idade Média, onde Pateta é poeta do castelo (e também o faxineiro, zelador e faz-tudo, diga-se de passagem) que recebe do rei Bafo-de-Onça uma tarefa que finda de forma nada romântica. Tudo para concluir que essa predisposição ao fracasso que parecia perseguir os poetas foi rompida por Goethe, cujo talento tornou-o rico e famoso, além de elevar o conceito do poeta e suas obras.

A propósito, a preocupação do pai de Pateta Goethe em ter um filho poeta, considerando o histórico familiar de fracassos nessa área, é logo substituída pelo entusiasmo com os diversos talentos que o menino não tarda a exibir, como arquiteto, cientista, político, músico, botânico. A HQ exemplifica isso e não se exime de abordar o relacionamento não muito afetuoso que houve entre pai e filho na vida real, porém fazendo justiça aos esforços do pai em assegurar a formação mais adequada para cada talento exibido pelo filho.

O que encontramos a seguir são quadrinhos salpicados de referências históricas e literárias. Mickey é Mickermann, representando Johann Peter Eckermann, também poeta e amigo de Goethe. Os não tão inocentes metralhinhas vivem Fausto I e II, aludindo a uma das mais famosas obras de Goethe, lançada em dois volumes, sobre a lenda germânica do médico atormentado que faz um pacto com Mefistófeles. Goethe teve forte influência de Shakespeare em sua obra e em sua busca de um teatro alemão, adaptado ao gosto de seu povo. Pois a HQ referencia isso na citação de Hamlet, assim como Goethe o fez em sua obra Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister. Também influenciado pelo escritor alemão e amigo Friedrich Schiller, Pateta Goethe cita uma de suas peças mais famosas, Os Bandoleiros, quando é feito prisioneiro pelos Metralhas.

Goethe foi o último episódio da série Pateta Faz História. Produzido em 1987, só seria publicado muitos anos depois, numa coleção italiana de paródias disneyanas. No ano passado, vimos por aqui outro grande personagem Disney vivendo o escritor.

Em CLÁSSICOS DA LITERATURA DISNEY 16, Donald fez o papel-título da HQ Os Sofrimentos do Jovem Werther, homônima do livro de cunho autobiográfico que é considerado a obra-prima de Goethe. E na edição 28 daquela mesma coleção, o leitor teve o prazer de encontrar uma das mais vigorosas HQs Disney já produzidas, Doutor Fausto, também inspirada no livro do alemão.

PATETA FAZ HISTÓRIA como Goethe
Roteiro: Carl Fallberg
Desenhos: Anibal Uzál e Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Tradução: Raoni Naraoka
Produzida em 1987, publicada primeiro em out/00


Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais, 100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, R$ 9,95
Editor: Paulo Maffia
Biografias: Júlio de Andrade, Filho
Introduções das HQs: Rivaldo Ribeiro




Um comentário:

  1. Legal o pateta é muito cativante e estou adorando a coleçao pateta faz historia

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