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21 de set de 2011

PATETA FAZ HISTÓRIA #8 — set/11

Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

A bela paisagem de Veneza é retratada em minúcias de detalhes em Pateta Casanova, a HQ inédita desta edição de PATETA FAZ HISTÓRIA. Ao famoso caráter de mulherengo sobrepõe-se aqui uma personalidade mais sedutora — e nem por isso menos desastrada, como se deve esperar de Pateta e desta série de sátiras históricas. Pateta Gutenberg, por sua vez, impressiona pela primorosa fluidez de gags verbais e visuais. Quem já leu vai gostar de rever esse clássico Disney, agora restaurado.


PATETA FAZ HISTÓRIA como Gutenberg
Por Planeta Gibi. Em Pateta Gutenberg, Clarabela surge novamente como mãe do protagonista. E mais uma vez ela defende com braveza o filho peralta das críticas alheias — mas não o poupa, porém, de suas próprias queixas. A impaciência de Clarabela com as invencionices do menino culmina com a reação da mãe à partida do filho para Estrasburgo: a piada é ótima, inesperada e, dirão alguns, algo cruel se confrontada com a inocência habitual de Pateta. Mas é perfeita para que fique desde logo estabelecido com os leitores o nível de humor escrachado e nonsense que permeará toda a história.

É notório o acertado timing das gags nos episódios desta coleção. Em Pateta Gutenberg, contudo, chega-se à perfeição: é primorosa a sequência do restaurante, por exemplo, onde nosso astro surpreende todos com sua decisão de comprar 200 litros de sopa de letrinhas. Os criadores da HQ esticam a cena habilmente, sem pressa e sem perder o ritmo. O resultado assemelha-se a um storyboard possível de um filme dos irmãos Marx. Também as soluções propostas por Pateta são hilárias. Ora, Johannes Gutenberg justamente ficou célebre por utilizar tipos de chumbo, incomparavelmente mais duradouros do que as matrizes de madeira que se prestavam até então para impressões rudimentares. Aqui, a ideia de se usar macarrão para essa finalidade só não é mais absurda do que o método que Pateta encontra para secá-lo (ainda bem que ele tem ao seu lado Mickey, sempre disposto a tentar organizar as ideias não tão brilhantes do amigo).

A zombaria à invenção máxima de Gutenberg segue até o final: ao invés de sermos brindados com os resultados de tão revolucionário equipamento, o que vemos é uma cidade emporcalhada com a infinidade de cartazes que ele ajuda a produzir.

O embrião da série Pateta Faz História surgiu em 1975, nas páginas da americana DISNEY MAGAZINE (publicação especialmente criada para ser distribuída de brinde na compra de produtos de uma grande indústria do ramo de higiene e limpeza). Em seus dois anos de duração, essa revista trouxe artigos e intercalou HQs de Sir Lock Holmes com sátiras históricas protagonizadas por Pateta, Mickey e Clarabela. A maioria dessas sátiras foi revisitada e passou a integrar esta coleção. Mas se os episódios dedicados a Cleópatra e Isaac Newton, por exemplo, foram totalmente repaginados em suas novas versões, é curioso notar que em Pateta Gutenberg a arte do genial Al Hubbard (co-criador de Peninha e Urtigão, entre outros) foi reaproveitada e estendida, por Hector Adolfo de Urtiága, das 12 páginas originais para as 44 que veremos a seguir.

Gutenberg já deu as caras em outra HQ Disney, pelo menos. Na década de 1950, Mickey viajou no tempo e conheceu-o pessoalmente. Inédita no Brasil, essa história é uma das aventuras da duradoura série francesa Mickey Através dos Séculos, que chegou a ganhar em 1976 uma compilação luxuosa pela Editora Abril.

Curiosidade extra: quando os Estúdios Abril traduziram essa HQ no início dos anos 1980, um caco foi introduzido entre as inúmeras plaquinhas da última página. Numa delas se lê “Cão Fila Km 22”. A inscrição, enigmática para muitos, começou a ser pixada nos anos 1970 em muros, postes e até em barrancos de toda São Paulo. Ficou tão popular que acabou sendo reproduzida no resto do país. O fenômeno chegou a ser analisado pela revista Veja em 1977 (edição #461), quando finalmente teve seu significado explicado em nível nacional: tratava-se da propaganda de um canil nos arredores de São Paulo.

PATETA FAZ HISTÓRIA como Gutenberg
Roteiro: Cal Howard
Desenhos: Al Hubbard e Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro e Steve Steere
Publicada primeiro em 1978



PATETA FAZ HISTÓRIA como Casanova
Por Planeta Gibi. Pateta Casanova pode ser apreciada de muitas maneiras. Primeiro, há que se destacar os cenários espetaculares da HQ. A cidade de Veneza é minuciosamente retratada em sua arquitetura, suas pontes, canais e gôndolas. Depois, em Paris, além de poder apreciar as belas cenas externas, o leitor é convidado a conhecer o palácio de Versalhes, com seus lustres, mobílias e adornos desenhados numa profusão de detalhes.

Inseridos no clima romântico e nostálgico propiciado pela arte, mergulhamos tranquilamente na trama, não menos interessante. Daí surge um Casanova mais galanteador do que mulherengo — bem mais apropriado para um episódio de Pateta Faz História, claro.

E vão se enumerando suas "qualidades": bon-vivant, cara-de-pau, aproveitador, folgado... Tudo regado abundantemente com o bom humor característico da série, desta vez mais leve do que de costume. Pateta Casanova não hesita em usar de seu charme (com as mulheres) e lábia (com os homens) para conseguir tudo o que quer — hospedar-se no melhor quarto de um hotel de luxo sem ter posses para isso, por exemplo. Malandro e presunçoso, toma "emprestadas" gôndolas e carruagens, acreditando que seus donos ficarão lisonjeados ao saber que Casanova fez uso delas.

Um predicado frequentemente associado a Giacomo Casanova é veementemente repudiado por Pateta, porém: o de espião. E aí começam as similaridades entre a figura histórica e o nosso personagem. Assim como Giacomo, Pateta também ganhou uma fortuna num momento para, no instante seguinte, ver-se apenas com a roupa do corpo (pior: fugindo de um forçado compromisso conjugal, ainda por cima). Além de exímios espadachins, um conhecido vício também foi comum a eles: Giacomo amealhou fortunas jogando; Pateta também — e aproveitou para pagar o tal hotel chique em que se hospedara. E ambos cruzaram com o Rei Luís XV e Madame Pompadour (vivida na HQ por Clarabela, que foi confidente de Pateta Casanova e acabou por salvar-lhe o pescoço, literalmente). Finalmente, nossos casanovas tiveram a oportunidade de mostrar seus talentos para a literatura: Giacomo, com sua autobiografia História de Minha Vida; Pateta, com seu Manual Pateta Casanova de Piadas, Brincadeiras, Gracinhas, Trapaças, Anedotas, Gracejos, Gozações e Outras Coisas Engraçadas.

Outra figura conhecida na HQ é Mickey, agora como um turista em Veneza, espantado com o caótico trânsito de gôndolas em Veneza, levadas em altíssima velocidade, como se fossem lanchas, porém movidas a remo, o que resulta em boas piadas visuais. Mickey enreda-se nas confusões de Pateta e acaba por segui-lo até o final, acompanhando suas peripécias, enquanto fogem da polícia.

PATETA FAZ HISTÓRIA como Casanova
Roteiro: Carl Fallberg
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Publicada primeiro em 1987



Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais, 100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, R$ 9,95
Editor: Paulo Maffia
Biografias: Júlio de Andrade, Filho
Introduções das HQs: Rivaldo Ribeiro




7 comentários:

  1. Assinatura, na minha opinião é sempre bom, pois é um sinal de que a revista não corre (tanto) o risco de ser cancelada.
    Mas não é segurança.
    Eu mesmo já tive dinheiro reembolsado pela abril na década de 90 por assinaturas de pacotes de revistas que foram canceladas.

    Hoje não assino mais, prefiro ir na banca e escolher o gibi legal sem nenhum amassado, além do mais algumas vezes a assinatura vem bem depois que as revistas estão nas bancas.

    e eu não entendi, se o PG puder explicar melhor.

    Como vai ser feito o pacote, já que mistura uma revista bimestral com mensais?

    grande abraço e parabens pelo texto de introdução de Pateta Faz História, tive a oportunidade de ler as edições 3, 4 e 5 e achei excelente, as outras ainda não tive tempo de tirar do lacre.

    Só um dúvida.
    Porque a Abril trocou Marcelo Alencar por Rivaldo Ribeiro e Julio de Andrade? o texto do Marcelo era ruim ou houve desacordo com a Abril?(algo me diz que voces não vão responder - é que achei muito estranho)

    Eu queria aqui também informar/denunciar que algumas bancas aqui do Rio estão vendendo as edição 1 e 2 separadas a R$9,90 cada.

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  2. Vinicius,
    PFH tem sido distribuído às bancas a partir das quartas-feiras.
    Pacote: presume-se que num mês recebe-se PD ZC MK TP e no outro essas mesmas revistas, mais o DB.
    Os textos de PFH: a Abril fez o convite e não se abordou o porque, nem era o caso. Os textos de Marcelo são excepcionais. Nem sempre há disponibilidade para se trabalhar em todos os textos de uma coleção. Note que CLD, por exemplo, foi assinado por profissionais diferentes em seu curso.

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  3. O Marcelo é funcionário da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), então o tempo dele é meio restrito, então ele decidiu se concentrar mais na tradução das HQs. No momento, eu e ele estamos trabalhando juntos em um projeto de um especial em quatro edições para o final de 2012 que é bem legal. Breves novidades!

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  4. "eu e ele estamos trabalhando juntos em um projeto de um especial em quatro edições para o final de 2012 que é bem legal."

    ^Uia...agora fiquei curioso...que raio será isso,kkk!:D

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  5. "...um projeto de um especial em quatro edições para o final de 2012 que é bem legal."

    Esses especiais e minisséries que vêm saindo periodicamente, tem sido, na minha modesta opinião, a cereja do bolo nessa fase atual dos quadrinhos Disney.

    Tenho acompanhado tudo e comprado boa parte deles. Sensacional.

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  6. "Clássicos da Literatura Disney" e "Pateta Faz História" são jóias preciosas que surgiram por esforço e méritos de Paulo Maffia e seus colaboradores. Fico feliz em saber que nosso editor está trabalhando, à todo vapor, em novos projetos. Penso que não podemos deixar lacunas entre essas coleções especiais. Conquistamos esse espaço à duras penas, e não podemos deixar a "peteca cair". Que venham mais novidades, e saborosas coleções nesse formato CLD/PFH, que é gostoso de ler e colecionar. A periodicidade semanal é excelente, e sua eficaz distribuição, mostra a incrível capacidade gerencial e logística da querida editora Abril, a guardiã dos quadrinhos Disney no Brasil, há mais de 60 anos. Abs.

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