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17 de ago de 2011

PATETA FAZ HISTÓRIA #3 — ago/11

Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

Uma mistura de Pedro Álvares Cabral com Luís de Camões com Bartolomeu Dias com Vasco da Gama é o que o leitor encontrará de inédito no 3º volume de PATETA FAZ HISTÓRIA — cuja qualidade editorial e gráfica mostrou-se impecável em sua estreia. E o que ZÉ CARIOCA BRASIL 500 ANOS teria a ver com isso? Veja abaixo e compare no "jogo dos 7 erros" desta semana. E ainda, como se fosse pouco, a tresloucada versão de Galileu Galilei com o nosso astro.



PATETA FAZ HISTÓRIA como Galileu Galilei
Por Planeta Gibi. A história que abre este volume é uma das mais famosas e bem humoradas da série, com Mickey fazendo divertido uso de metalinguagem para ironizar sua condição de personagem secundário — e, eventualmente, nada mais que figurativo. Brincadeiras com anacronismos, uma das marcas da série, continuam neste episódio. Logo no início, Pateta sugere que joguem boliche e seu amigo retruca ser impossível, já que estão em 1609 e o jogo ainda não foi inventado. Poucas páginas depois, também, o fabricante de óculos atende o telefone, aparelho que só seria inventado em 1876.

A sucessão de gags suaviza a temática por vezes desconfortável da biografia do cientista, como seu julgamento por defender o heliocentrismo. Tampouco é sublimada a passagem que marca a superação de ideias aristotélicas pelos pilares da ciência moderna, fincados por Galileu. Muito ao contrário, não só esse tema é abordado como, de quebra, ainda ficamos sabendo como a Torre de Pisa ganhou sua célebre inclinação! Pura genialidade dos quadrinistas, claro.

Pateta Galileu Galilei foi a segunda história da série a ser publicada no Brasil, em ALMANAQUE DISNEY 85 (jun/78). Pouco mais de três anos depois, a Editora Abril lançou uma coleção reunindo doze aventuras da série. Alguns países europeus já haviam feito algo semelhante, mas por aqui tivemos um bônus muito significativo. Cada HQ era introduzida por boas tiradas de Pateta e Mickey, brincando com as situações que iriam viver nas páginas seguintes e com as aventuras que haviam acabado de protagonizar. Esses quadrinhos foram especialmente produzidos pelos Estúdios Abril em São Paulo, desenhados por Roberto O. Fukue. De um total de 36 páginas, dez delas puderam ser revistas quando DISNEY ESPECIAL 165 (fev/98) teve como tema justamente a série Pateta Faz História.

A trajetória de Galileu foi recentemente revisitada pelos personagens Disney. Em TIO PATINHAS 544, lançado no final do ano passado, é Prof. Pardal quem faz o papel do cientista. E ainda que tenha a companhia dos atrapalhados Donald e Peninha, a trama ali é conduzida de forma mais contida, passando ao largo de alguns dos pontos mais polêmicos da vida do físico italiano.

Roteiro: Cal Howard
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága
Arte-final: Jaime Diaz Studio
Tradução: José Fioroni Rodrigues
Publicada primeiro em 1977


PATETA FAZ HISTÓRIA nas viagens de Vasco da Gama
Por Planeta Gibi. Esta HQ coloca os navegadores Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral juntos com o poeta Luís de Camões no mesmo barco, literalmente. E aqui temos uma das poucas aventuras da série onde Pateta não é o intérprete do personagem-título. Único astro Disney da trama, a ele cabe o papel de Bartolomeu Dias (ainda que isso fique apenas subentendido), o primeiro europeu a dobrar o Cabo da Boa Esperança e, por essa experiência, o escolhido para seguir à frente da esquadra capitaneada por Vasco da Gama, cujo destino era alcançar a Índia.

Cabral, apesar de ter sido contemporâneo de Vasco da Gama, traçou caminho bem diferente, como sabemos. E isso renderá uma boa piada em nossa história. Já Camões, consta que tenha nascido justamente no ano da morte do navegante, mas sua obra maior, Os Lusíadas, enaltece os feitos do povo português ao abordar, em sua maior parte, essa expedição — que inaugurou a rota comercial até o subcontinente indiano.

No estilo peculiar da série, às piadas somam-se fatos realmente ocorridos, como na passagem em que nossos heróis aportam numa cidade da costa leste africana e são maliciosamente orientados a seguir para outro ponto, onde seriam acossados pelos árabes hostis.

O maior temor dos navegadores da época era a possibilidade de se deparar com monstros (que hoje bem sabemos serem lendas) e com as “cataratas do fim do mundo” (como brilhantemente ilustradas em Pateta Cristóvão Colombo, do volume 2). Pateta faz galhofa quando nossos heróis são engolidos com navio e tudo por uma dessas aberrações: livra-se dela citando explicitamente Pinóquio — que só seria escrito quase 400 anos depois.

Inédita no Brasil, uma curiosidade envolve essa história. O gibi ZÉ CARIOCA ESPECIAL BRASIL 500 ANOS, de mar/00, utilizou dois de seus quadros: o castelo da página de abertura e a primeira tira da página 61 (com Pateta sendo devidamente substituído pelo papagaio).

PATETA FAZ HISTÓRIA nas viagens de Vasco da Gama
Roteiro: Tom Yakutis
Desenhos: Anibal Uzál e Hector Adolfo de Urtiága
Arte-final: Rubén Torreiro
Tradução: Raoni Naraoka
Publicada primeiro em 1985



Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais, 100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, R$ 9,95
Editor: Paulo Maffia


JOGO DOS 7 ERROS




Quadros de ZÉ CARIOCA ESPECIAL BRASIL 500 ANOS X quadrinhos de Vasco da Gama










5 comentários:

  1. O unico episodio da Pateta faz historia foi justamente esse do Galileu. Li num almanaque Disney dos anos 80. E o Ze carioca heim? Surrupiou 2 folhas dessa coleção, mas isso faz parte.

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  2. Poderíamos considerar esse quadro um "mini-Zé Fraude"?

    :-)

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  3. Já à venda! www.planetagibi.com

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