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10 de ago de 2011

PATETA FAZ HISTÓRIA #1 e 2 — ago/11

Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

Pela primeira vez no Brasil (e atrás somente da Alemanha), a formidável série de HQs Pateta Faz História ganha publicação na íntegra, numa coleção em vinte volumes, com dois episódios em cada um e um bônus no final: a sequência completa da série Teatro Disney, da década de 1960, com catorze episódios. A seguir, veja o conteúdo dos volumes 1 e 2 — que serão vendidos juntos, pelo preço de um, a partir de 12/ago, com textos do especialista Marcelo Alencar.



PATETA FAZ HISTÓRIA como Leonardo da Vinci
Por Marcelo Alencar. Na paródia biográfica de Leonardo da Vinci, assim como em todas as narrativas correlatas, as chamadas licenças poéticas são sobrepostas a dados factuais, resultando numa mistura cômica de fantasia e realidade. Um exemplo de dado factual é a passagem na qual Leonardo escreve de trás para a frente. Ele de fato fazia isso, supostamente por ser disléxico. Já uma amostra de licença poética é a estátua do roqueiro com sua guitarra elétrica numa praça da Florença renascentista.

Os roteiros da série são inovadores porque neles, pela primeira vez, Pateta troca seu tradicional papel secundário pelo status de protagonista, relegando o astro Mickey muitas vezes a um segundo ou mesmo terceiro plano. Outra característica marcante da coleção é a ousadia gráfica: a diagramação das páginas aposta em formatos pouco convencionais de molduras de quadrinhos (ou simplesmente abre mão delas) e as cenas são repletas de detalhes, nos quais vale a pena se deter um pouco mais.

Para finalizar, esta história da edição brasileira mantém a soberba tradução de José Fioroni Rodrigues (1926-2010), feita em 1978 para o número 83 do gibi Almanaque Disney e que se mantém atual do primeiro ao último balão.

Roteiro: Cal Howard
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága e Larry Mayer
Arte-Final: Al White, Larry Mayer e Steve Steere
Tradução: José Fioroni Rodrigues
Publicada em 1976


PATETA FAZ HISTÓRIA como Isaac Newton
Por Marcelo Alencar. O modo entusiasmado como os leitores de diversos países acolheram as primeiras HQs da série Pateta Faz História estimulou a Disney a investir nessa fórmula por mais tempo. A homenagem a Isaac Newton que você vai ler agora (publicada pela primeira vez no Brasil) é fruto de um segundo lote de aventuras, produzido nos anos 1980.

Uma das características estéticas que diferenciam as duas fases refere-se ao número de tiras por página. A história estrelada por Leonardo da Vinci que abre este volume, por exemplo, é da década anterior e apresenta três tiras de quadrinhos por prancha — enquanto a narrativa sobre o pai da Lei da Gravidade tem quatro.

Também há menos experimentações gráficas no roteiro de Carl Fallberg (1915-1996), quadrinista americano que construiu uma sólida carreira com base em tramas policiais da dupla Mickey e Pateta, sempre desenhadas por Paul Murry e publicadas originalmente na revista Walt Disney’s Comics and Stories, em especial nos anos 1950 e 1960.

Mas as gags bem construídas, que evidenciam muita pesquisa e uma inegável familiaridade com a linguagem dos quadrinhos, compensam o – digamos assim – conservadorismo visual. Aqui vemos o Pateta bonachão, ingênuo e distraído de sempre emprestando muito humor a uma biografia que, nos livros de referência, destaca-se pela sisudez e por certa melancolia, características comumente associadas a pesquisadores que, tal qual Newton, dedicaram sua existência aos estudos. João Bafo-de-Onça representa o lado reacionário da trama, personificando o pensamento retrógrado daqueles que se opuseram às descobertas de Newton.

Roteiro: Carl Fallberg
Desenhos: Anibal Uzál e Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Tradução: Raoni Naraoka pelo Estúdio Lua Azul
Publicada em 1985



PATETA FAZ HISTÓRIA como Cristóvão Colombo
Por Marcelo Alencar. A série Pateta Faz História nunca teve a pretensão de traçar a biografia completa de seus personagens. Em boa parte das vezes, as paródias limitam-se a abordar a infância de figuras célebres — para contextualizar datas, locais e ambientes — e depois narrar fatos significativos da trajetória de cada uma. A coleção, como veremos em alguns dos próximos volumes, também brinca com tipos ficcionais, extraídos de clássicos da literatura.

No caso de Cristóvão Colombo, o roteiro consome 11 páginas sugerindo que vieram da tenra idade as principais convicções daquele que se tornaria um dos pivôs das chamadas Grandes Navegações. Contrariado por tudo e por todos, o garoto insiste na tese de que nosso planeta é esférico e usa um balão de gás (um dos muitos elementos anacrônicos do enredo) para sustentar seus argumentos. Em seguida, pinta nesse mesmo balão um mapa-múndi detalhado, com o Novo Mundo retratado com exatidão profética.

Sem parar de explorar lacunas e saltos temporais, a trama cita o conceito de gravidade, estabelecido por Newton dois séculos depois, além de incluir nos cenários vários itens típicos do mundo contemporâneo, como televisão, rádio, telefone, semáforo e agência de viagens. Tudo isso convida o leitor a procurar coerências e absurdos visuais cena após cena, julgando a pertinência de cada desenho numa HQ em que o nonsense dá o tom até o último quadro.

Curiosidade: muito antes de interpretar Colombo nos gibis, Pateta encarnou o almirante genovês nas telas de cinema. Foi em 1944, num pequeno trecho do cartoon Como Ser um Marinheiro. Se tiver a oportunidade, compare as duas divertidas versões e suas coincidências.

Roteiro: autoria desconhecida
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Tradução: José Fioroni Rodrigues
Publicada em 1977


PATETA FAZ HISTÓRIA como Johann Strauss II
Por Marcelo Alencar. Como você provavelmente já sabe, o pai de Johann Strauss II não fabricava salsichas. Nas páginas seguintes, porém, essa subversão histórica toma corpo em nome da sátira. Afinal, o embutido de carne, tal qual as valsas, confunde-se com a alma vienense — e propicia ótimas piadas no texto de Carl Fallberg.

A HQ que você vai ler agora, publicada pela primeira vez em português, de certa forma ridiculariza a maneira como o compositor de No Belo Danúbio Azul iniciou-se no universo da música (algo que, descontados os exageros da paródia disneyana, ocorreu de fato), além de mencionar o preconceito que cercava as melodias mais dançantes numa cidade onde viveram e tocaram inúmeros compositores eruditos. Nesse sentido, a intolerância com que Paganini reage ao concerto improvisado de Pateta e Mickey aproxima-se do rigor exigido dos músicos da capital austríaca no século 19. Mas o que esperar de um lugar em que uma vítima de incêndio se vale da clave de sol para pedir socorro?

A trama sofre uma reviravolta quando entra em cena o imperador, um Bafo-de-Onça com longas suíças e um caneco de cerveja na cabeça, equilibrado sobre a coroa. Às vésperas de seu aniversário, o governante encomenda ao papai Pateta o maior salsichão do mundo.

Daí em diante, num dos raros momentos na série Pateta Faz História, o papel do Mickey ganha algum destaque: o camundongo é quem recruta instrumentistas ambulantes para formar a orquestra de Strauss.

Uma ironia do enredo é que o Bafo, tão habituado a cometer crimes nos gibis Disney, encontra-se na posição de vítima de um furto – problema que uma corte entediada, uma cachorrada faminta e uma valsa contagiante tratam de resolver.

Roteiro: Carl Fallberg
Desenhos: Hector Adolfo de Urtiága
Arte-Final: Rubén Torreiro
Tradução: Marcelo Alencar
Publicada em 1987

JOGO DOS 7 ERROS


tira de Laerte X quadro clássico de Pateta Colombo

Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais, 100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, R$ 9,95
Editor: Paulo Maffia
Indexação adicional: Inducks. Imagens adicionais: Inducks / Outducks






PATETA FAZ HISTÓRIA
Clique aqui e leia mais sobre a série

6 comentários:

  1. Que postagem completa. Servirá de guia para os colecionadores se posicionarem quanto às coleções. Eu, por exemplo, tenho algumas dessas edições mostradas e agora sei exatamente as que me faltam. E as sinopses estão ótimas e com informações complementares. Agora só falta por as mãos nos primeiros exemplares... Parabéns...

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  2. Excelente! É uma pena que a coleção é semanal, porque 40,00 por mês mais as revistas tradicionais vai pesar um pouco...

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  3. Linda postagem,amigo do Planeta...imagino o trabalhão que deu...mais emfim ficou mas que completo,gostei e parabéns,abçs!;)

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  4. Ótima postagem. já tenho várias das histórias publicadas por aqui mas tê-las todas organizadas em uma coleção não tem preço(bom até tem) vou comprar todas com certeza

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  5. Amigos, para ficar completo, só faltou a capa e informações do DE com a série... sei que foram só republicações, mas merecia uma citação específica, não?

    Mesmo assim um fantástico post... parabéns...

    e que venham as edições... estou ansioso em por as mãos nela... :-D

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  6. A minha edição Frankenstein/Cleópatra veio com defeito , a partir da págima 67 a história de frankestein é repetida no lugar da Cleópatra... foi só a minha ou mais alguém teve isso ?

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