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19 de jun de 2015

65 Anos Bem Contados: 1991-2000 (Parte 1 de 3)

Os anos 1990 chegam apavorando. No péssimo sentido, infelizmente. A combinação do Plano Collor com a inflação descontrolada e a insegurança econômica resultou num dos mais trágicos momentos para os gibis no Brasil. Esta primeira parte, no entanto, não é especialmente depressiva, com títulos como GRAPHIC NOVEL, a inventiva QUAC!, a retomada de infantis variadas e ZÉ CARIOCA semanal. Já as próximas duas... 


Em abr/1991, a produção nacional Patrulha do Universo inaugurou o título GRAPHIC DISNEY (anúncio em PATO DONALD #1925, mai/1991). A ideia não foi adiante: duas adaptações americanas de animações, DuckTales O Filme e O Príncipe e o Mendigo, ocuparam as únicas edições seguintes. 

Patrulha do Universo, com 44 páginas, teve roteiro de Gérson Teixeira, desenhos de Eli Leon, cenários de Watson Portela, arte-final de Antônio de Lima e cores de Alexandre Silva (que encontramos dia desses no Festival Guia dos Quadrinhos: figura mais do que simpática; rolou ali uma conversa dele com o editor Paulo Maffia para que a obra fosse totalmente repintada e, quem sabe, finalmente republicada). Saiu também na Itália, França e Espanha. 

Na época de seu lançamento, a Abril mantinha outros três títulos semelhantes, porém para adultos: a pioneira GRAPHIC NOVEL (cujos 29 números trouxeram de Marvel e DC a Groo e produções europeias), GRAPHIC MARVEL e GRAPHIC ÁLBUM (cuja estreia, com Drácula de Jon Muth, foi das mais atribuladas: a edição só chegou às bancas muitíssimas semanas depois do prometido)


LULU E BOLINHA ESPECIAL teve 7 formidáveis edições, como a mostrada acima (em ZÉ CARIOCA #1906, mai/1991). 

Uma curiosidade dessa coleção fechada foi seu número de estreia, Japão. A capa veio com a tarja "histórias inéditas". Mas todas as HQs daquela edição, de 68 páginas, já tinham saído no Brasil em LULUZINHA #7/1964, da Cruzeiro (36 páginas). Exatamente na mesma ordem. O estúdio da Abril remontou todos os quadrinhos, alterando o layout de 4 para 3 tiras por página (possivelmente para render mais, já que não era incomum os gibis de Luluzinha e Bolinha da Abril virem com layout original inalterado). E para completar as 68 páginas, a editora providenciou uma HQ inédita brasileira (aí, sim!)


MICKEY #500 foi a mais recente edição do título a comemorar uma numeração (o #600 saiu naquela fase do gibi de um real, com destaque da façanha apenas na capa; o #700, apenas com o número um pouco maior; o quase-impensável-em-termos-de-brasil #800, assombrosamente, nem isso...) Visto em ZC #1908 (mai/1991)


ROGER RABBIT foi lançado no Brasil à semelhança de seu original, em formato americano. Mas, por aqui, durou apenas 3 números — nos EUA foi seis vezes mais longe, publicado pela própria Disney. A propaganda acima saiu em PD #1935 (jul/1991)


Quando ANOS DE OURO DO TIO PATINHAS chegou às bancas, que decepção! Diferentemente das coleções similares dedicadas a PATO DONALD e ZÉ CARIOCA, essa não trouxe fac-símiles dos gibis do Tio, mas sim um apanhado de HQs que haviam saído em seus primeiros números. E com capricho questionável: algumas vinham até com aqueles selos identificadores do DISNEY ESPECIAL — ou seja, reedição de republicações... Ainda assim, os colecionadores esperaram ansiosamente pelos ANOS DE OURO DO MICKEY (que no ano seguinte completaria 40 anos de revista, tornando o momento mais do que propício para uma coleção do gênero), o que nunca aconteceria. O anúncio acima é de ZC #1913 (ago/1991)



Segunda e terceira capas de ZC #1915 (set/1991). É quase trágico constatar que a chegada dos anos 2000 não trouxe nada para se comemorar nos quadrinhos Disney. Títulos históricos iriam sendo cancelados no caminho, injustificando a continuidade da produção nacional, e nem nos mais delirantes devaneios as vendas fariam sombra aos 25 milhões de revistas Disney que a Abril vendeu em 1990


A minissérie brasileira de DUCKTALES foi assim anunciada em ZC #1920 (nov/1991). Sua publicação coincidiu com o fim da revista periódica (mas não muito) inspirada no seriado do Disney Afternoon. Depois disso, DUCKTALES só voltaria a estrelar uma revista por aqui em 2009, inaugurando a linha de especiais temáticos Disney em formatinho


Os fatos desdisseram melancolicamente esse anúncio: não, este coelho não vai longe. No apagar das luzes dos anos 1980, depois de dez anos (e uma passagem pela RGE), a Warner voltava à Abril, modestamente. O calhau acima (de ZC #1926) saiu um mês antes de O MELHOR DE PERNALONGA ser cancelado, em fev/1992. A Warner ainda retornaria à Abril no final dessa década, mas com HQs inéditas e formato americano, com títulos para o próprio PERNALONGA, mais FRAJOLA E PIU-PIU e FESTIVAL LOONEY TUNES (28 números cada um, de set/1997 a dez/1999)

TODOS 'O MELHOR DE':
O MELHOR DE TOM & JERRY, 29 edições, mai/1990-dez/1992
O MELHOR DE PERNALONGA, 15 edições, nov/1990-fev/1992
O MELHOR DE PICA-PAU, 101 edições, nov/1990-dez/1998
O MELHOR DE A PANTERA COR-DE-ROSA, 6 edições, ago/1992-jun/1993
O MELHOR DE OS FLINTSTONES, 9 edições, jan/1993-jan/1994
O MELHOR DE OS JETSONS, 3 edições, fev/1993-jun/1993


ZC #1929 (fev/1992) trouxe este anúncio da série Urtigão in Rio, cujas HQs saíram entre URTIGÃO #121 e 129 (dez/1991 a abr/1992)


ZÉ CARIOCA, pela primeira vez, virou uma revista semanal! Não durou muito: foi desde a edição #1924 (jan/1992, com uma mudança de logo) até a #1955 (formalmente, porque naquele mês de ago/1992 houve 4 edições do gibi, até o #1957). Anúncio visto em PD #1967 (mar/1992)


Numa produção da Marvel.... BARBIE, a última moda em quadrinhos! O gibi durou 52 números (abr/1992 a ago/1996), mais 4 especiais e 2 almanaques (anúncio em PD #1976, mai/1992) 


QUAC! foi um experimento que durou apenas 6 edições (anúncio em ZC #1946, jun/1992). Ninguém melhor do que o editor Júlio de Andrade para situá-la:

(QUAC!) Foi uma das séries de que mais gostei de editar, e a equipe se sentia bastante motivada porque fugia dos padrões tradicionais e valia quase tudo. A vice-presidente editorial da Disney na época colocou nossas revistas com destaque num show-room, que era mantido no quartel-general em Los Angeles, se não estou enganado, como exemplo de inovação. O problema é que nem a distribuidora e nem os jornaleiros sabiam muito bem como expor a revista nas bancas. Se era quadrinhos (ficando ao lado do PATO DONALD ou MÔNICA), se era revista de atividades, ou se era revista adulta (ficando ao lado de Superinteressante, por exemplo). E nem os leitores gostaram da proposta, porque fugia do padrão ao desvirtuar o universo Disney com o qual estavam acostumados. O humor mais ácido, a ironia e a irreverência não foram muito bem aceitos pelos leitores (a Disney, ao contrário, gostava) e a revista morreu na edição 6


ALMANAQUE ABRIL JOVEM retomou, de certa forma, a proposta de DIVERSÕES JUVENIS ao trazer personagens de diferentes produtoras a cada mês (calhau em ZC #1950, jul/1992). Foi de jan a dez/1992, em 13 edições (em julho, saíram duas). Como outros títulos semelhantes, virou cult

#1 OS TRAPALHÕES
#2 LULU E BOLINHA
#3 O PICA-PAU
#4 FOFÃO
#5 TOM & JERRY
#6 OS TRAPALHÕES
#7 HERÓIS DA TV [3ª Série; heróis japoneses]
#8 O PICA-PAU
#9 LULU E BOLINHA
#10 OS TRAPALHÕES
#11 HANNA-BARBERA
#12 A PANTERA COR-DE-ROSA
#13 O PICA-PAU


MAI, A GAROTA SENSITIVA foi a estreia da Editora Abril nos mangás (anúncio em ZC #1956, ago/1992). Também foi uma das primeiras obras do gênero a ser publicada nos EUA. A tentativa, não concretizada até hoje, de levar a história aos cinemas já envolveu nomes como Tim Burton e Francis Ford Coppola. Em jan/1993, a Abril voltaria a apostar num mangá, A LENDA DE KAMUI


PD #1999 (dez/1992) trouxe o anúncio da última edição do GRANDE ALMANAQUE DE FÉRIAS. O título passaria a ser utilizado a partir de 2007 por Mauricio de Sousa no lugar do ALMANACÃO da fase Globo


PATO DONALD voltou a ter periodicidade quinzenal depois de uma longa fase semanal (propaganda em ZC #1962, dez/1992)


ZC #1964 (jan/1993) trouxe este anúncio de TOM & JERRY. Nada demais... se o gibi da dupla não tivesse sido cancelado no mês anterior!  Eles voltariam dez anos depois, para mais 23 edições. Na sequência, mudariam-se para a Panini, onde tiveram 50 edições em formatinho, até o início de 2011


No próximo capítulo... Pato Donald completa 60 anos e ganha outro kit histórico. E muito mais...


Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro
Publicado originalmente em 22/fev/2011




6 comentários:

  1. Já estava com saudades deste tópico.
    Interessante a forma do anúncio da Grandes Aventuras do Mickey II.
    Qual a previsão?

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  2. Segundo semestre, informou Maffia.
    Abração.
    E.Rodrigues

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  3. eu lembro dessa epoca pena que o melhor da pantera cor de rosa nao durou muito. se bem que a culpa foi da abril que descontinuou o quadrinho mensal da pantera acho que em 88 ai depois quis voltar com a pantera cor de rosa. 5 anos apos seu cancelamento. :( alias alguem sabe porque a pantera cor de rosa foi descontinuado oO Ele vende bem ate hj na net. creio que seja uma crise na abril ou algo do tipo Oo

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  4. A primeira série da Pantera durou 15 anos, até jul/88 (edição #93).

    Foi cancelada pouco depois de O Pica-Pau (também no #93). Ambas já viviam de republicações (foram poucas as produções brasileiras).

    Na volta da Pantera, com O Melhor de... (ago/92 a jun/93, 6 edições), o mercado estava péssimo. Só O Pica-Pau sobreviveu nesse esquema (por longos 8 anos, mais 101 edições, mas de inéditas, mesmo, só as HQs com Coelho Osvaldo e cia.).

    Curiosamente, os quadrinhos da Pantera nunca foram publicados aqui por outra editora.

    E.Rodrigues

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  5. Na época parei de comprar Disney, só comprei as primeiras edições de o melhor de pica.pau, mas nunca deixei de comprar quadrinhos... Deixei de comprar Disney pq na época, entrou numa fase q, na minha opiniao, foi muito ruim. Decaiu a qualidade das HQs e também da impressão da Abril, com cores escuras horríveis, como pôde.se ver, p exemplo, em o melhor do pica.pau 1... Atualmente voltei a colecionar Disney, q atualmente está em uma boa fase de qualidade, e no início desse ano, comprei a s coleçoes completas de o melhor do pica.pau e o melhor de tom e Jerry, que incrivelmente, estão como se tivessem sido compradas na banca agora... Quanto as cores, realmente, continuam escuras e horríveis kkk

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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