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15 de fev de 2010

Sente só quem está completando 85 anos hoje...

Por E. Rodrigues & José Rivaldo Ribeiro


O Bafo! Isso mesmo, João Bafo-de-Onça apareceu pela primeira vez no curta-metragem Alice Solves the Puzzle, que estreou em 15 de fevereiro de 1925.

Com vários nomes, personalidades e caras, é o mais antigo personagem Disney ainda em "atividade". E se considerarmos que sua participação em desenhos e HQs foi ininterrupta, erraremos pouco se dissermos que Bafo é o mais antigo de todos, não só da Disney.

Alice Solves the Puzzle, o 22º cartoon de Walt Disney
Diretor: Walt Disney. Animadores: Ub Iwerks, Rollin "Ham" Hamilton, Thurston Harper

De início, o vilão tinha uma perna de pau, que às vezes era a esquerda e em outras, a direita. De quando em quando, nenhuma delas.

The Ocean Hop, 14/nov/27
Diretor: Walt Disney. Animadores: Rollin "Ham" Hamilton, Hugh Harman

Bafo é o vilão do sexto cartoon estrelado pelo Coelho Oswaldo. O desenho pode ser conferido no DVD As Aventuras de Oswald, o Coelho Sortudo, disponível também no Brasil, dentro da série Disney Treasures.

Ozzie of the Mounted, 30/abr/28
Diretor: Walt Disney. Animadores: Ub Iwerks, Hugh Harman, Rollin "Ham" Hamilton, Ben Clopton, Les Clark

Pernas para que te quero! Ei, cadê a perna de pau?

Steamboat Willie, 18/nov/28
Diretor: Walt Disney. Animadores: Ub Iwerks, Les Clark, Johnny Cannon, Wilfred Jackson, Dick Lundy

Mickey já estreou nas telas com o vilão em seu pé!

The Barnyard Battle, 10/out/29
Diretor: Bert Gillett.
 
No primeiro curta não dirigido por Disney, o personagem começa a tomar feições mais parecidas com as atuais.
 
The Chain Gang, 5/set/30
Diretor: Bert Gillett. Animadores: Johnny Cannon, Les Clark, Ben Sharpsteen, Jack Cutting, Jack King, Dick Lundy, Tom Palmer, Wilfred Jackson, Dave Hand, Charlie Byrne, Norm Ferguson
 
A estreia de Pluto. E Bafo fica mais parecido com sua versão contemporânea, mas ainda com perna de pau. Atenção à lista de animadores: Sharpsteen dirigiria depois os clássicos Pinóquio, Fantasia e Dumbo. Hand levaria às telas nada menos do que Branca de Neve e os Sete Anões e Bambi. Ferguson e Jackson trabalhariam em segmentos de Alô Amigos, onde surgiu Zé Carioca. E King dirigiu meia centena de cartoons do Donald. Para ficar só em alguns exemplos dos talentos envolvidos em The Chain Gang...
 
Mickey's Service Station, 23/fev/35
Diretor: Ben Sharpsteen. Animador: Art Babbitt

Em Mickey's Service Station, a perna de pau é a esquerda... quero dizer, agora é a direita... bem, melhor deixar para lá. E foi exatamente isso que a Disney fez: abandonou definitivamente a ideia do "pegleg".

Moving Day, 20/jun/36
Diretor: Ben Sharpsteen. Animadores: Fred Spencer, Al Eugster, Art Babbitt 

Quando as versões definitivas de Donald e Pateta apareceram juntas pela primeira vez, Bafo também estava lá — e estreando em cores. O curta inspiraria depois uma HQ de Paul Murry, publicada em Dell Giant #53 Donald Duck Merry Christmas, de 1961 — no Brasil, Despejo de Natal, em Mickey #146 (dez/64).

Arte de Paul Murry para HQ inspirada no curta Moving Day

Timber, 10/jan/41
Diretor: Jack King. História: Jack Hannah, Carl Barks. Animador: Paul Allen, Ed Love
Acima, storyboard por Carl Barks

Um dos sete cartoons com Bafo cuja história é de coautoria de Carl Barks, que voltaria ao tema em Walt Disney's Comics and Stories #267 (dez/62, imagem abaixo), na HQ Log Jockey — no Brasil, Troncos e Galhos de Família, em Pato Donald #1512 (24/out/80). É nessa HQ que o primo Zeca Pato aparece pela primeira vez (leia post sobre ele aqui). Bem antes disso, porém, Floyd Gottfredson adaptou a história para ser estrelada por Mickey.

Log Jockey, por Carl Barks

The Mistery at Hidden River, por Floyd Gottfredson. Aparentemente inéditas no Brasil, essas tiras saíram primeiro nos jornais americanos, entre 6/out/41 e 17/jan/42.

The Vanishing Private, 25/set/42
Diretor: Jack King. História: Jack Hannah, Carl Barks. Animador: Paul Allen, Ed Love
Acima, gag em Good Housekeeping, em jun/43, com arte de Hank Porter

The Lone Chipmunks, 7/abr/54
Diretor: Jack Kinney. Animadores: Ed Aardal, George Nicholas.
 
No último cartoon "normal" em que aparece, Bafo-de-Onça apavora Tico e Teco. Ou seria o contrário?
 
Mickey's Christmas Carol, 16/dez/83
Diretor: Burny Mattinson. Animadores: Glen Keane, Mark Henn, Ed Gombert, Dale Baer, David Block, Randy Cartwright
 
E adivinha quem deu o ar da graça quando Mickey voltou às telonas, depois de mais de trinta anos? Aqui, Bafo é o Espírito do Natal Futuro.

The Prince and the Pauper, 16/nov/90
Diretor: George Scribner

Em O Príncipe e o Mendigo, sua última aparição em curta-metragens.

Aventuras Disney #5, em dez/05, comemorou os 80 anos do longevo vilão

O já saudoso gibi Aventuras Disney festejou os 80 anos do Bafo em sua edição #5, trazendo logo seis aventuras com ele. Desde a clássica (e até então inédita por aqui) sequência de tiras de A Carrocinha (argumento e arte de Floyd Gottfredson, com roteiro de Ted Osborne) até a recente e de traço modernoso italiano A Prisão Domiciliar (roteiro de Carlo Panaro e arte de Ottavio Panaro), além de uma história do mestre Paul Murry.

 A Escuna Perdida, com roteiro de Carl Fallberg e desenhos de Paul Murry, em AVD #5

João Bafo-de-Onça aparece em mais de 2500 HQs e em mais de 60 curta-metragens, além da participação em longas como Pateta, o Filme. Atualmente, também integra a gang combatida pelos Ultra-heróis, publicada há pouco mais de um ano no Brasil em Aventuras Disney, e ainda em circulação nos EUA nas páginas da clássica Walt Disney's Comics and Stories e da novíssima Disney's Hero Squad.

O personagem não teve só muitas caras: originalmente foram muitos nomes também — talvez para combinar com suas diferentes aparências: Bootleg Pete, Black Pete, Pete the Bear, Pegleg Pete, Putrid Pete, Bad Pete, Big Bad, PeeWee Pete, Pegleg Pedro, Pierre the Trapper e Mr. Sylvester Macaroni, entre outros.


No Brasil, primeiramente foi chamado de Pete nos gibis da Abril. Foi Cláudio de Souza que lhe batizou com o nome que se popularizou. "O personagem tinha cara de João e, além disso, levava um jeito de meliante e beberrão, daqueles que gostavam de entornar muitos copos por dias seguidos e, portanto, exalava um bafo insuportável", contou o ex-funcionário da Abril ao jornalista Gonçalo Junior no livro O Homem Abril: Cláudio de Souza e a História da Maior Editora Brasileira de Revistas (Opera Graphica, 2003).


Fonte de indexação e imagens, exceto quando identificadas: The Encyclopedia of Disney Animated Shorts.

7 comentários:

  1. Muito bom!
    Meus cumprimentos ao maior vilão dos quadrinhos Disney!

    Só faltou uma HQ especial...

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  2. PARABENS BAFO!
    E HOJE TAMBÉM É ANIVERSÁRIO DO WILLIAM VAN HORN VEJAM SÓ:
    http://wvh.barksbase.de/en/news/index.htm

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  3. Recentemente li uma antiga tira do Mickey em que a Clarabela é raptada por ele e... acaba se afeiçoando a esse brutamonte felino(!). Como já se não bastasse ela já ter se envolvido romanticamente com o Horácio e o Pateta, ela ainda deu "trela" para este ser hilariamente desprezível.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Um Bafo "aparentemente regenerado", além dos longa-metragens com o Pateta, apareceu bastante na série regular, Goofy Troop.

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  6. O Bafo é um grande personagem mas o maior vilão Disney sempre foi e sempre será o Mancha!!

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  7. "Troncos e Galhos de Família" seria então um "Mickey Fraude"? Ou um "Pato Fraude"? hehehehe

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