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25 de ago de 2009

Aventuras Disney: 4º ano

Por José Rivaldo Ribeiro e E. Rodrigues

Nas décadas de 1970 e 80, os gibis Disney estavam entre as revistas — de qualquer gênero, diga-se — de maior circulação do Brasil. Tio Patinhas ocupou o topo dessa lista com frequência, seguido de perto por Disney Especial, Edição Extra, Almanaque Disney, Mickey, Zé Carioca, Pato Donald, Margarida... Os títulos se multiplicavam, e a necessidade de mais e mais HQs para preenchê-los, também. E para isso o Estúdio Abril contava com muitos talentos.

Quando fizemos estes posts revisando os quadrinhos publicados em Aventuras Disney, demo-nos conta desse verdadeiro trabalho de recuperação da memória da produção Disney nacional que foi essa revista. Claro, foi apenas uma fração da enormidade de coisas feitas por aqui, mas nada foi escolhido a esmo. Muito ao contrário, resta evidenciado que dentro do excelente mix de novidades e clássicos de Aventuras Disney, suas HQs foram selecionadas cuidadosamente. E ao passo que lamentamos o cancelamento da revista, já começamos a ver que esse cuidado de seleção está sendo continuado, agora em Zé Carioca, com sua nova proposta.

#37 (ago/08)
Famoso na Itália, Indiana Pateta abre a edição com Sopro que Voa (roteiro de Massimo Marconi e arte de Giuseppe Dalla Santa). O personagem também participa da história seguinte com Mickey e sua turma, numa aventura que seria publicada em seis partes, homenageando as olimpíadas de Pequim 2008 (roteiro de Massimo Marconi e arte de Paolo Mottura e Roberto Vian). A reedição da HQ brasileira Quem É o Maratonista? (roteiro de Lúcia de Nobrega e arte de Eli Marcos M. Leon) fecha a edição.

#38 (set/08)
Continua a saga em busca dos cinco anéis símbolo das Olimpíadas de Pequim 2008, em mais três partes. Depois, um clássico absoluto do mestre Paul Murry, O Papagaio Que Sabia Ler. Famoso por conquistar fãs pelo traço nas aventuras de detetive vividas pelo camundongo Mickey, Murry também agradava quando emprestava seu talento para aventuras vividas pelos patos.

#39 (out/08)
Todas as HQs desta edição têm participação de Gastão, afinal este volume de Aventuras Disney comemora seus 60 anos. Vamos encontrar aqui muita confusão, briga e dor de cabeça para o pobre Donald: A Visita do Primo Gastão (de Carl Barks) marca a estreia do primo chato e irritante. Isso mesmo, essas eram as características de Gastão bem no início. E Barks só piorou um pouco mais as coisas para o lado do Donald algum tempo depois, quando ainda concedeu ao ganso sua antipática sorte. Em seguida, temos a HQ que inaugurou o gibi do papagaio mais famoso do Brasil: Zé Carioca Contra o Goleiro Gastão (desenhos de Jorge Kato) é da época em que os personagens de Patópolis contracenavam com o malandro. O Miado do Gato (roteiro de Carl Fallberg e desenhos de Paul Murry) traz Gastão e Tio Patinhas numa aventura no deserto. Trapaças no Cruzeiro (roteiro de Abramo e Giampaolo Barosso, desenhos de Romano Scarpa) é uma pérola que permanecia inédita no Brasil desde 1963. Em Sorte Não É Arte (de Cèsar Ferioli Pelaez) Gastão ganha um vizinho que põe Silva no chinelo. Por fim, a inédita Correndo pelo Piquenique (roteiro de John Lustig e desenhos de William van Horn).
#40 (nov/08)
Edição de estréia de Ultra-Heróis, saga em nove partes (roteiro de Alessandro Ferrari, Giorgio Salati e Riccardo Secchi, com desenhos de Antonello Dalena, Emilio Urbano, Ettore Gula, Manuela Razzi, Roberta Migheli e Stefano Turconi). Dentre os vários heróis desta nova liga estão o brasileiríssimo Morcego Vermelho e a mais brasileira que italiana Superpata. Esta saga, por sinal, foi a escolhida para reinaugurar o ultraclássico gibi americano Walt Disney Comics & Stories, a partir do mês que vem. Completam a edição as republicações da hilariante Apuros Caninos, com Tio Patinhas, Donald e Peninha na redação de A Patada (desenhos de Tony Strobl) e a aventura Bandidos do Bosque (roteiro de Carl Fallberg desenhos de Paul Murry).

#41 (dez/08)
Capítulos 4 e 5 da mini Ultra-Heróis. Duas reedições: Huguinho, Zezinho e Luisinho estão no sítio da Vovó Donalda em Uma Delícia de Arte (da Disney Studios). E Donald está em Com Mil Caracóis! (roteiro de Don Christensen e desenhos de Tony Strobl), que tem a participação do Professor Ludovico.

#42 (jan/09)
Mais dois capítulos de Ultra-Heróis. Este número republica a adaptação de Paul Murry para o famosíssimo segmento O Aprendiz de Feiticeiro, do clássico Fantasia (1940). Donald e Tio Patinhas estão em Como Salvar Um Tesouro (desenhos de Jack Bradbury) — durante as décadas de 1950 e 60, Bradbury e Strobl desenharam várias HQs relembrando, por meio de álbuns de fotografias, várias aventuras vividas pela família Pato. E esta edição fecha com a arte de Paul Murry em O Consertador Desconcertado.

#43 (fev/09)
São publicados aqui os dois últimos capítulos de Ultra-Heróis. Numa gag de uma página, O Espertinho (roteiro de Bill Walsh e desenhos de Manuel Gonzales) traz de volta o esquecido amigo de Mickey e Pateta, o Amadeu. E Tony Strobl desenha Antes de Donald... A Escola Era Risonha e Franca (roteiro de Carl Fallberg).

#44 (mar/09)
Começa uma nova saga, em quatro capítulos: Donald dá vida a mais um personagem em Donald Duplo - Missão 001 (roteiro de Fausto Vitaliano e Marco Bosco, com desenhos de Andrea Freccero, Francesco D'Ippolito, Marco Mazzarello e Vitale Mangiatordi). Esta é a HQ escolhida para marcar o retorno do gibi do Donald nos Estados Unidos, a partir de outubro. São reeditadas O Feitiço Quaquaquá! (roteiro de Ivan Saidenberg e desenhos de Verci de Mello), com Maga Patalójika, e Miss Patópolis (desenhos de Tony Strobl) com Margarida, em mais uma HQ da série dos álbuns de fotografias. Por fim, temos mais Paul Murry em A Estranha Missão de Mickey (com roteiro de Carl Fallberg).

#45 (abr/09)
Mais dois capítulos de Donald Duplo. E Tio Patinhas está em Uma Vitória Brilhante (roteiro de Joerly Nascimento Santos e desenhos de Sérgio Lima), publicada por aqui pela última vez há quase 30 anos.
#46 (mai/09)
Última parte de Donald Duplo e três republicações de peso. É impossível ler Errar Para Acertar (roteiro de Dick Kinney e desenhos de Al Hubbard) sem dar boas gargalhadas. Depois do Peninha brasileiro, só mesmo a dupla Kinney e Hubbard para dar vida ao pato desastrado. Mickey e Pateta estão em mais um clássico de Murry, O Grande Invento Sem Nome. O Barco das Atrações (desenhos de Tony Strobl) é uma aventura de dezessete páginas com participação dos patos, dos ratos e até do Pinóquio (!). A HQ foi capa de Tio Patinhas #4 (dez/64).

#47 (jun/09)
A série Os Mágicos de Mickey comparece em outra aventura inédita (roteiro de Stefano Ambrosio e desenhos de Lorenzo Pastrovicchio). São reeditadas Boa Viagem (roteiro de Bob Gregory e desenhos de Tony Strobl), uma das raras HQs em que Donald, vovó e seus sobrinhos não estão em temas domésticos — mas sim em grandes aventuras, que parecem as famosas caças aos tesouros de Barks! E há Os Fios Elétricos do Pateta (desenhos de Paul Murry).

#48 (jul/09)
A última edição de Aventuras Disney é totalmente dedicada a um dos vilões mais queridos dos quadrinhos Disney, Mancha Negra. Muitas HQs brasileiras mostraram a chorosa e apaixonada Madame Min às voltas com a rejeição do vilão de negro. Mas pouco sabia-se sobre a origem de tal paixão. A Bruxa Adormecida no Bosque (roteiro de Bob Ogle, desenhos de Paul Murry e cores de Fernando Ventura), a HQ que abre a edição, é o ponto de partida da dor de amor da pobre bruxa — afinal, o vilão não quer nem nunca quis nada com Min, senão apenas tirar proveito de seu poderes. Há ainda a republicação de mais duas histórias de Murry, Mistério no Rio e A Baleia Assassina, e de duas brasileiras, As Férias do Mancha Negra (roteiro de Carlos Alberto Paes de Oliveira desenhos atribuídos a Roberto O. Fukue) e A Volta do Mancha (roteiro de Magic Eye Studio e desenhos de Carlos Mota). Para encerrar, a inédita O Amuleto Ancestral (roteiro de Carol e Pat McGreal, com desenhos de Jesper Lund Madsen).

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Fonte de índices e criadores: Inducks.

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4 comentários:

  1. "Quando fizemos estes posts revisando os quadrinhos publicados em Aventuras Disney, demo-nos conta desse verdadeiro trabalho de recuperação da memória da produção Disney nacional que foi essa revista. Claro, foi apenas uma fração da enormidade de coisas feitas por aqui, mas nada foi escolhido a esmo. Muito ao contrário, resta evidenciado que dentro do excelente mix de novidades e clássicos de Aventuras Disney, suas HQs foram selecionadas cuidadosamente."

    Pois é, mas um capitulo da saga "Maffia pregando no deserto"

    Paulo Maffia

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  2. E agora, o que fazer com essas histórias que merecem ser relidas? Digo que a Abril deve aproveitar que lançarão edições extras trimestrais de Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey e Pateta para fazer experimentações no que tange a detalhes como colorização, histórias clássicas dos anos 70 e 80, formato americano... Não custa nada tentar. Lançaria edições extras e de férias de Margarida e Urtigão, também.

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  3. A que saco de tanto gibis..naum quero novas edições de Margarida e Urtigão,nem mesmo precisava de Pateta,os que já existe,gostaria mesmo era que só almentassem o números de páginas..já tava de bom tamanho,logo veja a editora abril exterminando o Aventuras Disney,cham que vaõ lançar mais???

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  4. Eu e meu filho lamentamos muito o fim de 'Aventuras Disney'. Quanto ao último número, achamos fraquíssimo - aliás, a história do Carlos Mota, embora com cor e desenhos belíssimos, é de uma trama rasa, constragedora, até. O Mancha merecia mais.

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